Críticas

A Condessa Drácula (1971)

Como boa parte dos filmes da Hammer, a narrativa é mais pausada, porém sempre envolta naquela atmosfera gótica que tanto fascina!

A Condessa Drácula (1971)

A Condessa Drácula
Original:Countess Dracula
Ano:1971•País:UK
Direção:Peter Sasdy
Roteiro:Jeremy Paul, Alexander Paal, Peter Sasdy, Gabriel Ronap, Valentine Penrose
Produção:Alexander Paal
Elenco:Ingrid Pitt, Nigel Green, Sandor Elès, Maurice Denham, Patience Collier, Peter Jeffrey, Lesley-Anne Down, Leon Lissek, Jessie Evans

Alguns personagens reais que ficaram marcados para sempre na história da humanidade por causa de suas condutas perversas serviram de base para a adaptação de livros e filmes que exploraram suas imagens de vilões sangrentos. O famoso guerreiro Vlad Tepes, que no século XV na região da Valáquia, tornou-se um nobre extremamente temido nos campos de batalha e que tinha o hábito de empalar seus inimigos derrotados, inspirou o escritor Bram Stoker a criar o vampiro Conde Drácula.

Mas um outro exemplo também significativo, de uma pessoa imensamente cruel que serviu de base para a criação de algumas histórias no cinema, numa espécie de versão feminina de Vlad Tepes, foi a Condessa Erzsebet Bathory (1560/1614), que viveu na Hungria e durante o início do século XVII foi a responsável pela tortura e assassinato doloroso de centenas de mulheres jovens e virgens para utilizar o sangue delas em banhos com o objetivo de rejuvenescimento de sua pele, ou que pelo menos influenciassem no retardamento da ação impiedosa da velhice sobre sua beleza e vitalidade. Entre os filmes que abordaram a terrível Condessa Bathory um destaque é a produção da Hammer A Condessa Drácula (Countess Dracula, 71), com direção de Peter Sasdy e tendo a belíssima Ingrid Pitt na liderança do elenco, ao lado de Nigel Green e Sandor Elès.

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O filme inicia com o funeral do Conde Ferencz Nadasdy, um glorioso soldado que é casado com a Condessa Elisabeth Nodosheen (a estonteante Ingrid Pitt) e que tinha uma filha, Ilona (Lesley Anne-Down), enviada à Viena aos seis anos de idade para fugir da ameaça de invasão dos turcos na Hungria no final do século XVI. Enquanto a cerimônia é realizada, um rapaz chega atrasado em seu cavalo. É o jovem soldado Tenente Imre Toth (Sandor Elès), filho do General Toth, um grande amigo do Conde Nadasdy durante a guerra.

Após o enterro, seus parentes, amigos e principais serviçais se reuniram no castelo para a leitura do testamento. Para o Capitão Dobi (Nigel Green), administrador do castelo durante muitos anos, foram destinadas as armas e uniformes de guerra pertencentes ao falecido. Para o erudito e historiador Mestre Fabio (Maurice Denham), a herança foi a enorme biblioteca do castelo, repleta de livros valiosos. O jovem Imre Toth ganhou de presente os estábulos e todos os cavalos. Já a condessa herdou o castelo e toda a fortuna da família, mas deveria dividir com sua filha Ilona.

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Visivelmente decepcionada e descontente com a notícia, a condessa começou a demonstrar os traços de sua personalidade perversa, intensificados ainda mais quando ela maltratava uma das camareiras, a jovem Teri (Susan Brodrick), que costumava preparar o seu banho com água quente. Foi numa dessas ocasiões que houve um acidente com a empregada e um pouco de seu sangue jovem e virgem respingou no rosto cansado e cheio de rugas da condessa sangrenta, revelando para ela um segredo misterioso para o rejuvenescimento de sua pele.

A partir daí, apaixonada pelo jovem recém chegado Imre Toth, ela recebe a ajuda do amante por muitos anos Capitão Dobi para conseguir donzelas que seriam assassinadas para recolher o sangue. Condessa também tinha o amparo de sua acompanhante Julie Sentash (Patience Collier), que auxiliava no macabro processo encobrindo os assassinatos da polícia local, cujos trabalhos de investigação dos desaparecimentos das jovens mulheres ficou a cargo do Capitão Balogh (Peter Jeffrey).

Enquanto isso, quando Ilona retornava de Viena com destino ao funeral do pai ela fora sequestrada no meio do caminho pelo Capitão Dobi a mando de sua própria mãe, sendo mantida encarcerada num casa na floresta sob a vigilância de um homem rude e mudo, Janco (Peter May). Dessa forma, a perversa Condessa Drácula poderia tomar o seu lugar, e uma vez jovem e bonita novamente graças aos banhos de sangue, ela poderia conquistar o amor do novo visitante, o soldado Imre.

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A Condessa Drácula possui todos aqueles elementos típicos dos filmes da Hammer ambientados na Europa medieval, com castelos imponentes repletos de aposentos enormes e habitados por nobres ricos, uma aldeia com camponeses pobres e supersticiosos, carruagens e florestas com árvores fantasmagóricas. Como boa parte dos filmes da produtora inglesa, a narrativa é mais pausada, porém sempre envolta naquela atmosfera gótica que tanto fascina sua imensa legião de fãs ao redor do mundo.

O filme foi lançado no início dos anos 70, onde a produtora estava tentando levantar o entusiasmo do público por seus filmes, os quais estavam sofrendo uma decadência devido a um inevitável desgaste do gênero. E para tentar atingir esse objetivo, a Hammer estava investindo em mais erotismo em suas histórias, com belas atrizes em discretas cenas de nudez, mas que eram o suficiente para despertar a atenção, e com isso tivemos o privilégio de ver a beleza da atriz Ingrid Pitt em cenas sensuais no papel da condessa sangrenta.

Aliás, este filme de Peter Sasdy, ao lado de Carmilla, a Vampira de Karnstein, produzido um ano antes, e de Luxúria de Vampiros e As Filhas de Drácula (ambos de 71), representam os principais filmes do estúdio inglês explorando a sensualidade de belas atrizes como a dinamarquesa Yutte Stensgaard, uma das mais lindas da história do cinema, e que infelizmente teve uma carreira muito curta, abandonando as telas ainda muito jovem depois de atuar em Luxúria de Vampiros.

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Um grande equívoco da Hammer foi a escolha do nome do filme, vinculando com o vampiro Drácula e mostrando claramente a intenção de marketing em lucrar em cima de um nome comercial bem sucedido. Seria muito melhor se a produtora optasse pelo nome Condessa Bathory, já que a história é inspirada em fatos reais de suas atrocidades.

A Condessa Drácula já havia sido lançado em vídeo VHS no Brasil pela extinta VTI (já fora de catálogo há muito tempo), e depois foi lançado no formato DVD também através do selo Dark Side da Works Editora, sendo distribuído nas bancas de jornais encartado na revista Dark Side DVD número 9 (junho de 2005). Como material extra, temos apenas um trailer legendado em português de aproximadamente três minutos de duração, e a revista traz várias matérias interessantes abordando desde o próprio filme em questão, como também Monster – Desejo Assassino (2003), com Charlize Theron e Christina Ricci, uma filmografia sobre a Condessa Bathory no cinema, e uma análise do perfil da atriz polonesa Ingrid Pitt, protagonista de filmes como Carmilla, a Vampira de Karnstein, A Casa Que Pingava Sangue (antologia da Amicus filmada em 70) e O Homem de Palha (73), e do diretor húngaro Peter Sasdy, responsável por outras obras-primas do estúdio inglês Hammer como O Sangue de Drácula (70), com Christopher Lee.

Curiosamente, em 2004 foi produzido um filme independente nacional gravado em VHS inspirado na famosa condessa húngara. Intitulado Countess Erzebeth Bathory, escrito e dirigido pelo pesquisador e escritor Marcos T. R. Almeida, de Mauá (SP), o filme procura retratar com fidelidade e conhecimento como deveria ser o reinado de sangue da Condessa Bathory, mostrando as horríveis sessões de tortura e os violentos assassinatos de belas camponesas para a retirada do sangue a ser utilizado em macabros banhos com o propósito de rejuvenescimento. Vale destacar a atuação corajosa da atriz Denise Vargas, musa do cinema underground, como a malévola Condessa Bathory, em cenas memoráveis nos banhos de sangue e nos momentos sensuais com outras mulheres.

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O fanzineiro Marcos T. R. Almeida também é o autor de um brilhante artigo de pesquisa histórica sobre a perversa condessa chamado Orgia de Sangue na Corte de Elisabeth Bathory, publicado originalmente em janeiro de 2000 no fanzine Juvenatrix, e depois no site Boca do Inferno.

Outra curiosidade é relacionada à música, pois existiu uma banda sueca de Death Metal chamada Bathory, que foi criada no início dos anos 80 por Tomas Quorthon Forsberg (que infelizmente morreu em 07/06/2004). Apesar do fim da banda, ela será para sempre lembrada como uma das mais importantes dentro da história do Metal mundial, sendo parte integrante do movimento desde os primórdios do estilo. Alguns de seus discos como Bathory, The Return…, Under the Sign of the Black Mark e Blood Fire Death são verdadeiros marcos do gênero. Uma outra banda importante desse estilo musical, a inglesa Venom, gravou em 1984 uma excelente faixa intitulada Countess Bathory, a qual foi regravada em 1992 como cover pelos alemães da não menos excepcional banda Unleashed.

A filmografia inspirada na Condessa Bathory é bem pequena quando comparamos por exemplo com o vampiro Drácula, inspirador de uma infinidade de filmes, e além de Condessa Drácula, podemos citar alguns outros também do início da década de 70 como Lábios de Sangue (71), o espanhol A Força do Diabo (72), de Jorge Grau, e Contos Imorais (74), de Walerian Borowczyk.

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2 Comentários

  1. MORCEGO

    Um filme maravilhoso.
    O segundo melhor filme baseado na vida da Condessa Elizabeth Bathory – o primeiro é uma produção européia de 2008, estrelada pela atriz Anna Friel.
    Um ótimo filme. Um dos melhores da Hammer.

  2. MORCEGO

    Um filme brilhante!!!!!
    A segunda melhor versão cinematográfica da lenda de Elizabeth Bathory!!!!
    A primeira é o filme de 2008!!!!
    Mesmo assim A CONDESSA DRÁCULA é um filme brilhante!!!!!

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