Um Drink No Inferno 2: Texas Sangrento (1999)

Um Drink no Inferno 2 (1999)

Um Drink no Inferno 2: Texas Sangrento
Original:From Dusk Till Dawn 2: Texas Blood Money
Ano:1999•País:EUA
Direção:Scott Spiegel
Roteiro:Scott Spiegel, Boaz Yakin, Duane Whitaker
Produção:Michael S. Murphey, Gianni Nunnari, Meir Teper
Elenco:Robert Patrick, Bo Hopkins, Duane Whitaker, Muse Watson, Brett Harrelson, Raymond Cruz, Danny Trejo, James Parks, Tiffani Thiessen, Bruce Campbell, Maria Checa

A Segunda Dose

Esta é a tradicional sequência fraca de um sucesso do cinema. Não tem como escapar dela. É praticamente uma maldição.

Sabe aquela continuação feita às pressas para tentar ganhar dinheiro em cima do sucesso de um filme legal? Pois bem, aqui temos mais uma delas: Um Drink no Inferno 2 – Texas Sangrentos é bem fraco, apesar de ter Tarantino e Rodriguez, a dupla responsável pelo filme original, como produtores-executivos.

Com o sucesso estrondoso (e um tanto quanto inesperado) do primeiro filme, a Dimension pediu que Tarantino e Rodriguez sugerissem argumentos para duas continuações que seriam realizadas diretamente para vídeo, por outros diretores e por um custo bem menor (cerca de 10 milhões de dólares cada).

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Tarantino surgiu com uma ideia envolvendo assaltantes de banco que viram vampiros (e que daria origem a este segundo filme); Rodriguez preferiu sugerir uma “prequel” que se passasse no Velho Oeste, nos primórdios do Titty Twister (ideia aproveitada no terceiro filme, bem superior, ainda que praticamente uma refilmagem do original, mudando os personagens e a ambientação apenas).

O maior erro de Um Drink no Inferno 2 foi espichar demais a história (que quase não existe) e ainda por cima levá-la muito a sério – algo que o primeiro filme não fazia em momento algum. E tem bem poucas novidades, além do que já foi mostrado no original.

Veja só: assim como o primeiro filme, o roteiro deste também trata de ladrões às voltas com vampiros. A diferença é que não há o duelo sangrento dentro do bordel dos vampiros, o Titty Twister. O filme também reduz o tempo entre o encontro com os vampiros e a matança (que no primeiro e no terceiro filmes consomem praticamente uma hora).

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É mais ou menos assim: um grupo de bandidos americanos se reúne para assaltar um banco no México – o que me leva a pensar no porquê do subtítulo original, de Dinheiro Sangrento no Texas (Texas Blood Money). O grupo é formado por Buck (Robert Patrick, o inesquecível cyborg de O Exterminador do Futuro 2), Luther (Duane Whitaker, famoso por ter estuprado Ving Rhames na cena mais chocante de Pulp Fiction), o veterano C.W. (Muse Watson, que interpretou o assassino Ben Willis na série Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado), o bobão Ray Bob (Brett Harrelson, irmão do astro Woody Harrelson) e Jesus (Raymond Cruz, de Alien, a Ressurreição).

Os bandidos são completamente esteriotipados: Buck é aquele tipo que tenta levar uma vida honesta e tem um xerife pentelho, Lawson (Bo Hopkins, especializado em papéis de xerife e militar em dezenas de filmes B), sempre no seu pé. Luther é o psicopata do grupo, semelhante ao Richard Gecko interpretado por Tarantino no original. Não se sabe o que Ray Bob, sem qualquer experiência em crimes, está fazendo no grupo, enquanto C.W. aparenta ser um criminoso experiente e Jesus é um brutamontes que treina buldogues para lutas de cães, dando-lhe anabolizantes e fazendo com que ele corra na esteira. Ah sim, o nome do cachorro é “Tubarão 2” (Jaws 2). Sentiu o drama?

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O grupo se prepara para o que seria um assalto simples. Enquanto quatro deles ficam num motel esperando, jogando conversa fora e irritando o espectador com diálogos idiotas, o quinto (Luther) vai parar no conhecido “barTitty Twister, depois de atropelar um morcego na estrada, o que danifica seu carro. Percebe-se, logo de cara, que o interior do bar está diferente e provavelmente foi reformado depois que Seth Gecko e seus amigos o destruíram por completo no final do Um Drink no Inferno original. Sai a decoração gótica e satânica, entrando elementos mais comuns, como calotas de carros. Mas as putas vampiras continuam ali. Pena que elas quase não aparecem…

No balcão, Luther encontra Razor Eddie (Danny Trejo), aparentemente o irmão gêmeo de Razor Charlie, o barman que aparece no primeiro e no terceiro filmes (onde também é interpretado pelo feioso Trejo). Ao saber que Luther atropelou um morcego, o barman pede que o bandido o leve até lá. Chegando ao local, Luther descobre que o “morcego” na verdade é um vampiro, Victor, amigo de Razor Eddie, que se vinga mordendo o pescoço do descuidado motorista.

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Devidamente transformado em vampiro, Luther vai encontrar os parceiros no motel. Antes, contamina uma vagabunda, Lupe (a gostosa Maria Checa, que foi coelhinha da Playboy), e esta por sua vez vai dar aquela dentada básica em Jesus, e por aí a contaminação vai se espalhando ao restante do bando. Mesmo transformados em vampiros, os bandidos resolvem assaltar o banco. É claro que haverá um sangrento confronto com policiais e com os integrantes do grupo que ainda não viraram sanguessugas.

Numa tentativa de repetir o humor amalucado do filme original, Um Drink no Inferno 2 abusa de idiotices em geral, que mais subestimam a inteligência (e a paciência) do espectador do que propriamente fazem rir. O pior de tudo é a ridícula paródia de Psicose, quando Luther, transformado em um péssimo e falso morcego, ataca Lupe enquanto ela toma banho de chuveiro. E nem vou citar que também existe um conveniente eclipse solar, mal encaixado na trama e que acaba não servindo para nada.

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O roteiro não leva a lugar nenhum: ele falha miseravelmente na tentativa de fazer com que o espectador se sensibilize ou se importe com seus personagens, mesmo no caso do “herói” interpretado por Buck. E quando o espectador não se importa com os personagens, meu amigo, é porque a coisa não vai bem. Também tenta-se fazer graça com conversas sem nexo e que nada tem a ver com a história. Em um momento, por exemplo, um dos bandidos conta uma lembrança envolvendo a filmagem de um pornô. Não tem nada a ver com a trama, mas aparece até uma dramatização da cena, mostrando o que aconteceu (e onde o diretor do filme, Scott Spiegel, faz uma participação especial). Parece uma tentativa de tornar o filme mais longo… Já no final, encerrado o extermínio dos vampiros, os dois sobreviventes (um policial e um bandido) esquecem as rusgas e ficam falando sobre como um deles conseguiu parar de fumar, como se isso tivesse alguma lógica!

Há também algumas abobrinhas dignas de um roteiro de Claudio Fragasso (o pior roteirista do cinema italiano), como a cena onde os bandidos assistem a um filme pornô no motel e se desenrola o seguinte diálogo:

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JESUS: Este filme é de baixa qualidade.
RAY BOB: Não parece tão ruim para mim…
JESUS: Mas não tem história!
BUCK: É um filme de sacanagem! Eu não assisto um filme de sacanagem para ver a história, eu assisto para ver as trepadas!
C.W.: Eu concordo com Jesus nessa discussão. Eu, pessoalmente, aprecio um filme com história. Se eu me importo com os personagens, eu me importo com as trepadas.

E por aí vai. Percebe-se um clara tentativa dos roteiristas de tentarem copiar o estilo despojado e irônico dos diálogos de Quentin Tarantino, sem sucesso, obviamente.

Para piorar, Spiegel achou que seria divertido começar o filme com um prólogo sem qualquer relação com o restante da história. Então Bruce Campbell e Tiffani-Amber Thiessen (em participações especiais) enfrentam morcegos assassinos dentro de um elevador, em uma cena de um filme que está sendo exibido na TV e assistido por Buck (logo, um filme dentro do filme). Curioso, porém descartável, sem razão de existir. O roteiro foi escrito pelo próprio diretor e também pelo ator Duane Whitaker.

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Dois outros detalhes pioram a trama: os atores vampirizados fazem caretas ridículas quando os caninos longos aparecem (especialmente Whitaker, que de tão careteiro chega a ser irritante). E o diretor Spiegel insiste em filmar as cenas dos lugares mais inusitados (do fundo de uma caixa de cerveja, acompanhando o movimento de um ventilador, por dentro do fio do telefone, por dentro de um crânio), o que no começo até diverte, mas logo enche o saco – parece que o diretor está dizendo toda hora: “Ei, olhem só onde eu coloquei a câmera agora!“. Vale lembrar que Spiegel fez a mesma coisa nos seus outros filmes, como o “slasher movieViolência e Terror (The Intruder), de 1988.

Para quem não sabe, Scott Spiegel é amigão do diretor Sam Raimi, inclusive tendo ajudado ele a escrever o roteiro de Evil Dead 2. Bem, deveria ter aprendido um pouquinho mais com o “mestre“.

Apesar dos pesares, Um Drink no Inferno 2 não é um desastre completo. Tem momentos bem engraçados, bastante ação e tiros e um final caótico, onde dezenas de policiais enfrentam os bandidos-vampiros após o frustrado assalto a banco, em uma batalha que se transforma logo em carnificina. Os podres efeitos especiais são ainda mais fracos que o do original, e há certa diminuição na dose de violência – o que seria corrigido no terceiro filme.

Quem assistir com um mínimo de expectativa, ou ainda sem ter visto o filme original, pode até se divertir mais. Mas a terceira continuação ainda é bem melhor.

No fim, Um Drink no Inferno 2 não diz a que veio, e seria muito mais interessante se tivesse uma história diferente, sem criminosos e assaltos, detalhes que o deixam muito parecido ao primeiro filme, embora infinitamente menos divertido. No mínimo, decepcionante.

Curiosidades do Inferninho

– O ator Bruce Campbell, da cultuada trilogia The Evil Dead (iniciada em 1982), de Sam Raimi, fez uma ponta no começo do filme Um Drink no Inferno 2: Texas Sangrento (From Dusk Till Dawn 2: Texas Blood Money, 1999).

Danny Trejo interpreta Razor Eddie, irmão gêmeo do barman Razor Charlie, exterminado por Sex Machine no filme original. – Bob Murawski, o editor do filme, interpreta Victor, o vampiro atropelado por Luther.

James Parks interpreta o xerife McGraw, irmão do texas ranger Earl McGraw (Michael Parks), que foi morto por Richard Gecko (Quentin Tarantino) no início do primeiro filme.

– Scott Spiegel interpreta o diretor do filme pornô, na história contada por Jesus em determinado momento.

– Kevin Smith (não o diretor de O Balconista), que interpreta Carlos neste filme, fez Joaquim em Um Drink no Inferno 3.

– Na trilha sonora, muita surf music para dar um clima “Tarantino” ao filme. Há inclusive 3 composições de Dick Dale: “In Liner“, “Spanish Kiss” e “The Wedge“.

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

2 comentários em “Um Drink No Inferno 2: Texas Sangrento (1999)

  • 02/10/2014 em 16:33
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    Eu acho esse ruim que dói, efeitos péssimos e uma história fraquíssima. É de longe uma das piores sequencias de filmes.

    Resposta
  • 16/08/2014 em 23:31
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    Eu gosto desse segundo também , apesar de não mudar muita coisa mais tem vários momentos memoráveis e uma rápida participação de Bruce Campbell logo no começo .
    ” Um Drink no Inferno 2 : Texas Sangrento ” também faz parte da minha coleção .

    Resposta

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