Críticas

A Condessa (2009)

Delpy consegue trazer mais uma adaptação da Condessa de forma singela, mas direta, numa espécie de versão Jane Austen dos fatos!

A Condessa (2009)

A Condessa
Original:The Countess
Ano:2009•País:França, Alemanha, EUA
Direção:Julie Delpy
Roteiro:Julie Delpy
Produção:Matthew E. Chausse, Julie Delpy, Andro Steinborn, Christopher Tuffin
Elenco:Julie Delpy, Daniel Brühl, William Hurt, Anamaria Marinca, Sebastian Blomberg, Andy Gatjen, Maria Simon, Frederick Lau, Katrin Pollitt

Já ouviu falar da Condessa húngara Erzebet Bathory (1560-1614), também carinhosamente apelidada de ‘Condessa de Sangue’? Pois bem, nessa produção Julie Delpy tenta nos apresentar um pouco de uma das muitas versões da história de vida da famosa (suposta) serial killer, precursora dos contos de vampirismo.

História é uma narrativa contada pelos vencedores. Quem são os vencedores?

O longa traz a história de Bathory sob uma prerrogativa básica, explanada logo no início do filme: quais versões das histórias contadas seriam as reais? E será que todo o misticismo lançado sobre a vida da condessa é factual?

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A Condessa (Julie Delpy) vem de uma linhagem nobre na Hungria do século XVI, casa-se muito jovem por conveniência com um grande soldado e, desde sempre, aprende a ser uma pessoa fria e muito forte, colocando sua classe e poder em primeiro lugar. Com a morte de seu marido procura, sozinha, comandar toda a fortuna da família (enorme fortuna, diga-se de passagem, até mesmo o rei em vigência possuía dívidas com eles), o que não parece ser um grande desafio para ela, uma vez que sempre o fez de forma muito independente, mas, o problema aparece: um jovem conde, István Thurzó (Daniel Brühl), por quem Erzebet se apaixona de forma, digamos, um tanto quanto doentia.

O filme traz uma crítica interessante ao papel das mulheres na constituição e manutenção social. Em um jantar, sob conversas de negócios e bens pós a morte do marido de Bathory, alguém lança a pergunta que nortearia a justificativa que Delpy procura agregar as motivações dos atos da Condessa: É possível a mente de uma mulher ser mais inteligente que a de um homem? E a resposta, dada logo a seguir: A emoção é o que as mulheres tem de melhor, com isso a inteligência delas é desperdiçada.

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Erzebet é forte e fria, mas, quando se apaixona por István e é abandonada por ele… a coisa fica tensa. A produção tem um claro limiar, de seu início, até o momento em que a Condessa conclui que foi abandonada e alimenta sua obsessão pelo jovem conde. É possível ir de um drama de época, para uma mistura de algo entre drama e gore.

Quando percebe o abandono, Bathory entra no que muitos pesquisadores chamariam, atualmente, de um transtorno bipolar com idos a sociopatia. Cria uma obsessão por sua aparência, como se sua idade fosse o motivo pelo qual foi deixada e, num belo dia, ao uma criada errar ao escovar seus cabelos, pós uma sessão de espancamento onde jorra sangue da jovem virgem em seu rosto, nota que o sangue a rejuvenesceu. E ai inicia-se a perseguição pelas puras da corte.

Seu vício em sangue aumenta a cada dia, e as mortes de garotas vão ficando cada vez mais frequentes. Chega-se ao ponto de criar uma espécie de ‘gaiola de purificação’, sob a justificativa de tirar o sangue de bruxas antes de queimá-las, para que suas almas sejam purificadas, adquire uma bela gaiola com lâminas que penetram por todo o corpo das garotas sequestradas, dando, literalmente, um banho de sangue na querida Condessa.

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Existem diversas controversas sobre a veridicidade nas histórias que circundam Erzebet, e o filme também deixa isso claro. A Corte devia milhões para ela, criar uma história que colocasse sua sanidade em perigo para confisco de seus bens, não seria algo negativo. Mas, como o longa já deixa evidente em seu início, qual seria a versão real: mulher enganada pelo sistema opressor ou uma condessa vampiresca? Difícil saber.

As atuações são excelentes, assim como toda a fotografia. Delpy consegue, com maestria, trazer mais uma adaptação da Condessa de Sangue para os cinemas de forma singela, mas direta, numa espécie de versão Jane Austen dos fatos, sem excluir o quesito sanguinolento da história.

Outras versões já foram levadas para a telona, inclusive a produção Tcheca A Condessa de Sangue (2008), que aprofunda bem a questão de Bathory como uma vampira, tratando, inclusive, a famosa ‘cena’ descrita em diversos locais sobre a Condessa se banhar em uma piscina de sangue (mas, um tanto quanto brega, sejamos sinceros).

Enfim, A Condessa é uma produção que merece seu lugar, justamente por trazer dramaticidade e gore as origens do vampirismo.

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