Críticas

Drácula 2000 (2000)

A descontextualização absurda de um personagem inspirador num filme que leva a marca de seu produtor irregular Wes Craven.

Drácula 2000 (2000)

Drácula 2000
Original:Dracula 2000
Ano:2000•País:EUA
Direção:Patrick Lussier
Roteiro:Patrick Lussier, Joel Soisson
Produção:W.K. Border, Joel Soisson
Elenco:Gerard Butler, Justine Waddell, Jonny Lee Miller, Christopher Plummer, Colleen Fitzpatrick, Omar Epps, Sean Patrick Thomas, Danny Masterson, Lochlyn Munro, Tig Fong, Jeri Ryan, Shane West

Os “delírios de um escritor irlandês“, inspirado nas lendas europeias sobre vampirismo e imortalidade, ironicamente deram à luz a mais importante criatura da noite. Drácula, na concepção original de Bram Stoker, era um vampiro sedutor e cruel, uma figura fascinante e extremamente assustadora, suficientemente rica para ser a antagonista de inúmeras produções do século XX, sob a carcaça de lendas como Bela Lugosi e Christopher Lee. Após inúmeras roupagens, em 2000, Drácula chegaria ao mundo das novas tecnologias, da computação gráfica, dos celulares e do horror adolescente com assassinos mascarados numa produção de Wes Craven, dirigida pelo estreante Patrick Lussier, até então editor da trilogia Pânico e da comédia Um Vampiro no Brooklyn, de 1995, com Eddie Murphy.

Se em 1972, mesmo com Christopher Lee e Peter Cushing, Drácula já evidenciava uma descontextualização por estar distante de seu habitat natural em Drácula no Mundo da Minissaia, de Alan Gibson, o que se pode esperar de sua passagem experimental pelo universo dos videoclipes, das extravagâncias e das navegações virtuais? A sensação de estranhamento se intensifica quando a obra de Stoker é considerada ficção e o personagem adquire uma nova origem, absurda e incoerente, relacionada ao traidor bíblico Judas Iscariotes. Ironicamente, os demais artifícios da literatura original estão ali, escondidos pela luz solar e o crucifixo.

Drácula 2000 (2000) (1)

Matthew Van Helsing (Christopher Plummer) possui uma empresa de conservação de antiguidades em Londres. Na verdade, trata-se de um fachada para esconder seu inimigo mortal, Drácula (Gerard Butler, irreconhecível), num cofre seguro, já que o demônio não pode ser morto. Certa noite, Solina (Jennifer Esposito) permite a entrada de um grupo de ladrões, liderado por Marcus (Omar Epps), em busca de preciosidades. Sem encontrar objeto de valor, os malfeitores levam o caixão de Drácula, sem que o roteiro consiga explicar como fizeram isso ou como a fuga pela explosão de uma simples parede seja fácil em relação à entrada, repleta de restrições. Assim que nota o roubo, Van Helsing já sai no encalço dos bandidos, mesmo que inicialmente não haja pistas do paradeiro do grupo até a queda de um avião. Ele é seguido por seu assistente, o jovem Simon (Jonny Lee Miller, de Sombras da Noite, 2012), para New Orleans, onde sua filha Mary (Justine Waddell) trabalha com a amiga – pasmem! – Lucy Westerman (Colleen Fitzpatrick).

Como na tradição do personagem, Lucy, Solina e a repórter Valerie (a beldade Jeri Ryan) se transformam nas noivas de Drácula para dificultar as ações de Simon e de Van Helsing em sua captura e destruição. Mary também é seduzida pelos encantos do vampiro, e o confronto final ocorre no alto de um prédio, em plena noite de carnaval. O roteiro de Lussier e Joel Soisson também não explica porque Drácula quis levar sua amada para um local onde há uma enorme cruz em evidência, nem por que, em plena confusão nas ruas, Simon conseguiu encontrar facilmente o inimigo depois da luta no cemitério.

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São tantas as falhas e erros de condução que chega a ser estranho que, na primeira vez que escrevi sobre o filme, eu tenha feito tantos elogios à produção. Minha crítica, muito mal escrita e sem conteúdo, na época foi até publicada numa revista de cinema, como base para os leitores irem ao cinema conferir o resultado. Ao revê-lo hoje percebo o quanto me equivoquei em demasia ao considerar válida a nova origem do vampiro e até nos elogios que fiz ao elenco, sendo que até mesmo o veterano Christopher Plummer não demonstra o menor interesse em seu personagem. Há evidentes relações com o cinema clichê de Wes Craven, seja nas cenas de pesadelo da personagem Mary (ao estilo A Hora do Pesadelo) ou no telefonema de Lucy (Pânico), pouco antes de encontrar Van Helsing.

Se existe algo positivo na produção está na trilha sonora pesada, com sons de bandas de metal como Pantera e Slayer. Não há cenas de violência gráfica, nem sangue em demasia, provavelmente para facilitar a distribuição nos cinemas – o que vem a ser irônico, tendo em vista a necessidade do líquido vital para a criatura da noite. No final, não resta muito para o personagem, nem para o público considerar o filme inesquecível ou passível de ser recomendado.

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Drácula 2000 foi pessimamente recebido pelo público, não conseguindo nem sequer se pagar – custou $54 milhões e arrecadou pelo mundo inteiro apenas 47. Apesar disso, o longa deu origem a mais dois filmes igualmente ruins, Drácula 2: A Ascensão (2003) e Drácula 3: O Legado Final (2005), com o vilão sendo interpretado por Stephen Billington, sendo caçado por Jason Scott Lee. Para Wes Craven, pelo menos, fica a sensação de não ser o único a destruir o personagem de Bram Stoker, pois depois viria o intragável Drácula 3D (2012), de Dario Argento, para que o vampiro prefira a solidão de seu túmulo a ter que enfrentar outras concepções como esta.

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7 Comentários

  1. Mk

    Acho esse filme péssimo, história cretina e atores horríveis.Quem diria que o Gerard Butler faria bons filmes depois dessa bomba!

  2. É triste acreditar que de onde saiu “A Hora do Pesadelo”, “Panico”, “A Malçdição de Samhanta”, “A Maldição dos Mortos Vivos”…entre tantos outros, saiu essa bomba aí.
    Só não é o pior filme sobre vampiros, porque ninguém ganha da saga crepúsculo.

    • Crepúsculo e Mega merda. Nu, que bosta!!

  3. Carlos Dente

    O filme tem como méritos Fotografia e ambientação (lembram um pouco Blade), mas o forte mesmo é a trilha sonora: demorei para conseguir o CD!

    • Celo

      Consegui rápido.

  4. Cristina

    Ah vai.. o filme até diverte, e Gerald estava gostosão.

  5. Yves

    Drácula 2000 é bem divertido. Isso sim!!! 😉

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