A Vingança de Jennifer (1978)

A Vingança de Jennifer (1978)

[Filme poster=”http://bocadoinferno.com.br/wp-content/uploads/2014/12/A-Vingança-de-Jennifer-1978-17.jpg” nacional=”A Vingança de Jennifer” ano=”1978″ original=”Day of the Woman / I Spit on Your Grave” pais=”EUA” diretor=”Meir Zarchi” roteiro=”Meir Zarchi” produtora=”Meir Zarchi, Joseph Zbeda” elenco=”Camille Keaton, Eron Tabor, Richard Pace, Anthony Nichols, Gunter Kleemann, Alexis Magnotti, Tammy Zarchi, Terry Zarchi, Traci Ferrante”]

[Avaliação nota=”3-5″]

Até onde uma pessoa que sofreu violência física e psicológica tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos? Será que a única resposta para a violência é mais violência? Mas respondendo a uma agressão com mais agressão, a vítima não estaria sendo tão “” quanto seus algozes?

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São questões interessantes, mas você NÃO vai saber a resposta delas assistindo ao filme A Vingança de Jennifer (“I Spit in Your Grave”/”Day of the Woman”), uma produção de sexploitation (exploração abusiva de sexo e violência) realizada nos anos 70 e ainda forte e chocante. O roteiro não se preocupa em abordar estas questões, mas sim em mostrar, com o máximo de brutalidade e realismo, a vingança de uma garota violentada contra seus estupradores.Por esta introdução, pode parecer uma bomba completa e sensacionalista. Aí é que vem a surpresa: A Vingança de Jennifer é um ótimo filme. Descontando certo abuso na violência (especialmente na agressão sexual contra a “heroína“), o filme é bem dirigido, bem interpretado, evita soluções fáceis ou inverossímeis e tem ritmo narrativo que não poupa o espectador.

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A Vingança de Jennifer originalmente se chamava “I Spit in Your Grave” (“Eu Cuspo na Sua Sepultura”), o que ressaltava o tom nu e cru da abordagem da “justiça acima da lei“. Mas os produtores acharam muito forte e apelativo, mudando depois do lançamento nos cinemas para “Day of the Woman” (“O Dia da Mulher”). Alguns cartazes ainda usaram um título mais apelativo: “Rape and Revenge of Jennifer Hill” (“Estupro e Vingança de Jennifer Hill”).

Trata-se de uma produção barata e independente (um filme assim não poderia ser feito por um grande estúdio) que deixa o espectador agoniado justamente por não tratar de um tema sobrenatural, mas sim de um horror tão comum que faz parte do nosso dia-a-dia, especialmente de quem vive em grandes cidades. É uma história onde os vilões não são monstros ou psicopatas, mas sim pessoas comuns que, de uma hora para a outra, tomam atitudes impensadas e agem com violência.

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A melhor definição para o filme ainda é a frase no cartaz original: “Esta mulher apenas cortou, destruiu e queimou quatro homens, mas nenhum júri na América irá condená-la“. A história é tão simples que chega a ser impressionante como mantém o espectador interessado durante 100 minutos: Jennifer (Camille Keaton, que nunca teve outro papel de destaque no cinema) é uma aspirante a escritora que vive numa metrópole (Nova York) e resolve passar o verão no campo, em busca de inspiração para seu primeiro romance. Ela aluga uma casa numa pequena comunidade de pescadores, onde busca apenas paz e sossego.

Como o lugar é pequeno e todo mundo se conhece, Jennifer logo chama a atenção de um grupo de encrenqueiros locais, liderados por Johnny (Eron Tabor), o proprietário de um posto de gasolina. Quando Jennifer conhece Matthew (Richard Pace), um retardado mental que trabalha como entregador do supermercado, a tragédia está armada. Matthew conta a Johnny que está apaixonado por Jennifer. Numa pescaria onde estão os dois mais Stanley (Anthony Nichols) e Andy (Gunther Kleemann), o assunto vem à tona e os quatro chegam à conclusão de que a garota da cidade grande está “abusando da sorte“, andando sempre com roupas curtas ou biquíni, e resolvem dar o troco.

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Sem mais nem menos, o filme salta direto para o ataque selvagem dos quatro homens à garota, sem qualquer justificativa ou explicação, ou mesmo planejamento do crime. Eles estupram Jennifer sem piedade múltiplas vezes, espancam a moça e deixam-na para morrer. A violência sexual é tão forte que parece que o espectador assiste a um snuff movie; tanto que o filme foi cortado em quatro minutos nos Estados Unidos (a cópia lançada no Brasil está completa).

Encerrado o “trabalho“, Johnny manda Matthew matar a garota para que ela não conte a ninguém sobre o ataque. Mas ele não tem coragem, então mente para os amigos que deu um fim na moça, deixando-a viver. Humilhada e severamente ferida, Jennifer fica duas semanas se recuperando e preparando sua vingança. Quando ela vai à igreja e pede perdão a Deus, já passou uma hora de filme. E os próximos 40 minutos serão tão violentos como os primeiros.

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Jennifer começa a procurar os quatro agressores um a um, prometendo sexo, quando na verdade eles só terão uma morte cruel. Ela executa Matthew por primeiro, sufocando-o sem piedade – em uma cena grosseira e chocante. Depois os três restantes vão perecendo de forma ainda mais brutal. A cena mais aterradora do filme é aquela em que Jennifer seduz Johnny, levando-o para um banho quente na banheira, uma desculpa para castrá-lo e deixá-lo morrer por perda de sangue. Os gritos desesperados do homem castrado, que não consegue parar o sangramento, compõem uma das mortes mais fortes do cinema de horror.

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A Vingança de Jennifer segue violento até o final, sem nunca perdoar o espectador ou dar um descanso. Não tem humor nem piadas, e, reparem, nem ao menos trilha sonora. Nas cenas do estupro e dos assassinatos, a única coisa que escutamos são os gritos desesperados. E isso torna o filme horripilante como poucos.

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Outro mérito da produção é não cair para o lado do “heroísmo individual“, tão característico de filmes com o tema “justiça com as próprias mãos“. Peguem Desejo de Matar, com Charles Bronson, por exemplo. Depois que sua esposa é assassinada e sua filha estuprada, o herói decide responder aos agressores caçando e matando o grupo, um a um. Mas o espectador simpatiza com o herói. É algo na linha “bandido bom é bandido morto“.

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Mas não é o caso de A Vingança de Jennifer. Em determinado momento, a vingança da mocinha atinge um nível tão brutal e tão cruel que o espectador chega a ficar com pena das vítimas, ou seja, aqueles mesmos homens selvagens que a violentaram momentos antes! Trata-se de um verdadeiro antagonismo: a mocinha responde aos “vilões” com a mesma crueldade e selvageria que eles usaram contra ela. Isso não a torna, também, uma vilã?

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O roteiro do próprio diretor, Meir Zarchi, não quer julgar ninguém. O filme não tenta nos convencer de que Jennifer está certa ao despachar brutalmente seus estupradores para o outro mundo. Tudo que o diretor faz é catalogar a matança e a violência. Dentro desta ideia, o filme fica acima da média.

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Resumindo: uma história sem novidades (reparem que ela praticamente se divide entre mostrar a violência contra a moça e a vingança da moça violentada), sensacionalista ao extremo, mas muito bem contada e chocante o suficiente para garantir seu espaço entre os melhores filmes de sexploitation já feitos. Quem é do ramo, ou gosta de produções fortes, não pode perder esta preciosidade. Sádicos e masoquistas também vão curtir.

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E para finalizar, uma curiosidade: Camille Keaton ficou tão marcada pelo papel de Jennifer que em 1993, em sua última aparição no cinema (aposentou-se logo depois), ela voltou ao papel de mulher estuprada em busca de vingança. O filme, chamado Savage Vengeance (“Vingança Selvagem”), foi lançado nos EUA com o enganoso título de “I Spit in Your Grave 2“. Já pensou uma continuação onde a mesma moça fosse estuprada novamente e matasse seus algozes? Assim é forçado, né? hehehehehe

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O sucesso de A Vingança de Jennifer gerou outros filmes sensacionalistas com o mesmo fiapo de história (mulher estuprada que mata os estupradores), onde destaco Vingança Nua (“Naked Vengeance”), feito em 1985 pelo cineasta filipino e picareta Cirio H. Santiago. A história é uma merda (e copia algumas mortes de A Vingança de Jennifer), mas o filme é totalmente splatter, com muitos efeitos sangrentos e repulsivos. Confira, se tiver estômago.

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

12 comentários em “A Vingança de Jennifer (1978)

  • 23/09/2017 em 21:08
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    Não consigo gastar dinheiro com filmes que mostram unicamente o sofrimento alheio, sem mencionar que acho pavoroso o pensamento masculino tentando justificar estupro

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  • 26/12/2016 em 13:50
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    Alguém sabe me dizer ainde acho este filme pra assistir ?

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  • 24/08/2016 em 10:18
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    filme tosco! quase sem falas, sem emoção nas atuações dos personagens, eu não gostei! o remake dá de mil!, fora que o estupro parecia mesmo “real”(se é que não foi ne), tanto no primeiro filme, como no segundo!… eu gostei dos 2

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  • 27/07/2016 em 07:06
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    Quando estava lendo, pensei que se tratava do filme DOCE VINGANÇA.

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    • Silvana Perez
      27/07/2016 em 09:50
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      Doce Vingança é o remake de A Vingança de Jennifer.

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  • 23/03/2016 em 16:04
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    nao sinto pena em momento algum desses malditos que a estupraram alias a crueldade dela ainda foi pouca

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    • 24/08/2016 em 10:20
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      eu sinti prazer ao ver ela se vingando hahahaha

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  • 31/01/2016 em 16:00
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    Um filme BB. Brutal e Brilhante.
    Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos.

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  • 28/01/2015 em 15:38
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    Eu gosto desse filme, diferente do remake horroroso os personagens são pessoas comuns e mais reais do que aqueles “modelos” da refilmagem!

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    • 03/09/2016 em 00:58
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      São comuns porque naquele tempo eram comuns os “modelos” são os comuns de hoje em dia

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  • 22/12/2014 em 20:57
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    Um Filme Sensacional!!!!!!!!!!!!!
    Não me lembro de ter visto um filme tão Brutal e tão Brilhante!!!!!!
    Esses são os B’s usados por mim para descrever este filme: BRUTAL e BRILHANTE, porque “I SPIT ON YOUR GRAVE” consegue ser ambos.
    Brutal por motivos óbvios e Brilhante porque é Brilhante! Simples assim!!!!
    Diferente de CANNIBAL HOLOCAUST, o péssimo HALLOWEEN de Rob Zombie e mais alguns, as cenas do estupro de Jennifer não me chocaram, talvez porque não há trilha sonora no filme… Não sei.
    Não vou mentir – ODEIO ver cenas de estupro; acho simplesmente desnecessárias, em qualquer filme. Mas aqui, elas conseguem ser brutais, sim, mas consegui vê-las até o final.
    E o que dizer da Vingança? Que Vingança! Cada morte é pior que a anterior, e consegui torcer por Jennifer em cada uma delas!!!!!
    Enfim, I SPIT ON YOUR GRAVE é um filme BRUTAL e BRILHANTE, diferente do remake horroroso, que, sim, conseguiu me chocar; não pelas cenas violentas, mas por ser tão ruim!!!!!!!!!!!!!
    Muito melhor assistir a esse pequeno Clássico do Exploitation, e, de quebra, ver o triunfal retorno de Camille Keaton ao cinema em THE BUTTERFLY ROOM, onde ela divide a cena com a maior estrela do Cinema de Horror: Barbara Steele!!!!!!!!
    Altamente recomendado!!!!!!!!!!!!

    10/10

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