Sangue Eterno (2002)

Sangue Eterno (2002)

Sangue Eterno
Original:Sangre eterna
Ano:2002•País:Chile
Direção:Jorge Olguín
Roteiro:Carolina García, Jorge Olguín
Produção:Daniel Pantoja
Elenco:Juan Pablo Ogalde, Blanca Lewin, Patricia López, Carlos Borquez, Claudio Espinoza, Yerko Farías, Ximena Huilipan, Pascale Litvak, Jorge Denegri, Javiera Contador

O que estão fazendo de filme de vampiro ruim ultimamente, não está no mapa! A mais nova bomba da coleção (pelo menos até eu ver Drácula 2: Ascensão) é Sangue Eterno, um esquisito filme com pinta de cinemão americano, mas que na verdade é produção chilena (!!!), pessimamente dublada em inglês e lançada em 2002, mas somente dois anos depois no Brasil.

O filme é pretensioso até a medula, primeiro ao tentar copiar a fórmula americana de fazer cinema, e depois por pegar um enredo banal, que poderia ser resumido a meia dúzia de linhas, e dar um tratamento de “filme de arte” a ele, enrolando, ensebando, aumentando tudo e mais um pouco. O resultado é fraco e cansativo, ao ponto do espectador ficar todo tempo olhando para o contador de tempo do videocassete ou DVD para ver quanto falta para o filme acabar.

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Pior é que o filme até começa bem, com closes em vários aparelhos de TV, onde uma jornalista explica um fenômeno raro de eclipse lunar que acontecerá naquela semana (pode esquecer este detalhe, que não tem absolutamente NADA a ver com a trama). Em seguida, somos apresentados a Carmilla (Blanca Lewin), uma adolescente rebelde e gótica, estudante de jornalismo.

Carmilla sente-se atraída por M (Juan Pablo Ogalde), líder de uma turminha de góticos que andam todos vestidinhos de preto dos pés à cabeça, e estudam na mesma faculdade. M e mais Elizabeth (Patricia López) e Martín (Claudio Espinoza) são fanáticos por vampirismo e jogam um RPG de vampiros chamado Sangre Eterna (o nome original do filme), semelhante ao popular “Vampiro, A Máscara“.

Quando, durante uma partida (e quem não entende nada de RPG vai ficar boiando), os personagens do trio colocam-se em uma situação difícil de sair, onde provavelmente os personagens serão mortos, os três zé-manés, ao invés de começarem um novo jogo, saem desesperados atrás de um quarto jogador para integrar o grupo. É claro que vai ser Carmilla, outra adoradora de vampiros.

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Certo dia, os quatro saem felizes de uma partida de RPG e vão a uma festinha gótica na casa de uma figura esquisita, Dahmer (Carlos Borquez). Com seu jeito misterioso e a farta distribuição de drogas gratuitamente, Dahmer conquista Elizabeth e o restante da turma. Somente M desconfia que há algo de esquisito com o rapaz, e logo descobre que ele é um vampiro de verdade, e está transformando seus amigos em criaturas das trevas.

Parece até interessante, mas o diretor Jorge Olguín (também roteirista) faz um filme simplesmente insuportável. Ele enrola a história até não poder mais (vai uma hora até começar a acontecer algo de interessante com os personagens principais), e ainda conclui a trama da maneira mais óbvia e brochante possível, com o tradicional confronto entre o “herói” e o vilão – se era para terminar assim, não precisava fazer o novelão de 1h42min que fez!!!! Da forma pretensiosa com que a história se desenrolava, era de se esperar pelo menos uma conclusão mais marcante, ou pelo menos diferente.

O começo até é divertido ao brincar com a relação RPG/realidade, ao vermos M, Martín e Elizabeth, transformados em vampiros, sendo perseguidos por diversos padres e freiras armados com pistolas e escopetas. Trata-se da representação de uma partida de RPG que os jovens estão jogando, mas o espectador ainda não sabe disso – e acredita que aquilo está acontecendo mesmo. Com sangrentos tiroteios, decapitações e fugas em câmera lenta, esta parte é a melhor do filme, lembrando produções como Um Drink no Inferno. Infelizmente, o diretor perdeu o tom logo depois, realizando um dos mais chatos filmes de horror do estilo.

O pior mesmo é que Olguín revela-se um diretor de mão cheia. Os créditos iniciais mostram uma colagem de imagens sacras, e há alguns bons movimentos de câmera e ângulos divertidos em meio à bobagem que vira da metade para o final. Uma inovação é começar o filme como se Carmilla fosse a heroína, para dar uma guinada perto do final e enfocar M como personagem principal – algo semelhante ao que fez Hitchcock em Psicose (1960), matando sua personagem principal, Marion Crane, na metade do filme.

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O roteiro do próprio diretor também inclui uma tonelada de referências, a filmes de vampiros (nos cartazes de Drácula e outras obras, pendurados nas casas de M e Carmilla) e nos nomes dos personagens M (citando o filme M, O Vampiro de Dusseldorf, clássico de Fritz Lang), Dahmer (citando o famigerado serial killer da vida real, conhecido por devorar partes das suas vítimas) e “Professor Romero” (provavelmente homenagem ao diretor George A. Romero).Tem até uma homenagem ao italiano Dario Argento, com um cartaz do filme Terror na Ópera na casa de um dos personagens.

Sangue Eterno poderia muito bem ser um curta-metragem de 30 minutos, já que mais da metade da bomba é preenchida com cenas que pouco ou nada tem a ver com a trama (tipo a relação difícil dos jovens com seus pais e as próprias partidas de RPG, que em certo ponto acabam esquecidas pelo roteiro). Aliás, Olguín demonstra total desconhecimento em relação aos RPGs, ao fazer com que o mestre-de-jogo participe da partida também como jogador (o que seria impossível, considerando que é o mestre quem cria a história, as armadilhas e inimigos, e se também jogasse, já saberia antes tudo que iria acontecer), e ao fazer com que os jogadores, simulando os testes de habilidades de seus personagens, atirem uma dezena de dados coloridos na mesa (quando numa partida real um ou no máximo dois dados são usados).

Para terminar, enche o saco o fato de todos os personagens do filme (com exceção de um professor e os pais dos jovens) serem góticos. É tanta roupinha preta, piercings, tatuagens, cabelos esquisitos e jeitinho de rebelde que chega a dar nojo, e uma vontade irresistível de sair correndo para a rua e enxergar uma patricinha vestida de rosa-choque, para dar contraste. Considerando que a maior parte do filme acontece à noite e em ambientes escuríssimos, o preto predomina e chega a cansar os olhos. Dá até vontade de ver Legalmente Loira na sequência!

Só confira essa porcaria se for mesmo muito fã de vampiros. Mas prepare-se para o pior, porque caninos salientes e pescoços mordidos são as coisas que menos aparecem nesta produção equivocada e completamente enfadonha e desinteressante.

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

Um comentário em “Sangue Eterno (2002)

  • 30/03/2015 em 11:43
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    ninguem comentou,discordou sobre a critica? tem que jogar um rosa Pink pra iluminar esse vampirinhos “punks”!!

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