A Maldição dos Gatos (1977)

A Maldição dos Gatos (1977)

A Maldição dos Gatos
Original:The Uncanny
Ano:1977•País:UK, Canadá
Direção:Denis Héroux
Roteiro:Michel Parry
Produção:Claude Héroux, René Dupont, Milton Subotsky
Elenco:Peter Cushing, Ray Milland, Joan Greenwood, Roland Culver, Susan Penhaligon, Simon Williams, Alexandra Stewart, Donald Pilon, Chloe Franks, Katrina Holden, Renée Girard, Donald Pleasence, Samantha Eggar, John Vernon, Catherine Bégin, Jean LeClerc, Sean McCann

De todos os animais conhecidos do mundo atual, talvez nenhum tenha despertado tanta curiosidade pelo seu comportamento como o gato doméstico. O misticismo vai desde as figuras felinas presentes na cultura do antigo Egito até superstições de ter azar ao ver um bichano preto. Com seus grandes olhos que brilham no escuro, e sua espantosa capacidade de sobrevivência, o gato sempre foi objeto de numerosos mitos e lendas. Desta forma, fica até compreensivo entender o motivo pelo qual o cinema de horror adotou os felinos como animais de estimação.

Sejam os próprios assassinos do enredo – híbridos com humanos, animais de estimação dos personagens, ou apenas creditados param darem um susto na mocinha – os felinos são figuras marcantes em produções de suspense e terror. Algumas tramas são bem interessantes, outras bastante chatas… No entanto, existem algumas obras que conseguem ir além destas duas classificações e utilizam a imagem supersticiosa destes bichinhos peludos de uma forma capaz de prender a atenção do público.

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A Maldição dos Gatos (The Uncanny) é uma produção anglo-canadense de 1977. A trama, estrelada por Peter Cushing, segue a tradicional linha de histórias curtas sobre um determinado tema. No caso desta produção, o ponto em comum responde pelo universo dos gatos. O resultado é uma agradável produção, que pode ser considerada por alguns como “devagar”, mas que, de forma geral, consegue prender a atenção das pessoas, que aguardam pela conclusão das tramas.

O filme começa em uma Montreal soturna, que mais parece com a Londres dos filmes de mistério da década de 1960. Nesta cidade escura, conhecemos o escritor Wilbur Gray (Cushing), que tenta convencer um editor a publicar o seu novo livro. O material é sobre gatos, mas não apenas referente ao universo histórico ou lúdico dos bichanos. De acordo com Wilbur, os felinos conseguem se comunicar e até matar seres humanos. Não por acidente, mas por vingança daquelas pessoas que, de alguma forma, os trataram mal.

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Para justificar a sua teoria, o escritor narra três episódios de assassinatos e desaparecimentos nos quais a polícia não conseguiu encontrar um responsável e que, de acordo com ele, os reais culpados foram os gatos.

ASSASSINATOS

As tramas têm em comum o fato dos bichanos serem responsáveis diretos ou indiretos de mortes de alguns personagens. Na primeira história, a empregada Janet (Susan Penhaligon) mata a própria patroa, que criava cerca de 20 gatos. Já na segunda trama, a pequena Lucy (Katrina Holden), quer apenas viver tranquilamente ao lado do gato Wellington, mas a implicante prima Angela (Chloe Franks) passa o dia humilhando a coitada.

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Na terceira parte, o saudoso Donald Pleasence (o eterno Dr Loomis, de Halloween) vai assassinar a própria esposa para viver com a amante. A polícia acreditou que tudo não passou de um acidente, menos o gato Snac.

AMIGOS E INIMIGOS

Dirigido pelo canadense Denis Héroux, A Maldição dos Gatos pode não agradar a um público atual que esteja acostumado em ver um pé sendo decepado por uma serra. Talvez até os jovens do final da década de 1970, período em que verdadeiros clássicos foram lançados como O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre) e O Exorcista (The Exorcist), não tenham tido muito interesse pelos gatos de Peter Cushing. No entanto, a produção merece ser conferida justamente por seguir um caminho inverso aos grandes sucessos da época.

Primeiro, não temos a linha narrativa convencional de uma vítima que precisa sobreviver a uma situação limite. Em A Maldição dos Gatos, os personagens podem ser divididos em amigos e inimigos dos gatos e isso não vai ter muita relação com esses animais serem bons ou maus.

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O formato de histórias curtas também é um elemento interessante dentro do gênero e, na maioria dos casos, costuma gerar resultados positivos. Com cerca de 25 minutos para cada enredo, as tramas ganham pontos por serem rápidas, sem muita enrolação. O formato é semelhante a uma história em quadrinhos e a ação não perde tempo com sequências desnecessárias ou milhares de personagens secundários. Tudo é muito direto e, já que não estamos diante de histórias longas com 90 minutos cada, ao menos não perdemos tempo com explicações desnecessárias e vamos logo para a ação principal

Uma característica interessante, e também saudosista, de A Maldição dos Gatos, é o clima típico das produções inglesas de filmes de suspense e mistério das décadas de 1950 e 1960. Apesar de termos as ações centradas em cidades grandes, os cenários são casas isoladas e ambientações escuras. A abertura do filme também é bastante datada. Através de desenhos de gatos, somos apresentados aos créditos.

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Apesar das qualidades, A Maldição dos Gatos é um filme que também possui algumas falhas gritantes. A principal delas é referente às cenas nas quais os bichanos vão atacar algum humano indefeso. As patas de gatos de plástico realmente não convencem ninguém, além de alguns efeitos especiais que poderiam, mesmo na década de 1970, terem sido mais bem planejados, ou simplesmente retirados da trama.

Mas talvez o cartão de identidade do filme seja mesmo a presença de Peter Cushing. Ele faz parte do seleto time dos atores sagrados do gênero do horror formado por Bela Lugosi, Boris Karloff, John Carradine, Vincent Price e Christopher Lee. Inglês, ele participou de filmes como A Múmia (1959), A Ilha do Terror (1966), além de ter sido um dos vilões de Star Wars – Episódio 4 (1977). Infelizmente, em A Maldição dos Gatos, Cushing tem uma participação pequena e apenas faz a ligação entre as tramas. Mesmo assim, é sempre um prazer vê-lo em cena.

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A Maldição dos Gatos não vai ser um filme que vai deixar você sem dormir, ou jogar pedra no primeiro gato que encontrar na rua. Se você for fã desses bichos, talvez nem goste de vê-los tão malvados como nestas histórias. Mas talvez seja o simples fato dos gatos sempre terem sido vistos como animais ligados a crendice popular que tornem essa produção interessante. Não deixa de ser mais um interessante capítulo na já famosa filmografia felina do gênero.

MIADOS

Os gatos sempre foram associados a elementos supersticiosos. Acompanhe um pouco da vida dos bichanos através da história da humanidade. No Antigo Egito, acreditava-se que os gatos eram condutores da alma dos mortos. Mesmo em culturas em que foram adorados como divindades, os gatos não escaparam às torturas e mortes terríveis, devidas a seus supostos poderes sobrenaturais.

Na Europa medieval, além de queimados nas fogueiras por feitiçaria, os gatos eram emparedados vivos dentro de edifícios em construção, para que o prédio não fosse atacado por roedores ou espíritos malignos. Gatos pretos foram perseguidos por supostas ligações com o demônio.

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No Japão, um gato com a pata levantada é um dos símbolos da boa sorte, conhecido por Maneki-Neko, e o gato é ainda hoje usado como talismã pelos marinheiros durante as tempestades.

Na Tailândia, onde se acreditava que as almas das pessoas muito evoluídas migravam para o corpo de um gato e depois subia aos céus, havia um ritual em que um gato era enterrado vivo junto com o morto. No túmulo havia um buraco para que o animal saísse, e assim os monges sabiam que a alma já havia penetrado em seu corpo. Na China, atribuía-se aos gatos o poder de se vingarem dos seus assassinos.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista com Mestrando em Comunicação. Fã de Cinema, mas com gosto especial para filmes de Terror. Para ele, o gênero vai muito além de sangue e morte.

Um comentário em “A Maldição dos Gatos (1977)

  • 13/12/2016 em 01:48
    Permalink

    Vim correndo achando que era Strays (1991) que passou muitas vezes no Cinema em Casa.

    Fica a sugestão para um artigo fututo.

    Resposta

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