Críticas

Malévola (2014)

O efeito para aqueles que tentarem assistir provavelmente será semelhante ao que aconteceu com a bela adormecida no desenho!

Malévola (2014)

Malévola
Original:Maleficent
Ano:2014•País:EUA, UK
Direção:Robert Stromberg
Roteiro:Linda Woolverton, Charles Perrault
Produção:Scott Michael Murray, Joe Roth
Elenco:Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley, Lesley Manville, Imelda Staunton, Juno Temple, Sam Riley, Brenton Thwaites, Kenneth Cranham, Hannah New, Isobelle Molloy

Quando James Cameron lançou em 1984 o seu O Exterminador do Futuro, o ator Arnold Schwarzenegger interpretou um androide vindo do futuro com o único objetivo de assassinar a personagem Sarah Connor. O humano Kyle Reese (Michael Biehn) explica para Sarah que o exterminador é um ser indestrutível, que não sente dor, remorso ou medo e que nunca vai parar até matá-la. Mais assustador impossível. Curiosamente, quando o filme ganhou sua parte dois, em 1991, o androide do futuro mudou de lado e passou de vilão para mocinho da história. Com O Exterminador do Futuro 2, James Cameron transformou uma máquina de matar em um robô pop.

Esta mudança se enquadra em um perfil tipicamente de Hollywood onde astros famosos (Arnold não era tão popular em 1984) despertam o interesse do público que passa a torcer por eles. E para estes casos, não há vilão que não possa ser retrabalhado para ganhar um lado menos cruel. A atriz Angelina Jolie também conseguiu fazer com que uma personagem totalmente do mal ganhasse uma nova leitura bastante diferente da concepção original. Ela interpreta Malévola, no filme homônimo da Disney, de 2014, e o resultado está longe de ter um final feliz.

Malévola, para quem não lembra, é a vilã da animação A Bela Adormecida, de 1959. No desenho, ela é uma bruxa malvada que lança uma maldição para que a princesa espete o dedo em uma agulha no seu aniversário de 16 anos para cair em um sono profundo para sempre. A maldição poderá ser quebrada apenas com um beijo verdadeiro de amor. Malévola é uma das vilãs mais famosas das histórias infantis. Altiva e poderosa, ela é a representação da maldade nos contos de fadas.

Malévola (2014) (1)

Uma adaptação para o cinema com atores e dando destaque para a bruxa foi recebida de forma positiva principalmente pelas possibilidades visuais como o castelo, o muro de espinho e a própria concepção de Malévola. Infelizmente o resultado não foi positivo. Dirigido por Robert Stromberg, o filme se mostra decepcionante, e o principal problema foi a tentativa de transformar a bruxa malvada em uma personagem boa. A trama começa apresentando uma Malévola criança e que é a mais bela e boa das fadas vivendo em harmonia com a natureza. Após se envolver com um humano, ela é enganada por ele e tem as asas cortadas. Como consequência, a jovem fada é tomada pela raiva e se transforma em um ser do mal.

Assim como no desenho, Malévola lança a maldição contra a princesa em uma das poucas boas cenas do filme. O problema é que logo depois desta sequência a produção desanda para não conseguir mais se aprumar. A princesa cresce e Malévola se aproxima da criança, torna-se a “fada madrinha” dela e praticamente salva a menina de morte certa em várias ocasiões. Ao final, até tenta quebrar a maldição colocada por ela própria. Este excesso de açúcar e bondade simplesmente descaracterizou a personagem e prejudicou o filme.

A decisão de mudar o conceito de Malévola provavelmente aconteceu no momento em que ela foi transformada em personagem principal e por ser interpretada por uma atriz maintream acostumada a estrelar blockbusters. No entanto a contratação de Angelina acabou sendo um dos pontos fracos do filme. Longe de ser uma atriz fraca, a esposa de Brad Pitt está com a mesma expressão facial da primeira até a última cena. Preguiçosa, parece que ela gravou suas cenas entre uma atividade doméstica e uma ida ao salão de beleza. Além disso, a atriz não conseguiu apagar sua própria imagem para dar vida para a fada-bruxa. Em praticamente todas as cenas, vemos Angelina e não Malévola.

Malévola (2014) (3)

Para completar, a direção de Robert Stromberg, que tem um grande currículo como técnico de efeitos especiais e fez sua estreia na cadeira com este longa, é preguiçosa e não acrescenta nada aos filmes de temática fantasiosa. O visual de Malévola é uma mistura de Avatar com As Crônicas de Nárnia. As cenas de ação são lentas e sem emoção e os efeitos especiais são exagerados.

Além disso, Stromberg não se decide entre fazer de Malévola um filme adulto ou infantil. Algumas cenas são desinteressantes para crianças, enquanto outras são bobas demais para adultos. Culpa dele? Do roteiro? Dos produtores, que incluem a própria Angelina? Da Disney, que na tentativa de revisitar seu conto de fadas errou feio? Na busca de culpados, o melhor é nem passar perto desta produção. O efeito para aqueles que tentarem assistir provavelmente será semelhante ao que aconteceu com a bela adormecida no desenho. Estes aventureiros que forem ao cinema poderão ser tomados por um forte sono e dormir.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista com Mestrando em Comunicação. Fã de Cinema, mas com gosto especial para filmes de Terror. Para ele, o gênero vai muito além de sangue e morte. Contato: [email protected]

12 Comentários

  1. Fred

    Essa é uma releitura, ao meu ver válida. Se quisessemos ver a Malevóla má, é só ver o desenho novamente.

  2. sabrina

    Eu gostei do filme.

  3. Também achei bastante infantil, com uma historia boba e personagens infantis.
    Também achei a princesa um personagem muito apagado que poderia ser retirada sem perda na historia. O único personagem que achei interessante foi o vilão o rei, que mostra um personagem perturbado pela vilã protagonista pela maldição que enlouquece e vira paranoico

    • beatriz

      A malevola era sim e sempre foi boa .porque na historia que eu li um rei convidou 11 fadas so que so tinha 10 pratos de ouro ♦ e achou que se dasse o de prata para a decima fada ela ia ficar brava ?.so que ficou mais brava ainda quando descobriu que não foi convidada.eu ? do filme e melhor ?

  4. Disney foi vital na minha infância e sustento até hoje uma coleção de DVDs com todos os títulos que os estúdios do pai do Mickey já lançou, como uma videoteca para meus futuros filhos, pois sou fã da animação clássica e não tão admirador das computações de hoje em dia. Entretanto, os filmes com foco em princesas, como A Bela Adormecida, nunca foram os meus favoritos. Eu vivia com os VHS de Aladdin, O Corcunda de Notre Dame e O Rei Leão. E como desde pequeno tenho paixão pelos vilões, Jafar, Frollo, Scar, era inevitável eu não reparar em Malévola, muito mais legal que a Rainha da Branca de Neve.

    Contos de fada tão na moda agora, desde que Once Upon a Time resolveu colocar vilões como personagens em busca de redenção e, na maioria das vezes, destruindo o carisma dos mesmos e tornando-os paspalhos sentimentalóides. Esse Maleficent fez exatamente isso com a inimiga da Aurora, mas a coisa só não é mais decepcionante porque cumpriu o que a Disney prometia pra esse filme: superação e redenção da maldade.

    Porém, o filme é sofrível de ruim. O que são aquelas 3 fadas cabeçudas? Tipo, elas já são irritantes no original, imagina aqui, onde só voam com aqueles corpos minúsculos e cabeças desproporcionais, num efeito de computação mega forçado e artificial. Não passam de 3 imbecis sem uma linha de fala sequer que preste, imprestáveis pro roteiro e pro crescimento da princesa fugida do castelo. E os cenários eram até caprichados, mas as cenas aéreas por demais ligeiras prejudicaram a assimilação do conteúdo (eu não registrei tudo, pelo menos).

    Angelina tá deslumbrante tanto como fada tanto como Malévola tradicional. O lance de não acreditar no amor e recuperar a crença nele através de uma descoberta de que amor não é necessariamente coisa de HOMEM + MULHER é uma fórmula que a Disney vem usando desde A Princesa e o Sapo, passando por Enrolados e recentemente em Frozen, quebrando clichês, mas quem conhece Xena – a Princesa Guerreira sabe muito bem o significado de “subtexto”, e Maleficent parece um episódio de 90 min de Xena, onde os olhares, as intenções, o carinho entre Malévola e Aurora eram quase lascivos. Elas realmente formariam um casal, se o filme não fosse da Disney e se o beijo fosse na boca e não na testa.

    E aquela atriz da Aurora é uma sonsa. Proposital foi fazerem ela ser minúscula perto da Angelina, pra que a pose da Maléfica parecesse mais imponente e reduzisse a princesa a um símbolo de coisa boa e libertadora.

    Pouca diversão, pouca inovação. Previsível e estranhamente lucrando rios de grana nas bilheterias. Vai entender.

    • Renan Gomes

      Texto tão bom e valido quanto a critica nos apresentada neste site.

    • beatriz

      Eu amei o filme ? e demais e mostra que os vilões podem ser do bem ?,?

  5. Ricardo

    Achei super valida está crítica. Realmente, Malevola é péssimo e o botox de Angelina não a deixa se transformar em nada a não ser em ela mesma.

  6. Rudá

    Discordo totalmente dessa crítica. Achei um filme excelente, super divertido e empolgante.

    • beatriz

      Concordo

  7. Tiago Ricardo Charão

    Tenho absoluta certeza que a ideia para a realização do filme para a personagem surgiu a partir do sucesso que a mesma fez na série KINGDOM HEARTS. Malévola era a principal vilã, sendo a líder de todos os demais vilões da Disney que estavam reunidos nos episódios de jogos da série.

    • Eu acho que tem a ver com o sucesso inexplicável de Alice e de Oz. Malévola sempre foi a vilã da Disney mais emblemática. Até a madrasta da Branca de Neve não tem a presença da Malévola nos desenhos clássicos da Disney. Além disso A Bela Adormecida possui uma ambientação e visual que funcionaria dentro desse novo estilo do qual Alice também faz parte.

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