Inocente Mordida (1992)

Inocente Mordida (1992)

Inocente Mordida
Original:Innocent Blood
Ano:1992•País:EUA
Direção:John Landis
Roteiro:Michael Wolk
Produção:Leslie Belzberg, Lee Rich
Elenco:Anne Parillaud, Anthony LaPaglia, Robert Loggia, David Proval, Rocco Sisto, Chazz Palminteri, Tony Sirico, Kim Coates, Leo Burmester, Angela Bassett, Luis Guzmán, Don Rickles, Sam Raimi, Dario Argento, Linnea Quigley, Rick Avery, Bob Minor, Michael Ritchie, Frank Oz

Embora tenha alcançado o reconhecimento pelas boas comédias – O Clube dos Cafajestes (78), Os Irmãos Cara de Pau (1980), Trocando as Bolas (83), Os Espiões que Entraram numa Fria (85), Três Amigos (86)… -, John Landis ocupa um lugar especial no gênero fantástico pela concepção de sua obra-prima Um Lobisomem Americano em Londres (81). Poderia ser um filme único do gênero na sua carreira, mas o sucesso desse terror-alfa do estilo o conduziu ao comando do clipe Thriller, de Michael Jackson, ao mais polêmico segmento de No Limite da Realidade (83) e à comédia vampírica Inocente Mordida, de 1992. Dois longas e dois curtas foram o suficiente para o cineasta receber convites para dirigir episódios das séries Mestres do Terror (Family e Deer Woman) e Fear Itself (In Sickness and in Health), participar de fóruns e convites para entrevistas em revistas especializadas.

Dentre sua carreira de trabalhos acima da média, Inocente Mordida aparece timidamente no início dos anos 90, não sendo considerado um grande filme de vampiros, mesmo que tenha um argumento divertido e boas participações especiais. Aliás, são estas que trouxeram fama à produção, como uma espécie de caça aos rostos conhecidos de diretores como Sam Raimi, Dario Argento, Frank Oz e Michael Ritchie, além do mestre dos efeitos especiais Tom Savini e da scream queen Linnea Quigley. Se esse piscou-dançou já não fosse suficientemente divertido, o filme traz no elenco Anthony LaPaglia, Robert Loggia, Kim Coates, Chazz Palminteri, Rocco Sisto e David Proval – nomes que você já deve ter visto em inúmeras produções e que trazem prestígio para o trabalho.

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Ainda assim, o que mais atrai a atenção é a protagonista, interpretada pela francesa Anne Parillaud (já estava com um corpão desde que participou de Nikita – Criada Para Matar, em 90). Ela é Marie, uma vampira solitária que está em Pittsburgh, na Pennsylvania, na região conhecida como “pequena Itália“, em busca de alimento discreto, tendo em seu cardápio uma gangue italiana liderada por Sallie (The Shark) Macelli (Loggia, de Scarface, 83). Como eles vivem em confronto com outros grupos e também com a polícia, o sumiço de um ou outro mafioso, sem sua transformação em vampiro, pode não fazer diferença, saciando a voracidade da criatura da noite.

Contudo sua discrição é interrompida, quando, ao tentar se alimentar de Sallie, ela tenha sido obrigada a fugir, deixando-o vampirizado. Cabe a ela o assassinato do chefão, contando com a ajuda de seu interesse amoroso Joe Gennaro (LaPaglia, de O Cliente, 94), um policial disfarçado entre os bandidos. E ela ainda não sabe, mas a situação tende a se complicar quando Sallie resolve vampirizar toda sua gangue para criar um exército de criminosos imortais, obrigando a vampira a enfrentá-los de igual para igual.

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Landis planejava satirizar a máfia ao utilizar vampiros como vilões, como se os mafiosos fossem “sugadores” da sociedade com seu contrabando e venda de armas e drogas. No entanto, ficou bem distante de suas intenções, como uma espécie de “comédia de erros“, concebendo um filme apenas divertido. A concepção das criaturas segue o estilo clássico, sem exageros na maquiagem, apenas no momento do ataque quando os olhos aparecem iluminados – algo também visto em Um Lobisomem Americano em Londres e no clipe Thriller -, acompanhados do som de um raivoso felino.

Diferente de seu clássico licântropo, o humor aqui é mais evidente variando entre o refinado (em diálogos interessantes como no exemplo abaixo) e o pastelão na cena do confronto entre Marie e os vampiros, ao redor de uma cadeira. Talvez se apostasse mais no enredo e no ritmo frenético da narrativa, o resultado fosse ainda mais positivo. Landis traz um filme bem dirigido, com ótimas atuações e bastante sangue para os aficcionados do gênero, embora faça o seu público esperar algo mais, provavelmente uma referência a sua obra-prima.

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Joe: Quem Macelli comeu?
Marie: Alguém chamado Manny. Uma pessoa inocente morreu porque você ferrou tudo!
Joe: Manny Bergman? Ele não é inocente! Ele é advogado!

Também vale menção às inúmeras homenagens ao gênero com os personagens assistindo pela TV O Vampiro da Noite (58), com Christopher Lee e Peter Cushing, ou ao clássico de 54 O Fantasma da Rua Morgue, nas cenas no necrotério. Há também uma rápida aparição do longa Pacto Sinistro, de 51, no momento em que Alfred Hitchcock faz uma de suas famosas pontas! Referências que trarão um sorriso ao rosto dos telespectadores, mas o farão pensar se algum filme no futuro trará cenas de Inocente Mordida, como uma produção inesquecível da década de 90. Infelizmente, não.

Para encerrar, uma curiosidade: John Landis teria se irritado com algumas distribuidoras que teriam lançado seu filme com o título Uma Vampira Francesa na América, como uma forma de relacionar as produções. Se isso já não fosse um incômodo suficiente, até hoje Landis deve ter dificuldade para dormir quando seus novos filmes, de qualquer gênero, trazem na capa os dizeres: Do mesmo diretor de Um Lobisomem Americano em Londres. Dessa maldição, nem a ausência da Lua o deixará livre!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro “Medo de Palhaço”, além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “Inocente Mordida (1992)

  • 28/03/2015 em 16:18
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    a Anne é muito linda!mas realmente o Lobisomen americano em Londres é classico que nem o proprio diretor consegue recriar ou superar em seus outros filmes!

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