Críticas

Creepshow 2 – Show de Horrores (1987)

Sofre com a falta de uma produção melhorzinha, mas ainda assim é um bom passatempo para quem gosta destes filmes divididos em episódios!

Creepshow 2 (1987)

Creepshow 2 - Show de Horrores
Original:Creepshow 2
Ano:1987•País:EUA
Direção:Michael Gornick
Roteiro:George A. Romero, Stephen King, Lucille Fletcher
Produção:David Ball
Elenco:Domenick John, Tom Savini, George Kennedy, Philip Dore, Dorothy Lamour, Don Harvey, Daniel Beer, Tom Wright, Stephen King, Joe Silver

Filmes de horror com histórias curtas, unidas por um fio condutor, são um subgênero bastante antigo e popular. Em meus alfarrábios não tenho informações sobre como começou esta onda, mas um dos filmes mais antigos que lembro neste modelo é o clássico Na Solidão da Noite (Dead of Night), de 1945. Este mostrava pessoas que se reúnem numa casa de campo e começam a contar histórias de horror, enquanto um deles lembra que havia sonhado tudo aquilo na noite anterior.

O subgênero se estabeleceu e tornou-se popular principalmente nos anos 60 e 70, quando diversas produções foram rodadas na Inglaterra pelas produtoras Hammer e Amicus. Entre os títulos mais famosos, As Profecias do Dr. Terror, Testemunhas da Loucura, Trama Sinistra, As Torturas do Dr. Diabolo, A Casa que Pingava Sangue, entre outros, sempre estrelados por ídolos da época, tipo Peter Cushing, Christopher Lee e Vincent Price. Em 1982, o mestre do horror George A. Romero, aquele da famosa série dos mortos-vivos, quis fazer o seu próprio “filme de historinhas“. Assim surgiu o excelente Creepshow, de 1982, cujo roteiro teve uma mãozinha do escritor Stephen King.

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Creepshow começava com um pai violento (Tom Atkins) proibindo um garoto de ler uma revista em quadrinhos de terror chamada “Creepshow“. Ele jogava fora a revista e o vento fazia as páginas virarem na lixeira, quando o filme passava a “contar” as histórias da revista. Eram cinco histórias curtas envolvendo zumbis, vinganças sobrenaturais, meteoros, monstros e até um nojento ataque de baratas. Cada segmento era entremeado por desenhos, como se fosse, realmente, uma história em quadrinhos. E o filme terminava voltando à situação inicial, quando o garoto que perdeu a revista dava o troco no seu pai.

Um grande sucesso de público e crítica, Creepshow fez escola e deu origem a diversas imitações durante a década de 80. Inclusive incentivou o surgimento de séries como Tales of the Crypt (Contos da Cripta) e seus filmes para o cinema, além de uma série paralela chamada Tales of the Darkside (Contos da Escuridão), que também teve um filme para o cinema, em 1990. Resultou, ainda, em uma continuação realizada cinco anos depois, chamada Creepshow 2, e lançada no Brasil com o título Show de Horrores, sem qualquer informação de que se trata de uma seqüência.

Infelizmente, Creepshow 2 é fraco se comparado ao original (que ainda tinha o mérito de contar com vários atores famosos de ontem e de hoje, como Adrianne Barbeau, Ed Harris, Ted Danson e Leslie Nielsen). A sequência também perdeu a mão firme de George A. Romero na direção, já que ele agora passou a roteirista, ao lado de Stephen King e de Lucille Fletcher (não-creditada). Na direção ficou o fraquinho Michael Gornick, que foi diretor de fotografia em vários filmes de Romero (inclusive Dawn of the Dead e o Creepshow original), e tinha prática em filmar episódios pois trabalhava na série televisiva Tales of the Darkside.

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Creepshow 2 começa com um garoto chamado Billy indo comprar o novo número da revista Creepshow direto do distribuidor, um monstrengo chamado The Creep, que é interpretado por Tom Savini. Ele joga um pacote de revistas ao chão e então o que era filme se transforma em desenho animado. É o próprio Creep que narra as histórias desta vez. Num interessante efeito cênico, a primeira e última imagens de cada história são representadas também em desenho, como se fossem quadrinhos da revista comprada pelo garoto (o mesmo artifício foi utilizado no filme original).

A primeira história se chama Old Chief Wooden Head (O Velho Chefe Cabeça de Madeira), e é a mais fraca de todas. Os veteranos George Kennedy (lembram da trilogia Corra que a Polícia Vem Aí?) e Dorothy Lamour (que trabalhou com o famoso Cecil B. De Mille e morreu em 1996) interpretam o casal Ray e Martha Spruce, que têm um armazém no meio do deserto. Na frente do estabelecimento, um velho índio feito de madeira, cuja pintura Ray retoca todo dia. Certa manhã, o casal recebe a visita de um velho chefe índio, Ben Whitemoon (Frank Salsedo), que diz não ter dinheiro para pagar uma dívida no armazém, e então presenteia Ray com as valiosas jóias da sua tribo.

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Mal o pele-vermelha deixa o armazém e o local é assaltado por três jovens arruaceiros. Um deles é Sam, sobrinho de Ben, que quer roubar as jóias da tribo para ir a Hollywood tentar a carreira de ator. No mal-sucedido assalto, Sam acaba matando o casal de velhos e o trio foge com dinheiro e jóias. Porém, naquela noite, serão visitados pelo velho índio de madeira de Ray, que os mata brutalmente (embora a violência seja nula). A história é fraquinha e previsível, sem grandes novidades, mas pelo menos o índio de madeira é sinistro, e as cenas em que ele aparecem valem uma olhada.

A coisa melhora na segunda história, que de longe é a melhor da coletânea. Chamada The Raft, ou A Balsa, é inspirada num conto de Stephen King que está no péssimo livro “Tripulação de Esqueletos“. Dois casais de adolescentes viajam 80km até um lago afastado da civilização para passar a tarde fumando maconha e transando numa velha balsa. Eles são Deke (Paul Satterfield), Laverne (Jeremy Green), Randy (Daniel Beer) e Rachel (Page Hannah). Enquanto nadam até a balsa, que fica bem no meio do lago, Randy percebe, apavorado, que existe uma imensa mancha de óleo nas proximidades, que parece ter vida própria. Quando ela devora uma gaivota que voava rente à água, o rapaz começa a pensar que pode ser algum tipo de criatura monstruosa. Logo, os quatro jovens são cercados pela mancha no meio da balsa, sem possibilidade de sair, já que a criatura devora rapidamente qualquer um que se aproxime da água.

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Com seu cenário claustrofóbico (os jovens confinados ao reduzido espaço da balsa, bem no meio de um lago enorme, sem qualquer possibilidade de fuga ou de pedir ajuda), A Balsa é a história com mais suspense e tensão. Além disso, os melequentos efeitos especiais quando alguém é agarrado pela mancha de óleo são uma atração à parte, mostrando as vítimas parcialmente digeridas (ou seria corroídas?) por uma viscosa e nojenta substância negra. Não bastasse tudo isso, o episódio ainda tem o melhor final, uma conclusão irônica daquelas de deixar o espectador embasbacado, sem saber se dá risada ou chora!!!

Por fim, temos o último segmento, The Hitchhicker (O Carona). A belíssima Lois Chiles (que foi bondgirl em 007 Contra o Foguete da Morte, aquele filmado no Rio de Janeiro) interpreta Annie Lansing, uma mulher madura casada com um advogado riquíssimo, mas que periodicamente se encontra com um garoto de programa. Certa noite, por uma falha no despertador do rapaz, Anne acorda tarde demais e tem pouquíssimo tempo para dirigir de volta para casa antes que o marido chegue e perceba que ela não está lá. Em meio à pressa, ela perde o controle do carro, sai da estrada e acaba atropelando um rapaz negro que pedia carona.

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Desesperada e com medo de que alguém apareça – afinal, seu marido não pode saber onde ela andava -, Anne foge deixando para trás o atropelado, que morre. Só que, como todos nós sabemos, quem é morto injustamente em filmes de horror sempre tem uma chance de voltar para se vingar (que pena que na vida real não é assim!), e então o caroneiro volta como zumbi para atormentar a atropeladora, sempre dizendo, com uma voz espectral: “Thanks for the ride, thanks for the ride!” (Obrigado pela carona!).

Aliás, quem viu este filme na Globo deve se lembrar da antológica dublagem, de forma que o “Obrigado pela caronaaa!” fica marcado para sempre na memória. Esta última história é mais de humor negro do que de horror, com Anne tentando desesperadamente se livrar do caroneiro zumbi, atropelando-o cada vez que ele retorna, mutilando mais e mais o cadáver até a conclusão previsível.

Creepshow 2 então termina com mais desenho animado, mostrando o garoto Billy fugindo de um grupo de encrenqueiros até uma propriedade abandonada, onde ele cultivou plantas carnívoras (!!!) para dar um jeito em seus inimigos… Originalmente, o filme teria ainda uma quarta história escrita por Stephen King, chamada The Cat from Hell, que foi deixada de fora nas filmagens e acabou aproveitada no filme Contos da Escuridão, de 1990 (é uma sobre um assassino profissional contratado por um milionário para matar um gato demoníaco). Uma pena, pois a história era muito boa e poderia muito bem ter ficado no lugar do fraquíssimo episódio com o chefe cabeça de madeira.

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Sendo apenas três episódios, cada um deles ficou com cerca de meia hora de duração, e dá para ver que o roteirista teve que enrolar bastante em alguns casos (como na primeira história) para preencher o tempo mínimo de duração. Descontando a ruindade do primeiro episódio e a conclusão previsível e sem surpresas do terceiro, Creepshow 2 vale uma olhada, principalmente pelo já clássico segmento da balsa. O filme sofre com a falta de uma produção melhorzinha, mas ainda assim é um bom passatempo para quem gosta destes filmes divididos em episódios – um subgênero que, infelizmente, anda meio esquecido e bem que merecia uma ressuscitada.

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9 Comentários

  1. Edvander

    Você é louco de chamar o tripulação de esqueletos de péssimo? Parei de ler sua resenha na hora.

  2. RENATO MARIANO

    ADOREI ESSE FILME QUANDO PASSOU PELA PRIMEIRA VEZ NA TV,DEIXOU UM GOSTINHO DE QUERO MAIS,PRA MIN É UM CLÁSSICO A HISTÓRIA DA BALSA É SENSACIONAL.

  3. Mario

    Louco! Chamar o otimo tripulação de esqueletos de pessimo livro. Devia ter vergonha de mostrar a cara. Sem comentários

  4. renato

    chamar a obra prima “tripulação de esqueletos” de fraco é forçar demais, o livro tem ótimos contos q dariam material para mais 10 filmes do gênero, pena q ninguém filma mais contos…

  5. Leo

    Péssimo livro “Tripulação de Esqueletos“ ?? Cada um tem sua opinião, mas péssimo é exagero. Quanto ao filme, é clássico, destaque p/ o conto da balsa que é ótimo !!!

  6. eduardo

    cara eu procuro esse filme a anos , mas só encontro legendado e quando encontro dublado é com um péssimo áudio e chiando muito asilando as vezes dublado e as vezes inglês queria encontrar com aquela dublagem que a globo fez a alguns anos como consigo cara ?

  7. Ismael Monteiro

    Outro clássico das madrugadas da globo nos anos 90 , bons tempos !!!

  8. Gilson bloch

    Quero muito assistir..

    • kesker

      Morria de medo do episódio da balsa!

      MUITO BOM!

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