Rabid Dogs (1974)

Rabid Dogs (1974)

Rabid Dogs
Original:Cani arrabbiati
Ano:1974•País:Itália
Direção:Mario Bava, Lamberto Bava
Roteiro:Alessandro Parenzo, Cesare Frugoni
Produção:Lamberto Bava, Alfredo Leone, Roberto Loyola
Elenco:Lea Lander, George Eastman, Riccardo Cucciolla, Don Backy, Maurice Poli, Maria Fabbri, Erika Dario, Luigi Antonio Guerra, Francesco Ferrini, Emilio Bonucci

O começo da década de 70 foi uma época conturbada, tanto politicamente quanto culturalmente. Com a decadência do movimento hippie nos EUA, após o massacre da família Manson, iniciou-se uma era de pessimismo que atingiu as principais expressões de arte dos estadunidenses e acabou refletindo no resto do mundo. Claro que a Itália, que ficou marcada por conflitos políticos, como os atentados terroristas das Brigadas Vermelhas, por exemplo, também compartilhava desta perspectiva sinistra. Dentro desta atmosfera começou a pipocar várias produções de temáticas mais realistas e violentas, muitas retratando a violência urbana.

Antenado nesta tendência Mario Bava, que não só era de uma criatividade prolífica mas também inquieta, achava que estava numa fase decadente, que seus gialli e filmes de horror all’italiana não causavam mais impacto, embora seu Lisa and the Devil (1971) mostrasse que estava equivocado. De qualquer forma ele achou que tinha que mudar de ares.

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Em 1974 ele dirige o thriller Canni Arrabbiati, que seria o filme “divisor de águas” de sua filmografia, mas infelizmente por ironia do destino a obra ficaria na geladeira por 27 anos, como veremos mais adiante.
A busca por algo mais realista já se faz notar nos créditos onde todo o elenco acabou sendo creditado com seus respectivos nomes de batismos e não com seus pseudônimos artísticos.

A trama é de uma simplicidade franciscana. Um grupo de assaltantes resolve roubar o pagamento de uma indústria farmacêutica. Durante o assalto o motorista do grupo morre, e acaba escapando três: o chefe do grupo, um homem frio e calculista chamado apenas de Doutor (Maurice Poli, aqui creditado como Renato Cecchetto) e seus dois comparsas alucinados, o psicopata Bisturi (Também chamado de “Blade” na dublagem inglesa e interpretado Don Backy, que na época era vocalista de uma banda chamada Clan, bastante popular na Itália, aqui creditado como Aldo caponi) e o tarado Trinta e Oito (o lendário George Eastman aqui creditado Luigi Montifiore).

Os três vilões remanescentes acabam sequestrando uma mulher chamada Maria (a alemã Lea Lander) e embarcando no carro de Riccardo (Riccardo Cucciolla), que estaria levando o filho para o hospital.
Está pronto o cenário e os personagens. Não precisa de mais nada para Bava nos dar uma aula de tensão.

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Confinando seus personagens no espaço minúsculo do carro a maior parte do filme, Bava cria um clima claustrofóbico e conflituoso, abusando de closes e pontuado pela eficiente trilha de Stelvio Cipriani. Se não bastasse isso ainda temos um final completamente inesperado, daquelas reviravoltas de deixar o espectador de queixo caído, além de ser uma conclusão cruel demais.

O elenco é eficiente, com destaque para Don Backy e George Eastman, que esbanjam insanidade e repulsa aqui. É antológica, e quase insuportável, a cena em que os dois marginais forçam Maria a urinar perto de um milharal.

Uma curiosidade sobre as filmagens é que o orçamento era tão baixo, que Bava dispensou o diretor de fotografia Emilio Varriano depois de apenas dois dias de filmagens, e o próprio Bava assumiu o posto, para ter certeza que o dinheiro daria para finalizar as filmagens.

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Depois de terminada as filmagens é que os problemas realmente começaram, na pós-produção. Com a falência da produtora o filme ficou impedido de ser finalizado e lançado. Mario Bava, que faleceu em 1980 nunca chegou a ver o resultado final do filme.

Apenas nos anos 90, quando a atriz Lea Lander, que também era co-produtora (agora sim usando o pseudônimo de Lea Kruger, para forçar parentesco com seu primo o ator Hardy Krüger), conseguiu comprar os direitos do filme é que ele foi finalizado e lançado em 1997.

Curiosamente além desta edição chamada Canni Arrabbiati / Rabid Dogs, há outra versão, reeditada pelo filho de Mario, o Lamberto Bava, e com algumas cenas enxertadas chamada Kidnapped, mas nada que modifique drasticamente o produto final. As duas versões foram lançadas em DVD no mercado europeu, enquanto aqui no Brasil estão inéditas.

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Embora muitos afirmem que este filme teria influenciado Cães de Aluguel (1992), tudo não passa de um equívoco afinal Cani Arrabbiati só seria lançado cinco anos depois do filme de Tarantino.

Foi realmente uma infelicidade para Mario Bava não ter tido a oportunidade de lançar esse filme em sua época, pois mostra não só a versatilidade do diretor como também é uma de suas grandes obras-primas. Imperdível.

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Paulo Blob

Paulo Blob

Nascido em Cachoeirinha, editou o zine punk: Foco de Revolta e criou o Blog do Blob. É colunista do site O Café e do portal Gore Boulevard!

2 comentários em “Rabid Dogs (1974)

  • 12/07/2014 em 06:23
    Permalink

    Assisti à versão Kidnapped este ano no Cinema São Jorge em Lisboa. Já tinha lido coisa sobre o filme mas tinha dúvidas que fosse realmente tão bom. Mas posso agora confirmar tudo o que o Paulo escreve. Filmaço!

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