Críticas

Anjos da Noite: Underworld (2003)

A violência das lutas faz parte de uma história interessante sobre uma guerra histórica entre vampiros e lobisomens!

Anjos da Noite (2003)

Anjos da Noite: Underworld
Original:Underworld
Ano:2003•País:UK, Alemanha, Hungria, EUA
Direção:Len Wiseman
Roteiro:Len Wiseman, Kevin Grevioux, Danny McBride
Produção:Gary Lucchesi, Tom Rosenberg, Richard S. Wright
Elenco:Kate Beckinsale, Scott Speedman, Shane Brolly, Michael Sheen, Bill Nighy, Erwin Leder, Sophia Myles, Robbie Gee, Wentworth Miller, Kevin Grevioux, Zita Görög, Dennis J. Kozeluh, Scott McElroy, Todd Schneider

Uma batalha imortal por supremacia

Vampiros e Lobisomens são algumas das mais fascinantes criaturas do Horror, e o cinema sempre procurou explorar da melhor forma possível o fascínio que esses monstros mitológicos despertam no público, através de uma infindável listagem de filmes de todos os níveis de qualidade imagináveis. Sobre isso, podemos dizer que é muito bem vinda a ideia de unir numa única produção esses dois tipos de seres misteriosos, e nesse caso envolvidos numa violenta batalha milenar travada num submundo sombrio, à margem da humanidade, cuja função parece ser mesmo apenas servir de alimento. Essa sangrenta e histórica guerra pode ser conferida em Anjos da Noite – Underworld (Underworld), do diretor até então estreante Len Wiseman e que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 16/04/04.

O filme estreou nos Estados Unidos em 19/09/03, quase sete meses antes, e no Brasil recebeu um título meio equivocado, pois seria bem mais interessante manter apenas o nome original Underworld (que traduzindo seria algo como submundo) também para o lançamento por aqui. Com distribuição nacional da Europa Filmes, uma outra sugestão opcional de título poderia ser então Demônios da Noite, pois as criaturas do filme estão longe de anjos e muito mais próximos de criaturas sombrias e seres do inferno.

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Durante centenas de anos, duas raças sobrenaturais e mortalmente inimigas estão travando secretamente uma guerra sangrenta numa metrópole gótica, um submundo escondido da humanidade. Esses seres são os aristocráticos vampiros, que vivem numa sociedade sofisticada, tendo como seu líder atual o arrogante Kraven (o irlandês Shane Brolly, de Impostor), substituindo temporariamente o adormecido chefe supremo Viktor (Bill Nighy), e como principal guerreira, Selene (Kate Beckinsale), e os lycans (ou lobisomens), criaturas ferozes que vivem em menor número nos subterrâneos, liderados por Lucian (Michael Sheen, de Linha do Tempo) e tendo como um de seus membros mais brutais e agressivos o gigante Raze (Kevin Grevioux).

Numa ronda noturna, a vampira Selene descobre a existência de uma grande quantidade de lycans vivendo nos subterrâneos da cidade, sendo que se acreditava que eles estivessem quase exterminados. Porém, ao contrário, os lobisomens estão ainda mais fortes e se organizando para um ataque planejado, podendo se transformar independente da aparição da lua cheia, além de utilizarem armas modernas como projéteis formados de raios ultravioletas, mortais aos vampiros. E estes por sua vez, são seres que não temem crucifixos e símbolos religiosos, não tem aversão ao alho e possuem reflexos nos espelhos, ao contrário do que normalmente sabemos sobre essas criaturas, e entre suas armas poderosas estão projéteis carregados com nitrato de prata, fatais contra os lobisomens.

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Quando numa noite ocorre um violento confronto entre as duas raças numa estação de metrô, a vampira Selene descobre que seus inimigos estavam na verdade perseguindo um humano, mas aparentemente não como alimento e sim com um propósito misterioso. Decidida a investigar a verdade, ela descobre que o homem é um jovem médico chamado Michael Corvin (Scott Speedman), que foi mordido pelo líder Lucian e que por isso está condenado a se tornar um lobisomem na próxima lua cheia. Selene acaba protegendo e se apaixonando pelo humano, criando com esse amor proibido um enorme conflito interior pois ele se transformará num ser que é historicamente seu inimigo mortal. Enquanto isso, ela descobre também a existência de uma perigosa conspiração envolvendo os líderes da batalha entre vampiros e lobisomens, o mistério do sangue de Michael, cobiçado pelos lycans para uma experiência científica de criação de uma nova raça predadora e superior, e principalmente algumas revelações trágicas sobre seu passado, ainda como uma humana, além da origem da guerra e as razões que iniciaram o conflito que perdura por séculos.

Underworld possui fortes elementos e relações com outros filmes similares como principalmente as franquias Blade (na violência e profusão de sangue) e Matrix (no visual da cidade, vestuário e cenas coreografadas de lutas, com direito até ao já famoso e mais do que manjado efeito bullet time). Antes de assistir o filme, eu não estava muito entusiasmado pois apesar de gostar de vampiros e lobisomens e achar interessante um crossover entre eles, eu estava esperando ver apenas muita porrada e excesso de violência em detrimento de uma história bem contada, tendo como base os filmes da série Blade que particularmente não me agradaram tanto, justamente pelo excesso de sangue e um personagem herói cheio de habilidades, e também pela trilogia Matrix, com seu excesso de lutas e efeitos pirotécnicos, misturados numa história filosófica cansativa. Além da própria história de amor proibido, que poderia ser tornar um drama sem graça e previsível.

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Porém, após assistir Underworld, fiquei surpreso e satisfeito com o resultado final, pois a violência das lutas faz parte de uma história interessante sobre uma guerra histórica entre vampiros e lobisomens, que inclusive desconsidera os elementos tradicionais presentes nas lendas que conhecemos sobre esses seres obscuros, fato em que não vejo problema algum, num exercício de liberdade de criação de seus poderes, principalmente pela substituição do misticismo pela ciência, uma vez que esses seres no filme foram criados por um vírus.

A história de amor entre Selena e Michael também foi bem discreta e não pareceu óbvia e banal como eu confesso que receava que acontecesse, com aqueles beijos cinematográficos e diálogos descartáveis que felizmente não ocorreram. As cenas de lutas lembraram demais Matrix, mas ainda assim não incomodaram tanto. A transformação dos lobisomens ficou um pouco abaixo do esperado, principalmente quando se sabe o quanto é possível fazer coisas incríveis com os efeitos especiais atuais, e quando se tem em mente situações similares em filmes nostálgicos mais antigos como Grito de Horror (The Howling), de Joe Dante, e Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London), de John Landis, ambos do início dos anos 80, e que mesmo sem os recursos de computação gráfica disponíveis hoje em dia, ainda são extremamente marcantes.

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Algumas cenas de mortes são muito bem feitas, onde destaca-se uma sequência envolvendo o corte cirúrgico de uma cabeça, bem no estilo já lançado pelo excepcional Cubo e utilizado como algo rotineiro depois em vários outros filmes como Resident Evil – O Hóspede Maldito, Premonição 2, Treze Fantasmas e Navio Fantasma, entre outros. Os cenários em estilo gótico, de um ambiente constantemente escuro, também foram bem produzidos realçando a característica de uma atmosfera visual de um submundo sombrio.

A história de Underworld, cujos comentários dizem ser baseada em jogos de R.P.G. – Role Playing Game (aliás, não creditados), deixou de forma proposital um enorme gancho para sequências, e confirmando a tendência da realização de trilogias após o sucesso comercial do filme original (orçamento de U$ 24 milhões com uma renda bem superior a esse valor investido), os produtores estabeleceram uma franquia com a mitologia desenvolvida no filme original.

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Curiosidades do Submundo

– Os produtores de Underworld foram processados pela Editora White Wolf Publishing Inc. e pela escritora Nancy A. Collins, que alegam que o filme tem grande quantidade de elementos baseados nos jogos interativos de R. P. G. Vampiro: A Máscara e Lobisomem: Apocalypse, assim como a história de amor de Selene e Michael, envolvendo criaturas de raças distintas e inimigas, teria sido inspirada no livro de Collins, Amor de Monstros.

– Numa jogada interessante de marketing promocional para o filme, foi lançado um jornal fictício chamado The Underworld Chronicle e distribuído nos cinemas americanos trazendo informações como sendo reais de uma violenta guerra entre vampiros e lobisomens, publicando detalhes sobre um enorme tiroteio numa estação de metrô e uma possível relação com a descoberta de uma mansão misteriosa que escondia estranhas armas com projéteis formados com nitrato de prata.

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– No Brasil, o filme iria se chamar primeiramente Underworld – A Noite dos Vampiros, nome que foi alterado depois para o definitivo Anjos da Noite – Underworld, provavelmente porque a noite também é dos lobisomens.

– A campanha publicitária em nosso país incluiu a exposição de belos outdoors espalhados pela cidade de São Paulo, destacando o rosto da atriz Kate Beckinsale como a vampira Selene.

– O grandalhão ator negro Kevin Grevioux, que fez o papel do violento lobisomem Raze, também foi o co-autor da história de Underworld, que serviu de base para o roteiro final de Danny McBride. Como fã de ficção científica e formado em Engenharia Genética, Grevioux também escreve roteiros e livros. Curiosamente, ele tem uma voz natural carregada com tons extremamente guturais que mais parecem um demônio rosnando blasfêmias quando ele fala suas frases no filme, lembrando também a voz igualmente gutural do falecido Michael Clarke Duncan (de À Espera de Um Milagre, Planeta dos Macacos (2001) e Demolidor – O Homem Sem Medo).

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– A bela atriz inglesa Kate Beckinsale (de Pearl Harbor), que nunca tinha feito um filme de horror antes, recusou o convite para atuar antes mesmo de ler o roteiro de Underworld, que envolve o confronto entre vampiros e lobisomens, e somente aceitou o papel de Selene depois de ser convencida por seu empresário a conhecer a história e ver várias ilustrações interessantes sobre as criaturas, desenhadas pelo diretor Len Wiseman. Na época, ela também estava envolvida na produção de um outro filme de horror, Van Helsing – O Caçador de Monstros, da Universal, atuando ao lado de Hugh Jackman, e sob a direção e roteiro de Stephen Sommers (de A Múmia).

Scott Speedman, o ator que interpretou o humano Michael Corvin, que se transforma num lobisomem, teve que se submeter a um árduo trabalho de maquiagem que envolvia várias pessoas da equipe de produção e muitas horas na aplicação de próteses. O mesmo aconteceu com o veterano ator inglês Bill Nighy, que fez o papel do vampiro supremo Viktor, que estava adormecido num processo de mumificação, e que foi despertado por Selene.

– Tanto as filmagens externas quanto os interiores utilizaram locações na cidade de Budapeste, capital da Hungria, no leste europeu, onde os produtores encontraram as características de arquitetura ideais para o que foi imaginado em Underworld, sem contar a existência de um clima naturalmente sombrio na Hungria, envolvendo histórias ancestrais de vampiros e lobisomens.

– Os efeitos especiais, principalmente a concepção dos lobisomens, foram criados e supervisionados pelo francês Patrick Tatopoulos, conhecido profissional da área, tendo trabalhos importantes na criação de monstros para séries de TV como Jornada nas Estrelas: A Nova Geração e filmes populares de horror e ficção científica a partir dos anos 90 como Drácula de Bram Stoker, Stargate, Independence Day, Godzilla, Supernova, A Reconquista, Eclipse Mortal, e muitos outros. Mais tarde ele assumiria a direção de Anjos da Noite 3: A Rebelião, em 2009.

– A Lakeshore Entertainment é um exemplo de um estúdio bem sucedido na produção de cinema independente. Criada em 1994 e localizada no terreno da famosa Paramount, em Hollywood, sua realização mais recente no gênero fantástico foi Frankenstein: Entre Anjos e Demônios (2014).

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2 Comentários

  1. Filme excelente. Historia baseada no universo de RPG, focando a rivalidade entres clãs de Vampiros e Lycans. Os efeitos especiais são muito bons, mesclando entre a nova e a velha escola.

  2. Matheus Motta

    Um ótimo filme…Tenho ele em dvd e já assisti milhões de vezes …Eu daria uma nota maior ,a história é interessante demais , os efeitos especiais são muito bons ainda mais pra quem curte efeitos praticos (sem muito CGI ) e pra fechar com chave de ouro a protagonista é extremamente carismatica ,não é coincidência q o unico filme em que ela não protagoniza é o pior da franquia ( anjos da noite 3- a rebelião)…

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