Lobo (1994)

Lobo (1994)

Lobo
Original:Wolf
Ano:1994•País:EUA
Direção:Mike Nichols
Roteiro:Jim Harrison, Wesley Strick
Produção:Douglas Wick
Elenco:Jack Nicholson, Michelle Pfeiffer, James Spader, Kate Nelligan Richard Jenkins, Christopher Plummer, Eileen Atkins, David Hyde Pierce, Om Puri, Ron Rifkin, Prunella Scales

Mike Nichols não é um dos primeiros nomes que se imagina para dirigir um filme de horror, ainda mais se tratando de uma história de lobisomem. Afinal de contas um cineasta que fez sua estreia com um clássico absoluto (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?), subverteu o ideal da comédia romântica (A Primeira Noite de um Homem, A Difícil Arte de Amar, Uma Secretária de Futuro) e do próprio romantismo (Closer – Perto Demais, Ânsia de Amar) parece ser um cara “sério” demais para se meter com cinema de gênero. Isso já seria razão suficiente para destacar Lobo na filmografia dos licantropos, mas o filme ainda tem diversos outros méritos que o tornam único, envolvente e absolutamente obrigatório.

Lobo (1994) (2)

Jack Nicholson interpreta Will Randall, um bem-sucedido editor literário que é mordido por um lobo durante uma viagem noturna. De volta à sua casa, ele começa a sentir seus sentidos aguçados, seu apetite mais voraz e diversas mudanças que, pouco a pouco, o convencem de que o animal que o atacou não era um simples lobo assustado, mas um lobisomem que lhe transferiu a maldição através da mordida.

O momento não podia ser pior para Will: seu chefe acaba de anunciar uma fusão que envolve cortes na empresa e ele é um dos primeiros a dançar. Para completar, Will descobre seu protegido Stewart (James Spader, ótimo) não apenas pegou seu cargo como está tendo um caso com sua esposa Charlotte (Kate Nelligan). Enquanto o espírito do lobo o atormenta a cada lua cheia, o único consolo do nosso azarado protagonista é a companhia de Laura (Michelle Pfeiffer, linda como nunca) a filha do seu chefe, que parece atraída pela sua selvageria e fragilidade. Logo ele estará matando animais e pessoas durante as suas transformações, e descobre que não é o único homem-lobo atormentando Manhattan.

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Lobo caminha na linha tênue entre o drama e o filme de horror. A palavra “lobisomem” não é dita nenhuma vez, e mesmo a presença de um místico indiano (Om Puri, de Gandhi) é trabalhada de forma sutil e elegante. O que se vê é um filme refinado que trata o tema de forma adulta e séria. O que quer dizer que é o filme de lobisomem indicado para quem tem frescura contra filmes de horror “baratos“, mas também que é um deleite para os fãs do horror e do cinema de gênero em geral. Seria muito interessante imaginar o que Nichols não poderia fazer se voltasse ao gênero, ainda mais considerando o fato de que ele não lança um filme novo há sete anos. Quem sabe nesse caminho ele não pudesse encontrar seu merecido reconhecimento?

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Matheus Ferraz

Matheus Ferraz

Mineiro, autor publicado e mestre em Biografia pela University of Buckingham

3 comentários em “Lobo (1994)

  • 27/03/2015 em 17:52
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    Acabo de rever. Puxa, como a proposta continua rendendo! Os efeitos (acertadamente aplicados e econômicos), em especial, ainda funcionam bem depois de tantos anos. E gostei dos paralelos entre a vida íntima e a carreira do personagem principal e as transformações que ocorrem noite após noite, dia após dia.

    A competição que se estabelece entre Randall e Stewart (Cínico; belamente cínico. Parabéns ao James Spader.) é muito boa; ótima a cena do banheiro.

    Considerei o encerramento apressado, com novos detalhes e situações de mais, e foi a única parte que eu desejei que tivesse uma execução um pouco melhor, mas o clímax (conflito) ficou excelente.

    Para quem é purista, digamos, a respeito de um filme que traz elementos de horror, para quem procura uma obra audiovisual que foque MUITO na maldição ou em sustos, eu acho que “Lobo” não será um bom filme. “Lobo” é mais drama, é a jornada lenta (para os padrões de ritmo de hoje, não para mim) de conhecimento sobre aquele sujeito reservado que acidentalmente passa a ser mudado pela licantropia (ponto este que é algo importante e sempre presente no roteiro, mas jamais o centro da questão ou coisa que gera urgente explicação sobre origem, etc); é, a certa altura, uma investigação psicológica e uma grande metáfora sobre o macho alfa, o mercado de trabalho, sobre o homem pacato assumindo uma nova postura.

    Não é perfeita a obra, porém causa reflexões interessantes e tem elenco e atuações e um charme visual e sonoro (Trilha ótima de Ennio Morricone) muito próprios que são merecedores de crédito e respeito. Vale a pena assistir ou, como eu, reassistir (Conheci esse filme quando moleque e ouvi durante anos, da boca de um primo mais velho, que Nicholson seria um ótimo Logan (Wolverine).).

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  • 13/09/2014 em 20:51
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    Lembro que vi esse filme muitos anos atrás. Dia desses até passou no SBT (mas no formato 4X3, mesmo no sinal digital).

    Acho que vou procurar pra assistir de novo.

    Resposta

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