Críticas

A Vingança de Jennifer (1978)

“Esta mulher apenas cortou, destruiu e queimou quatro homens, mas nenhum júri na América irá condená-la”

A Vingança de Jennifer (1978)

A Vingança de Jennifer
Original:Day of the Woman / I Spit on Your Grave
Ano:1978•País:EUA
Direção:Meir Zarchi
Roteiro:Meir Zarchi
Produção:Meir Zarchi, Joseph Zbeda
Elenco:Camille Keaton, Eron Tabor, Richard Pace, Anthony Nichols, Gunter Kleemann, Alexis Magnotti, Tammy Zarchi, Terry Zarchi, Traci Ferrante

Até onde uma pessoa que sofreu violência física e psicológica tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos? Será que a única resposta para a violência é mais violência? Mas respondendo a uma agressão com mais agressão, a vítima não estaria sendo tão “” quanto seus algozes?

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São questões interessantes, mas você NÃO vai saber a resposta delas assistindo ao filme A Vingança de Jennifer (“I Spit in Your Grave”/”Day of the Woman”), uma produção de sexploitation (exploração abusiva de sexo e violência) realizada nos anos 70 e ainda forte e chocante. O roteiro não se preocupa em abordar estas questões, mas sim em mostrar, com o máximo de brutalidade e realismo, a vingança de uma garota violentada contra seus estupradores.Por esta introdução, pode parecer uma bomba completa e sensacionalista. Aí é que vem a surpresa: A Vingança de Jennifer é um ótimo filme. Descontando certo abuso na violência (especialmente na agressão sexual contra a “heroína“), o filme é bem dirigido, bem interpretado, evita soluções fáceis ou inverossímeis e tem ritmo narrativo que não poupa o espectador.

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A Vingança de Jennifer originalmente se chamava “I Spit in Your Grave” (“Eu Cuspo na Sua Sepultura”), o que ressaltava o tom nu e cru da abordagem da “justiça acima da lei“. Mas os produtores acharam muito forte e apelativo, mudando depois do lançamento nos cinemas para “Day of the Woman” (“O Dia da Mulher”). Alguns cartazes ainda usaram um título mais apelativo: “Rape and Revenge of Jennifer Hill” (“Estupro e Vingança de Jennifer Hill”).

Trata-se de uma produção barata e independente (um filme assim não poderia ser feito por um grande estúdio) que deixa o espectador agoniado justamente por não tratar de um tema sobrenatural, mas sim de um horror tão comum que faz parte do nosso dia-a-dia, especialmente de quem vive em grandes cidades. É uma história onde os vilões não são monstros ou psicopatas, mas sim pessoas comuns que, de uma hora para a outra, tomam atitudes impensadas e agem com violência.

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A melhor definição para o filme ainda é a frase no cartaz original: “Esta mulher apenas cortou, destruiu e queimou quatro homens, mas nenhum júri na América irá condená-la“. A história é tão simples que chega a ser impressionante como mantém o espectador interessado durante 100 minutos: Jennifer (Camille Keaton, que nunca teve outro papel de destaque no cinema) é uma aspirante a escritora que vive numa metrópole (Nova York) e resolve passar o verão no campo, em busca de inspiração para seu primeiro romance. Ela aluga uma casa numa pequena comunidade de pescadores, onde busca apenas paz e sossego.

Como o lugar é pequeno e todo mundo se conhece, Jennifer logo chama a atenção de um grupo de encrenqueiros locais, liderados por Johnny (Eron Tabor), o proprietário de um posto de gasolina. Quando Jennifer conhece Matthew (Richard Pace), um retardado mental que trabalha como entregador do supermercado, a tragédia está armada. Matthew conta a Johnny que está apaixonado por Jennifer. Numa pescaria onde estão os dois mais Stanley (Anthony Nichols) e Andy (Gunther Kleemann), o assunto vem à tona e os quatro chegam à conclusão de que a garota da cidade grande está “abusando da sorte“, andando sempre com roupas curtas ou biquíni, e resolvem dar o troco.

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Sem mais nem menos, o filme salta direto para o ataque selvagem dos quatro homens à garota, sem qualquer justificativa ou explicação, ou mesmo planejamento do crime. Eles estupram Jennifer sem piedade múltiplas vezes, espancam a moça e deixam-na para morrer. A violência sexual é tão forte que parece que o espectador assiste a um snuff movie; tanto que o filme foi cortado em quatro minutos nos Estados Unidos (a cópia lançada no Brasil está completa).

Encerrado o “trabalho“, Johnny manda Matthew matar a garota para que ela não conte a ninguém sobre o ataque. Mas ele não tem coragem, então mente para os amigos que deu um fim na moça, deixando-a viver. Humilhada e severamente ferida, Jennifer fica duas semanas se recuperando e preparando sua vingança. Quando ela vai à igreja e pede perdão a Deus, já passou uma hora de filme. E os próximos 40 minutos serão tão violentos como os primeiros.

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Jennifer começa a procurar os quatro agressores um a um, prometendo sexo, quando na verdade eles só terão uma morte cruel. Ela executa Matthew por primeiro, sufocando-o sem piedade – em uma cena grosseira e chocante. Depois os três restantes vão perecendo de forma ainda mais brutal. A cena mais aterradora do filme é aquela em que Jennifer seduz Johnny, levando-o para um banho quente na banheira, uma desculpa para castrá-lo e deixá-lo morrer por perda de sangue. Os gritos desesperados do homem castrado, que não consegue parar o sangramento, compõem uma das mortes mais fortes do cinema de horror.

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A Vingança de Jennifer segue violento até o final, sem nunca perdoar o espectador ou dar um descanso. Não tem humor nem piadas, e, reparem, nem ao menos trilha sonora. Nas cenas do estupro e dos assassinatos, a única coisa que escutamos são os gritos desesperados. E isso torna o filme horripilante como poucos.

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Outro mérito da produção é não cair para o lado do “heroísmo individual“, tão característico de filmes com o tema “justiça com as próprias mãos“. Peguem Desejo de Matar, com Charles Bronson, por exemplo. Depois que sua esposa é assassinada e sua filha estuprada, o herói decide responder aos agressores caçando e matando o grupo, um a um. Mas o espectador simpatiza com o herói. É algo na linha “bandido bom é bandido morto“.

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Mas não é o caso de A Vingança de Jennifer. Em determinado momento, a vingança da mocinha atinge um nível tão brutal e tão cruel que o espectador chega a ficar com pena das vítimas, ou seja, aqueles mesmos homens selvagens que a violentaram momentos antes! Trata-se de um verdadeiro antagonismo: a mocinha responde aos “vilões” com a mesma crueldade e selvageria que eles usaram contra ela. Isso não a torna, também, uma vilã?

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O roteiro do próprio diretor, Meir Zarchi, não quer julgar ninguém. O filme não tenta nos convencer de que Jennifer está certa ao despachar brutalmente seus estupradores para o outro mundo. Tudo que o diretor faz é catalogar a matança e a violência. Dentro desta ideia, o filme fica acima da média.

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Resumindo: uma história sem novidades (reparem que ela praticamente se divide entre mostrar a violência contra a moça e a vingança da moça violentada), sensacionalista ao extremo, mas muito bem contada e chocante o suficiente para garantir seu espaço entre os melhores filmes de sexploitation já feitos. Quem é do ramo, ou gosta de produções fortes, não pode perder esta preciosidade. Sádicos e masoquistas também vão curtir.

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E para finalizar, uma curiosidade: Camille Keaton ficou tão marcada pelo papel de Jennifer que em 1993, em sua última aparição no cinema (aposentou-se logo depois), ela voltou ao papel de mulher estuprada em busca de vingança. O filme, chamado Savage Vengeance (“Vingança Selvagem”), foi lançado nos EUA com o enganoso título de “I Spit in Your Grave 2“. Já pensou uma continuação onde a mesma moça fosse estuprada novamente e matasse seus algozes? Assim é forçado, né? hehehehehe

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O sucesso de A Vingança de Jennifer gerou outros filmes sensacionalistas com o mesmo fiapo de história (mulher estuprada que mata os estupradores), onde destaco Vingança Nua (“Naked Vengeance”), feito em 1985 pelo cineasta filipino e picareta Cirio H. Santiago. A história é uma merda (e copia algumas mortes de A Vingança de Jennifer), mas o filme é totalmente splatter, com muitos efeitos sangrentos e repulsivos. Confira, se tiver estômago.

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12 Comentários

  1. Fernando Bezerra Mendonça

    Não consigo gastar dinheiro com filmes que mostram unicamente o sofrimento alheio, sem mencionar que acho pavoroso o pensamento masculino tentando justificar estupro

  2. Raul

    Alguém sabe me dizer ainde acho este filme pra assistir ?

    • Iara

      No YouTube tem!

  3. felipe

    filme tosco! quase sem falas, sem emoção nas atuações dos personagens, eu não gostei! o remake dá de mil!, fora que o estupro parecia mesmo “real”(se é que não foi ne), tanto no primeiro filme, como no segundo!… eu gostei dos 2

  4. Antônio Tadeu Rodrigues de Lima

    Quando estava lendo, pensei que se tratava do filme DOCE VINGANÇA.

    • Silvana Perez Silvana Perez

      Doce Vingança é o remake de A Vingança de Jennifer.

  5. nathaly ramos

    nao sinto pena em momento algum desses malditos que a estupraram alias a crueldade dela ainda foi pouca

    • felipe

      eu sinti prazer ao ver ela se vingando hahahaha

  6. MORCEGO

    Um filme BB. Brutal e Brilhante.
    Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos.

  7. Mk

    Eu gosto desse filme, diferente do remake horroroso os personagens são pessoas comuns e mais reais do que aqueles “modelos” da refilmagem!

    • jack

      São comuns porque naquele tempo eram comuns os “modelos” são os comuns de hoje em dia

  8. MORCEGO

    Um Filme Sensacional!!!!!!!!!!!!!
    Não me lembro de ter visto um filme tão Brutal e tão Brilhante!!!!!!
    Esses são os B’s usados por mim para descrever este filme: BRUTAL e BRILHANTE, porque “I SPIT ON YOUR GRAVE” consegue ser ambos.
    Brutal por motivos óbvios e Brilhante porque é Brilhante! Simples assim!!!!
    Diferente de CANNIBAL HOLOCAUST, o péssimo HALLOWEEN de Rob Zombie e mais alguns, as cenas do estupro de Jennifer não me chocaram, talvez porque não há trilha sonora no filme… Não sei.
    Não vou mentir – ODEIO ver cenas de estupro; acho simplesmente desnecessárias, em qualquer filme. Mas aqui, elas conseguem ser brutais, sim, mas consegui vê-las até o final.
    E o que dizer da Vingança? Que Vingança! Cada morte é pior que a anterior, e consegui torcer por Jennifer em cada uma delas!!!!!
    Enfim, I SPIT ON YOUR GRAVE é um filme BRUTAL e BRILHANTE, diferente do remake horroroso, que, sim, conseguiu me chocar; não pelas cenas violentas, mas por ser tão ruim!!!!!!!!!!!!!
    Muito melhor assistir a esse pequeno Clássico do Exploitation, e, de quebra, ver o triunfal retorno de Camille Keaton ao cinema em THE BUTTERFLY ROOM, onde ela divide a cena com a maior estrela do Cinema de Horror: Barbara Steele!!!!!!!!
    Altamente recomendado!!!!!!!!!!!!

    10/10

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