Críticas

Além da Imaginação: O Túmulo Submerso (1963)

Um episódio que merece uma atenção especial por sua temática de horror e história de fantasmas!

Além da Imaginação (1963)

Além da Imaginação: O Túmulo Submerso
Original:The Twilight Zone: The Thirty-Fathom Grave
Ano:1963•País:EUA
Direção:Perry Lafferty
Roteiro:Rod Serling
Produção:Herbert Hirschman
Elenco:Mike Kellin, Simon Oakland, David Sheiner, John Considine, Bill Bixby, Tony Call, Derrick Lewis, Conlan Carter, Charles Kuenstle, Forrest Compton, Henry Scott, Vince Bagetta, Louie Elias

Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação.

Esse é o nostálgico e memorável texto de abertura de todos os episódios de uma das mais fantásticas e imortais séries de televisão de ficção científica, horror e fantasia de todos os tempos: Além da Imaginação (The Twilight Zone, 1959/1964). A introdução é narrada por seu criador Rod Serling, que também é o responsável por outra série similar do início dos anos 1970, Galeria do Terror (Night Gallery, 1970/1972), que teve um filme piloto chamado Retrato de Um Pesadelo, dividido em três episódios independentes e onde curiosamente um deles foi dirigido por Steven Spielberg em sua estreia profissional.

Serling, juntamente com os escritores Richard Matheson e Charles Beaumont, são os autores da maior parte dos roteiros de Além da Imaginação, com seus inesquecíveis episódios com temática fantástica, abordando histórias com elementos sobrenaturais ou inexplicáveis, como viagens no tempo, mundos paralelos, robôs, androides, viagens espaciais, alienígenas, assombrações, fantasmas, vampiros, demônios, monstros e todo tipo de situações misteriosas e estranhas ambientadas na chamada Zona do Crepúsculo (Twilight Zone, do título original).

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A série teve 138 episódios de 25 minutos de duração cada, e mais 18 episódios de 50 minutos num total de 5 temporadas. Produzida em preto e branco e filmada com baixo orçamento, sem grandes efeitos especiais, sua maior qualidade está no alto nível das histórias com o melhor do horror e ficção científica de uma época de ouro do cinema fantástico, comprovado também por outras séries similares e do mesmo período como Alfred Hitchcock Apresenta (Alfred Hithcock Presents, 1955/1961, com 260 episódios de 25 minutos) e Quinta Dimensão (The Outer Limits, 1963/1964, com 49 episódios de 50 minutos).

Em 1983 foi lançado o filme No Limite da Realidade (The Twilight Zone – The Movie), dividido em quatro episódios e produzido por Spielberg como uma homenagem a Rod Serling e a série original. E pouco tempo depois, em 1985 foi produzida a nova versão para Além da Imaginação, só que desta vez a cores. Ainda no mesmo ano foi lançada outra série nos mesmos moldes, Histórias Fantásticas (Amazing Stories, 44 episódios de 25 minutos), com o filme piloto Contos Assombrosos apresentando três histórias. Ambas as séries não conseguiram atingir o mesmo nível daquelas saudosas das décadas de 1950 e 60, apesar da participação de grandes nomes nos projetos como John Landis, Joe Dante, Robert Zemeckis, Wes Craven, Richard Donner, George Miller, William Friedkin e Steven Spielberg, e em pouco tempo ambas foram canceladas.

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Voltando ao original preto e branco de Além da Imaginação, um episódio que merece uma atenção especial por sua temática de horror e história de fantasmas é O Túmulo Submerso (The Thirty-Fathom Grave), com duração de 50 minutos e escrito pelo genial Rod Serling, sobre uma missão naval de rotina da marinha americana em 1963 que é interceptada por um misterioso ruído vindo de um submarino naufragado há mais de 20 anos na Segunda Guerra Mundial.

Incidente à 100 milhas da Costa de Guadalcanal. Época presente. Um destroyer da marinha dos Estados Unidos num cruzeiro dos mais monótonos. Dentro em pouco mandarão um homem descer à 30 braças e apurar a origem do ocorrido. Alguém ou alguma coisa está batendo no metal. Talvez se possa, talvez não, ver os resultados num relatório naval, porque o Capitão Beecham e sua tripulação entraram com este navio num rumo que o levará e a todos que nele se encontram, além da imaginação.

Com esta introdução narrada por Serling, inicia-se mais uma história fantástica, dessa vez ambientada num navio militar no Oceano Pacífico Sul em 1963. Ao interceptar um estranho barulho seco, como batidas contra algo metálico, vindas do fundo do mar, o Capitão Beecham (Simon Oakland) ordena à tripulação para parar o navio e averiguar o ocorrido. Um mergulhador é enviado ao mar e descobre um submarino de 300 pés de comprimento e 23 pés de largura semi enterrado no fundo, com sinais de destruição por bombas e projéteis em seu casco. De seu interior são ouvidos ruídos misteriosos que podem indicar algum sobrevivente em busca de socorro. Mais tarde descobre-se também através de seu número de série (714) que se trata de uma embarcação americana que naufragou em 07/08/1942 em combate contra os japoneses na Segunda Guerra Mundial.

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Enquanto isso, um dos marinheiros do navio, Chefe Bell (Mike Kellin) começa a ter estranhos delírios e alucinações, sentindo como se homens o estivessem chamando, e tendo visões de fantasmas de marinheiros mortos do submarino naufragado. As batidas metálicas persistem e então o Capitão Beecham resolve chamar uma equipe de salvamento para o submarino, apesar da improbabilidade de sobreviventes na embarcação afundada há muitos anos. Enquanto a equipe de resgate faz seu trabalho no submarino abatido, é revelada uma misteriosa relação entre o Chefe Bell e o túmulo submerso de trinta toneladas.

Uma fantástica história de horror, fantasmas e psicose com as seguintes palavras do narrador Rod Serling encerrando o episódio. Uma pequena missão naval no mês de abril de 1963. Não constará de nenhum anal histórico mas será arquivado sob a letra C de Caçada além da imaginação.

Curiosamente, uma frase do Capitão Beecham reforça ainda mais a irracionalidade da guerra. … a pior coisa que a guerra faz não é apenas o que ela faz aos corpos, mas o que ela faz às mentes. E um fato real acontecido há pouco tempo nos mares gelados do norte da Europa indica uma forte relação com esse episódio de Além da Imaginação. Trata-se do naufrágio de um submarino russo devido a um acidente, e que vitimou com uma morte horrenda dezenas de marinheiros num túmulo submerso.

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