Críticas

Um Drink no Inferno (1996)

É uma daquelas obras realmente geniais que surgem de tempos em tempos, e você pode ver centenas de vezes sem nunca enjoar ou ficar chateado!

Um Drink no Inferno (1996)

Um Drink no Inferno
Original:From Dusk Till Dawn
Ano:1996•País:EUA
Direção:Robert Rodriguez
Roteiro:Robert Kurtzman, Quentin Tarantino
Produção:Gianni Nunnari, Meir Teper
Elenco:Harvey Keitel, George Clooney, Juliette Lewis, Quentin Tarantino, Salma Hayek, Cheech Marin, Danny Trejo, Tom Savini, Fred Williamson, Michael Parks, John Saxon, Marc Lawrence, Kelly Preston

Puteiros, zonas, night-clubs, inferninhos, cabarés… São vários nomes e apelidos para aquelas suspeitas “boates” onde moças deliciosas ficam dançando de topless enquanto outras vêm se esfregar nos clientes, oferecendo seus corpos e uma noite de luxúria em troca da devida soma em dinheiro…

Talvez estas casas noturnas sejam a melhor definição, como o próprio nome “casa noturna” já diz, de uma atividade realizada somente à noite, nas trevas, e que não tem seu lugar à luz do dia. São casas que funcionam estritamente do crepúsculo (anoitecer) até o nascer do sol. Ou, em bom inglês, From Dusk Till Dawn.

Quer lugar melhor que esse para esconder uma horda de vampiros sanguinários?????

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Pois é… Um diretor americano chamado Richard Wenk pensou nisso e, em 1986, realizou um divertido filme de horror misturado com comédia chamado Vamp (sendo que o título foi até chupado naquela famosa novela da Globo sobre Vampiros). O filme, na verdade um “terror teen” entre muitos daquele período, mostrava os apuros de três jovens universitários que vão para um puteiro em busca de diversão e descobrem que todas as prostitutas do local são vampiras sedentas de sangue.

O diretor picareta Fred Olen Ray (o mesmo de obras-primas como Hollywood Chainsaw Hookers) também percebeu o potencial da combinação de luxúria e vampiros, lançando em 1988 uma podreira chamada A Vampira de Beverly Hills – onde, novamente, um grupo de jovens paspalhões vai para a zona, enfrentando a fúria das prostitutas-vampiras.

Os dois filmes até têm seus bons momentos, mas a mistura entre “strippers vampiras gostosas“, um cabaré demoníaco e muito sangue, risos e diversão trash só atingiu o ápice com um filme chamado, justamente, From Dusk Till Dawn (“Do Crepúsculo ao Amanhecer”), lançado no Brasil com o esquisito, mas até apropriado, título de Um Drink no Inferno.

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Concebido por uma das dobradinhas mais criativas surgidas no cinema independente americano até então – o diretor Robert Rodriguez, de El Mariachi, e o também diretor, aqui roteirista e ator, Quentin Tarantino, de Pulp Fiction -, Um Drink no Inferno foi realizado em 1996 e se tornou um enorme sucesso de bilheteria, talvez mais até do que esperavam seus realizadores.

O grande segredo de Rodriguez/Tarantino é que a ideia de fazer um filme de terror podreira é elevada à enésima potência. Não basta apenas colocar vampiras gostosas arrancando braços e cabeças, é preciso fazer de conta que aquilo é um filme sério (e o roteiro realmente consegue enganar o espectador durante a primeira uma hora de projeção), e então de repente avacalhar com tudo.

Por isso, quando a história correta e realista de dois irmãos criminosos fugitivos, Seth e Richard Gecko, ultrapassa a fronteira do México, Um Drink no Inferno deixa de lado a trama policial que desenvolveu nos primeiros 60 minutos e cai de boca no trash, mostrando a dupla e seus reféns chegando a um puteiro, o Titty Twister (isso mesmo, o bar se chama “Torcedor de Tetas“), onde todas as vagabundas são vampiras sanguinárias, de olho não no dinheiro dos seus clientes, mas sim no seu sangue.

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Assim que uma delas, já exibindo seus caninos salientes, anuncia “O jantar está servido“, o espectador é mergulhado numa orgia de sangue, tiros, estacas no coração, abobrinhas, mortes exageradas, gosma verde, sensualidade, bobagens diversas, atores legais e músicas do caralho. Ou seja, o ápice daquilo que pode ser considerado um “filme cool“, ou um filme muito legal, que na história do cinema provavelmente não vai fazer qualquer diferença, mas que diverte tanto que acaba se tornando um “clássico” pessoal de muitos espectadores – inclusive eu.

Para dar um toque ainda mais trash a Um Drink no Inferno, e jogar na cara do espectador que tudo aquilo é uma grande brincadeira, Tarantino e Rodriguez ainda encheram o filme com atores “sérios“, tipo Harvey Keitel e John Saxon, que acabam mergulhados até o pescoço na podreira e no sangue de groselha. E o melhor: sem perder o bom humor. De repente, todo mundo está matando vampiros, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo… E o próprio espectador aprende a aceitar a existência (e a matança) dos vampiros!

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Tudo que Rodriguez/Tarantino queriam era fazer uma homenagem aos filmes podreira sobre vampiros e zumbis que cresceram assistindo, adotando um ritmo frenético, muita sangreira e pouca seriedade. Tanto que nas entrevistas de divulgação de Um Drink no Inferno, Tarantino costumava resumir a produção inteira a meia dúzia de palavras: “Este filme é sobre uns vampiros bem filhos da puta que merecem morrer!!!“.

Na verdade, o que a dupla parece querer dizer o tempo todo, nas entrelinhas, ao mostrar um cabaré de putas-vampiras, é que todos nós, seres noturnos, que nos divertimos mais à noite do que durante o dia, que saímos para as baladas na madrugada e voltamos apenas de manhã cedo para casa e para a cama (ou para o caixão), somos, de certa forma, “vampiros“.

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Como normalmente acontece nesses casos em que um filme de pouca divulgação vira sucesso, os produtores trataram de lançar sequências diretamente para vídeo, visando arrecadar mais uns cobres. Quentin Tarantino e Robert Rodriguez não se envolveram, mas deram os argumentos para os roteiros das continuações. O resultado poderia ser mais interessante, considerando os talentos envolvidos, mas é preciso lembrar que os diretores e roteiristas que assumiram as partes 2 e 3 NÃO são Quentin Tarantino e Robert Rodriguez – e mesmo que fossem, talvez nem assim o resultado fosse tão coeso, divertido e acachapante quanto o primeiro Um Drink no Inferno.

Analisando os três filmes como uma única produção (é para isso que servem as trilogias, certo?), percebemos que há alguns detalhes em comum nesta bagunça toda, especialmente o fator amoral de que nas três aventuras, bandidos e assassinos são alçados a “heróis” da história quando os vampiros entram em ação e assumem o papel de “vilões“.

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Nos três filmes, também, o bar Titty Twister é mostrado como um catalisador dos conflitos e emoções dos personagens: é ali que o destino das pessoas é decidido, onde confrontos são resolvidos e onde vidas são destruídas enquanto outras são “criadas” (como a jovem doce que se transforma na poderosa Satánico Pandemonium, na terceira parte, e o bandido que resolve se regenerar após o confronto com os vampiros, no segundo filme).

Se você nunca viu nenhum destes filmes e nem sabe de que diabos eu estou falando, então acompanha-me numa análise minuciosa dos três filmes da série Um Drink no Inferno. Puxe uma cadeira aqui no bar Titty Twister, beba comigo uma dose de tequila e ouça com atenção as histórias que relatam sobre este misterioso puteiro dos diabos… Ah sim: só pare por um momento de olhar para a gostosa que está rebolando seminua no palco e tenha cuidado com a garçonete de caninos salientes se aproximando do seu pescoço!!!!!

Agora, tome um trago caprichado e venha comigo para uma longa noitada no Titty Twister.

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O Primeiro Drink

Não tenho vergonha de confessar que já vi Um Drink no Inferno, o original, mais de 20 vezes, e em cada oportunidade o filme parece mais divertido. Acho que poucas vezes tive a chance de ver uma produção tão legal, em que tudo funciona, apesar do exagero e da podreira no final acabarem normalmente espantando o espectador mais tradicional.

Sempre que falo sobre o filme, três memórias bem nítidas me vêm à mente.

Primeiro, que eu vi os cartazes de From Dusk Till Dawn em seu lançamento nos Estados Unidos, em 1997. Eu estava passeando por lá, fazendo a tradicional viagem pelos States, na época em que a relação real/dólar permitia este tipo de aventura. Só se falava no filme dirigido por Robert Rodriguez e roteirizado por Quentin Tarantino, tanto que eu acabei comprando a trilha sonora lá em Miami antes mesmo de ver o filme (e fiquei pensando que diabos aqueles fragmentos de diálogos, incluídos no CD, faziam no contexto da trama, especialmente um que ficava repetindo “pussy, pussy!!!“).

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Eu também tive o prazer de ver esse filme no lançamento nos cinemas brasileiros, em 1998, em uma cinema a duas cidades de distância da minha. Como eu não dirigia, pedi para a minha mãe (que odeia filmes de horror) me levar e assistir junto o filme, omitindo o fato de existirem vampiros e violência na trama – e ela quase achou que era um filme normal até a metade, quando percebeu do que se tratava, mas aí era tarde para fugir.

Para encerrar, outra lembrança vívida que tenho de Um Drink no Inferno é que quando o filme foi lançado em vídeo, pouca gente sabia que era uma história sobre vampiros (e a capinha do vídeo não dizia nada disso, apesar dos desenhos de morcegos saindo do Titty Twister). Graças aos desenhos de George Clooney e Quentin Tarantino com armas pesadas na capinha, o filme passava por uma história de aventura ou policial. Era comum os gerentes de locadoras não saber onde colocar a fita (em ação ou terror), e era comum, também, pessoas devolverem a fita completamente decepcionadas, dizendo que o filme começava bem e virava avacalhação no final. Como eu passava muito tempo conversando com um amigo que era balconista de locadora, acabei presenciando muitas destas reclamações.

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Tudo isso para dizer que existem filmes bons ou ruins, mas só os filmes realmente especiais acabam marcando a pessoa que assiste. Um Drink no Inferno é um desses filmes que eu considero realmente especiais, de tão legais, e guardo na memória ao lado de pérolas como Fuga de Nova York, Mad Max e A Volta dos Mortos-Vivos, entre tantos outros cult movies que celebro. Sabendo, é claro, alguns vários diálogos de cor e salteado.

O mais fantástico de tudo é que o roteiro do filme, escrito por Quentin Tarantino, realmente é péssimo. Mas tem um mérito: é divertido e loucamente incoerente. Ele consegue, por exemplo, transformar dois bandidos assassinos, os irmãos Seth (George Clooney, em um de seus primeiros papéis no cinema, vindo da série Plantão Médico) e Richard Gecko (o próprio Tarantino), em heróis da trama.

O espectador começa o filme aprendendo a odiar a dupla, vendo como eles matam sem dó nem piedade – Richard chega a estuprar e matar uma refém, sem motivo. E são bandidos, caramba! Mas quando os irmãos Gecko vão parar em um bar mexicano chamado Titty Twister, percebemos que há “gente” bem pior que eles, e os bandidos sanguinários viram os charmosos heróis da trama, numa inversão de papéis completamente absurda e, por que não?, engraçada!

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O que valoriza o espetáculo é a direção frenética e totalmente alucinada de Robert Rodriguez, o ótimo cineasta por trás da trilogia El Mariachi. Sua câmera não pára um segundo, e a edição (do próprio diretor) é ágil e dinâmica.

A história é uma peróla: os temíveis irmãos Gecko, bandidos que fogem da cadeia e saem pela estrada matando gente inocente, roubaram um banco e estão escapando da polícia. Eles começam o filme explodindo uma loja de conveniência à beira da estrada. Depois, sequestram um pastor, Jacob Fuller (Harvey Keitel) e sua família – composta por Kate (Juliette Lewis, que sumiu do mapa) e Scott (Ernest Liu) -, para conseguirem cruzar a fronteira do México de trailer.

Quando tudo parece bem, e já se passou praticamente uma hora de filme, a dupla comete a burrada de parar no Titty Twister, um bordel mexicano, onde irão aguardar pela chegada de Carlos, um amigo contraventor que irá providenciar armas e esconderijo para eles. Entretanto, o “inferninho” repleto de putas, marginais, caminhoneiros e motoqueiros logo se revela um antro de vampiros. A história, até então policial, vira terror trash, com efeitos terríveis, membros decepados, piadas infames, violência exagerada e muito sangue jorrando.

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Tudo é “cool” neste filme, para usar uma expressão americana (cool = legal). A maioria das piadas funciona, principalmente as bobagens que saem da boca do personagem de Tarantino – e mesmo os detratores do estilo “Tarantinesco” têm que dar a mão à palmatória, pois ele realmente tem talento para escrever diálogos absolutamente normais, mas engraçados e que soam realistas na boca dos personagens. Ele adora usar frases prontas que rimam na boca dos personagens, como “Everybody be cool. You, be cool!” (Todos fiquem calmos. Você, fique calmo!), ou “Your dad is dead, Kate” (Seu pai está morto, Kate), sendo que esta última já havia sido usada em Pulp Fiction (“Zed is dead, baby“).

Tarantino também é um verdadeiro caldeirão de cultura pop: seu roteiro pega referências e citações a inúmeros filmes, diálogos, pessoas e personagens, joga tudo no liquidificador e o resultado é essa mistura esquisita. Temos desde as referências bíblicas (os nomes de Seth e Jacob) até homenagens aos diretores preferidos de Tarantino (a família Fuller é homenagem ao falecido cineasta Samuel Fuller). Tarantino até usa referências obscuras, como chamar a sexy dançarina/vampira interpretada por Salma Hayek de Satánico Pandemonium (nome de um filme de horror mexicano completamente desconhecido feito em 1975, também conhecido como La Sexorcista). Confira na lista de curiosidades, mais citações e homenagens feitas pelo roteirista.

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Graças ao esperto roteiro de Tarantino, mesmo cenas sem qualquer relação com o filme acabam ficando gravadas na mente. Uma dessas é quando Seth vai se registrar no hotel e toca incessantemente a campainha da portaria, sem resposta. Até que um velho completamente acabado, que talvez estivesse dormindo, aparece reclamando: “Vá para o inferno, que diabos você quer aqui?“, ao que um mal-humorado Seth responde: “Eu quero uma porra de um quarto, seu velho bastardo!“. Uma cena completamente dispensável, mas tão engraçada no seu exagero que se encaixa perfeitamente na proposta do filme – e nos faz pensar o que o velho fazia de tão importante para não atender o cliente que tocava a campainha na portaria…

Outro diálogo histórico é aquele em que Chet (um dos papéis de Cheech Marin no filme) apresenta as “atrações” do Titty Twister, em um alto-falante em frente ao bar: “Xoxotas, xoxotas de todos os tipos! No Titty Twister é xoxota a dar com pau! Faça uma oferta pela nossa vasta coleção de xoxotas! Temos branquinhas, pretinhas, espanholas, japonesas, quentinhas, geladinhas, molhadinhas, apertadinhas, grandes, no cio, gordinhas, peludinhas, xoxotas de égua, de cadela, de galinha! Só não tem quem não quiser! Aproveitem, amantes de xoxotas!“. O desbocado “monólogo” de chat foi censurado na versão dublada e na versão exibida na TV no Brasil, onde o vampirão, ao invés de xoxotas, anuncia “gatinhas“.

Mas a melhor troca de frases já mostrada no cinema de Tarantino, que resume bem o espírito brincalhão e alucinado do filme, é a conversa entre Seth e Carlos, na fuga do Titty Twister. Seth pede porque o companheiro tinha escolhido justamente aquele bar para o encontro. Ao ver o companheiro todo esfarrapado, Carlos pergunta: “O que aconteceu? Eles eram todos psicopatas?“. Sem perder o bom humor, e falando como se fosse a coisa mais normal do mundo, Seth responde: “Eles pareciam psicopatas? Eram vampiros!!! Psicopatas não explodem quando expostos à luz do dia, por mais loucos que eles sejam!“.

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O humor negro também é dos mais afiados. O personagem de Tarantino leva um tiro na mão nos primeiros dez minutos e, ao invés de rolar de dor, prefere ficar espiando o irmão Seth pelo buraco deixado pela bala na própria mão!!! E quando a aventura no bordel vira uma orgia de sangue, a palhaçada toma conta: legal a cena em que um matador de vampiros usa uma mesa para matar quatro vampiras, uma em cada pé. Outro arranca o coração de um vampiro, que permanece vivo até que alguém enfia um lápis no órgão extirpado.

Assim que o massacre começa, os irmãos Gecko e a família Fuller precisam lutar pela sobrevivência ao lado de outros personagens curiosos que só podiam ter saído de um roteiro de Quentin Tarantino, como o motoqueiro Sex Machine (interpretado pelo maquiador Tom Savini) e o veterano do Vietnã Frost (Fred Williamson, veterano trash dos filmes de ação made in Italy, tipo Os Guerreiros do Bronx e Guerreiros do Futuro, ambos do mestre Enzo G. Castellari).

O melhor é que ninguém está levando a coisa muito a sério. Os personagens, por exemplo, começam a matar vampiros como se fosse a coisa mais normal do mundo, não se assustam e nem perdem a sanidade em confronto com criaturas monstruosas. A cena em que Clooney constrói uma máquina exterminadora de vampiros, com uma estaca de madeira acoplada a uma britadeira, é impagável. Ele faz aquilo como se tivesse passado a vida matando vampiros, tal a prática demonstrada.

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Como filme de terror também a história funciona, pois não poupa vítimas, nem mesmo as crianças da trama, que também sofrem e até morrem – algo difícil de acontecer em filmes do gênero. E reza a lenda que os vampiros só têm sangue verde para que o espectador pudesse saber quem está matando quem em meio ao massacre no Titty Twister (e também para conseguir uma classificação mais branda da censura).

O elenco de Um Drink no Inferno é um dos melhores já reunidos em todos os tempos – além de bastante esquisito. Clooney faz o tipo charmoso e implacável, e é engraçado saber que depois deste filme podreira ele virou um dos astros mais bem pagos de Hollywood (chegando a interpretar Batman no péssimo Batman & Robin). De fato, é difícil imaginar outro ator fazendo o papel de Seth Gecko, e vemos que os heróis das duas continuações, realizadas em 1999 e 2000, não chegam nem aos pés de Clooney.

Tarantino exagera um pouco nos trejeitos de psicopata (chegou a ser indicado à Framboesa de Ouro de Pior Ator Coadjuvante), mas revela-se um vilão divertido. Tanto que mesmo com a raiva que sentimos pelo fato do seu personagem ser um matador cruel, acabamos simpatizando com ele assim que começa a matança no Titty Twister.

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Já o excelente Harvey Keitel empresta alguma dignidade ao filme com ótima interpretação como o pastor sequestrado, e parece estar se divertindo (tanto que também usa maquiagem de vampiro). Juliette Lewis, como sua filha, está linda. O maquiador de filmes de horror Tom Savini deita e rola como o esquisito Sex Machine, que que tem uma pistola acoplada em um lugar muito esquisito – esta cena é daquelas que não sai da cabeça e sempre provoca gargalhadas.

Fred Williamson é um forte personagem anônimo, que merecia mais tempo em cena. Cheech Marin, da extinta dupla Cheech e Chong, aparece em nada menos de três papéis – o guarda da fronteira, o vampiro Chet e o contrabandista Carlos. Ainda tem espaço para pequenas participações de Kelly Preston (a esposa de John Travolta), Michael Parks, John Saxon e outros, em pequenos papéis.

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Claro que não podemos deixar de citar a sensual Salma Hayek, que quase rouba o espetáculo como a gostosíssima dançarina Satánico Pandemonium, fazendo um strip-tease com uma cobra ao som da banda Tito & Tarantula, usando muito pouca roupa, derrubando tequila sobre o corpo e fazendo o personagem de Tarantino beber da sua boca – como o próprio Tarantino também é roteirista, percebemos que ele não foi bobo e aproveitou para se dar bem.

E Um Drink no Inferno acerta também na fantástica trilha sonora (claro… afinal, este também é um filme de Quentin Tarantino!). O melhor da trilha é a dupla Tito & Tarantula (que toca no bar, acompanhada pelo diretor Rodriguez, inclusive usando partes humanas como instrumentos musicais!). Mas tem também a incrível “Dark Night“, dos The Blaster, que toca no início e no fim do filme, mais Steve Ray Vaughn e ZZ Top, o que valoriza a aquisição do CD com a trilha sonora (mesmo CD que eu comprei às cegas naquela época, nos Estados Unidos).

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Resumindo: Um Drink no Inferno é um filme divertidíssimo para acabar com qualquer baixo astral, ainda mais se assistido com um grupo de amigos. É uma daquelas obras realmente geniais que surgem de tempos em tempos, e você pode ver centenas de vezes sem nunca enjoar ou ficar chateado! Filmes assim são raros. E, por isso mesmo, Um Drink no Inferno deve ser celebrado!

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11 Comentários

  1. Sérgio Coruja

    “…o ápice daquilo que pode ser considerado um “filme cool“, ou um filme muito legal, que na história do cinema provavelmente não vai fazer qualquer diferença, mas que diverte tanto que acaba se tornando um “clássico” pessoal de muitos espectadores – inclusive eu.”

    Assino embaixo, Felipe!

  2. alexandre santos

    eu assisti este filme na band a mtos anos atras e mto bom adorei apesa de ser terror tem algumas comedia negro. mto bom mesmo

  3. Esta filme é, ao mesmo tempo, genial e divertido.

  4. Antonio Marcos Gandolfi

    Filme espetacular, não me canso de assistí-lo!!

  5. MORCEGO

    FILME NOTA 10,0!!!!!!!!!!!

    NOJENTO
    SANGRENTO
    ABSURDO
    DIVERTIDO
    ENGRAÇADO

    Tudo que um verdadeiro Filme Trash é!!!!!!!
    Não existe filme de vampiro trash melhor que esse!!!!!

    NOTA 10,0

  6. Luis Fernando Silva

    Um Drink no Inferno e simplesmente meu filme de horror favorito em todos os tempos. Fico feliz de ver que mais pessoas amam este filme assim como eu.

  7. Mk

    Concordo com as cinco caveiras, esse é de longe um dos melhores e mais divertidos filmes do diretor Robert Rodrigues.

  8. Simplesmente um clássico. Filmaço dos anos 90 sobre vampiros. Te envolve, diverte e na época até aterrorizava. Salma Hayek estava simplesmente maravilhosa. Não me lembro se foi a estreia do Clooney na telona, mas gostei muito dele no filme. Ainda hoje é diversão garantida para toda a família.

  9. wladimir duarte sales

    Esse filme, independente de cenas de ação e vampirismo, é um clássico cult!! Quando assisti em casa com meu irmão inventei de apelidar o personagem de Tom Savini de El pinto atirador. A produção é espetacular e não entendo a baixa recepção nos cinemas americanos. Não inventaram coisas do tipo cura do vampirismo (triologia Blade), vampiro bonzinho, “vegetariano” ou que controla a sede de sangue entre outros absurdos(saga crepúsculo, entrevista com o vampiro, …). Depois de transformados todos perdiam a humanidade e viviam para matar ou transformar outros, simples assim como muitos outros. Depois desse filme George Clooney merecia mais do que aquele Batman e Robin que parecia desfile das escolas de samba do grupo nada especial!!

  10. Concordo com você Felipe , também o considero um ” Clássico ” e também já o assisti mais de 20 vezes e não me canso ou enjoo de vê-lo .
    Lembro que quando eu o assisti pela primeira vez eu era criança e foi na Band , não me lembro o horário certo mais acho que foi 8 ou 9 horas da noite e foi no meio da semana , pro meu azar estavam eu e meus irmãos mais novos e minha mãe todos juntos pra assistir , até que eles entram no Titty Twister repleto de gostosas com os peitos de fora rebolando , nisso minha mãe ficou brava e mandou meus irmãos dormirem e eu também , mais como eu sou o mais velho e eu implorei pra assistir ela deixou e viu o filme comigo e pra minha surpresa até ela gostou !
    Se ela gostou imagine eu então , fiquei vários dias com o filme na cabeça e conversando com meus colegas sobre ele e prometi a mim mesmo que na primeira oportunidade eu compraria seu VHS original depois de tanto ter alugado !
    ” Um Drink no Inferno ” é foda demais e o melhor da trilogia , é verdade que é muito lento e demora demais pra aguardada carnificina começar , mais mesmo todo esse tempo antes eu gosto muito também pois vemos a trajetória dos irmãos e a família de refén indo pro México em várias situações interessantes e até engraçadas , mais o que vale mesmo é a carnificina surpreendente no final , só de eu falar já estou com vontade de vê-lo denovo !
    Tenho ” Um Drink no Inferno ” em VHS original e em DVD na versão americana na minha coleção !

  11. Juninho

    Excelente filme de vampiro que avacalha legal com o gênero. Lembro quando assisti com meu pai em VHS. Interessante, divertido e diferente, Foi o segundo filme do Quentin Tarantino como ator que eu tinha visto (sem contar Pulp Fiction) e também o segundo do Robert Rodrguez mas o primeiro com esse roteiro exagerado e maluco com roteiro personagens e diálogos impagáveis. Ja tinha visto filmes de vampriso serios (Entrevsita Com O Vampiro) mas esse é bem sacana. Recomendado.

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