Críticas

Aprisionados pelo Medo (1994)

Criaturas canibais atacam em mais um filme B inspirado em H.P. Lovecraft!

Aprisionados pelo Medo (1994)

Aprisionados pelo Medo
Original:Lurking Fear
Ano:1994•País:EUA
Direção:C. Courtney Joyner
Roteiro:C. Courtney Joyner, H.P.Lovecraft
Produção:Oana Paunescu, Vlad Paunescu
Elenco:Jon Finch, Blake Adams, Ashley Laurence, Jeffrey Combs, Allison Mackie, Paul Mantee, Vincent Schiavelli, Luana Stoica, Adrian Pintea, Ilinca Goia

Uma igreja abandonada, um cemitério, uma noite de tempestade e um montão de criaturas canibais. Se a soma destes quatro fatores já renderia um excelente filme de horror, o que você diria se eu dissesse que a receita de Aprisionados pelo Medo ainda inclui uma pitada de H.P. Lovecraft (autor do conto “The Lurking Fear“, que deu origem ao roteiro do filme), uma colher e meia de Jeffrey Combs (o ator cult sempre lembrado como intérprete do dr. Herbert West na série Reanimator), uma xícara de Ashley Laurence (a heroína de Hellraiser) e uma dose concentrada de Full Moon, a produtora de filmes classe B sempre divertidos e interessantes, e que também está por trás de outros “clássicos” do gênero, como o próprio Reanimator e as franquias Puppet Master e Subspecies?

Tinha ou não tinha tudo para ser um filmaço inesquecível?

Infelizmente, Aprisionados pelo Medo fica muito aquém do seu potencial. Além do orçamento ser irrisório (a pequena miséria de um milhão de dólares, e nem um centavo a mais!), o roteiro desta produção lançada em 1994 não é dos melhores e a direção não ajuda nada. Se no primeiro caso (orçamento) a culpa é do diretor da Full Moon, Charles Band, nos dois outros quesitos (direção e roteiro pífios) existe um único culpado: C. Courtney Joyner. Mais conhecido pelo seu trabalho como roteirista de várias produções da Full Moon (tem 26 créditos, incluindo Puppet Master 3, Trancers 6 e Puppet Master Versus Demonic Toys), Joyner é um péssimo cineasta, sem qualquer inspiração e que se limita a fazer um trabalho burocrático – às vezes parece não saber nem onde posicionar a câmera. Tanto que o coitado só tem três filmes no currículo, sendo este o segundo deles. Um nome como Stuart Gordon, experiente nas adaptações da obra de H.P. Lovecraft (e quem conferiu Reanimator, Do Além, Dagon e O Castelo Maldito sabe do que eu falo) com certeza iria deitar e rolar usando este mesmo argumento. Mas Joyner realiza um trabalho que não passa do mediano.

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Para o bem ou para o mal, Aprisionados pelo Medo é pura diversão trash, e nunca entendi o porquê das críticas tão mal-humoradas em relação ao filme (no IMDB tem nota baixíssima e ganhou apenas uma estrelinha no velho “Guia de Vídeo Terror“, editado por Guilherme de Martino). Pois ele cumpre exatamente o que promete: um filme descerebrado, rápido e rasteiro para um domingo de tarde ou uma madrugada insone, daqueles que você definitivamente NÃO pode ver com os amigos, ou as risadas ensurdecedoras e comentários infames de todos irão desviar completamente a sua atenção do que acontece na tela.

A história começa com um prólogo mais interessante do que todo o resto da trama. Na pequena cidadezinha de Leffert’s Corners, Leigh Farrell (Ilinca Goia) tenta convencer a irmã Cathryn (Ashley Laurence, mais gostosa do que nunca, e erroneamente identificada nos créditos iniciais como “Ashley Lauren“) de que a noite de tempestade trará perigos mortais para ambas e para o bebê que é filho de Leigh. Segurando um revólver, a mãe preocupada dá uma outra pistola para Cathryn e ambas ficam vigiando o bebê. Um buraco na parede, onde ficava o sistema de ventilação, está barrado com tábuas. Porém, chega a madrugada e as duas moças caem no sono. Enquanto isso, duas mãos monstruosas saídas de dentro do buraco da parede agarram e arrancam as tábuas que trancam a entrada no quarto. Com um ganchinho feito de arame, a misteriosa criatura “pesca” o berço do bebê e arrasta para perto da abertura. Mas antes que a pequena vítima chegue até o buraco, Leigh e Cathryn acordam e resgatam a criança. Infelizmente, Leigh se distrai e é agarrada pelas duas mãos monstruosas, tendo o peito rasgado antes de ser arrastada para dentro do buraco.

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Corta para uma rápida passagem de tempo (de um ano, dizem alguns, mas jamais identificada no filme). John Martense, que é o narrador da história (interpretado por Blake Bailey, do igualmente trash O Cabeça da Família), está saindo da cadeia, depois de cumprir pena de cinco anos por roubo. Livre, leve e solto, ele vai direto procurar o velho amigo de seu pai, um agente funerário chamado Knaggs (o esquisito Vincent Schiavelli, que fez 156 filmes e faleceu em 2005). Quando John chega, Knaggs está conversando com um dos cadáveres que prepara para o enterro e até forçando um sorriso no rosto do morto. O agente funerário tem boas notícias para o jovem presidiário: seu falecido pai, antes de morrer, roubou uma fortuna de um cassino; Knaggs, com bom amigo, recheou um cadáver com o dinheiro e enterrou-o no cemitério de… adivinhe? Sim, Leffert’s Corners!!! Knaggs tem um mapa da fortuna, que entrega para o relutante John ir caçar o tesouro – o jovem tem medo de se encrencar novamente com a polícia e voltar para a cadeia, mas acaba cedendo ao pedido do velho amigo da família.

De volta a Leffert’s Corners, somos rapidamente apresentados a outros moradores da cidadezinha. Um deles é o médico alcoólatra dr. Haggis (Jeffrey Combs, claro, quem mais?). Aliado à agora guerrilheira Cathryn, que neste ano que passou desde a morte da irmã andou fazendo treinamento militar para vingá-la, o médico doido quer acabar de uma vez por todas com as misteriosas criaturas que vivem nos subterrâneos da cidade. E que, conforme o próprio dr. Haggis diz, andaram se alimentando indiscriminadamente dos habitantes nos últimos 20 anos. Pelos poucos comentários que ouvimos a respeito das tais criaturas, elas só aparecem em noites de tempestade (sabe-se lá porquê!!!), e têm um esconderijo que fica nos subterrâneos da igreja da cidadezinha. Um grupo de sobreviventes une-se à dupla: a grávida Maria (Cristina Stoica), que foi atacada há pouco tempo e tem medo de ficar sozinha, e Ryan (Adrian Pintea), que teve o rosto deformado em outro ataque das criaturas. O plano do grupo é cobrir o cemitério e a igreja com dinamite e explodir tudo pelos ares – talvez esquecendo que os monstros estão debaixo da terra, e não na superfície!!!

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Neste ponto, uma pausa é necessária para refletirmos: 20 anos sendo atacados, mortos e devorados por criaturas canibais e ninguém pensou em reagir antes?????? Isso sim que é aceitar as coisas… Quer dizer, é tão simples conseguir uma caixa de dinamite (nos filmes, pelo menos), enfiar no cemitério em plena luz do dia (nem precisa esperar pela noite, como os heróis de Aprisionados pelo Medo) e explodir tudo de uma vez! E se você não quer sujar as mãos, ou não conseguir a tal caixa de dinamite, qual é o problema de chamar a polícia ou o exército? Duvido que eles não iriam ajudar num caso como o de criaturas subterrâneas mutantes canibais devorando uma cidadezinha do interior… Realmente, a burrice dos personagens dos filmes de horror não tem limites. Aliás, por que os habitantes simplesmente não abandonaram a cidade ao invés de ficar 20 anos sendo atacados pelos monstros???? Mistério…

Em todo caso, o grupo de habitantes rebeldes (parece até que só sobraram mesmo estes quatro em Leffert’s Corners, pois jamais vemos outros habitantes…) se encontra na igreja, onde o padre Poole (Paul Mantee, que parece um Tommy Lee Jones envelhecido) não parece muito contente com a ideia de ver seu templo de adoração ao Senhor destruído. Como normalmente acontece em filmes do gênero, todo mundo acaba se encontrando no mesmo local e na mesma hora: os habitantes da cidadezinha, que estão preparando suas armadilhas; o agora caçador de tesouros John Martense e, acredite se quiser, um trio de bandidões frios e calculistas liderados por Bennett (o veterano ator inglês Jon Finch, que trabalhou com Hitchcock em Frenesi e aqui nem se preocupa em esconder o constrangimento, usando um ridículo brinquinho de cruz na orelha!). Ele é o dono do cassino que foi roubado pelo pai de Martense; logo, a grana enterrada no cemitério lhe pertence. Ao seu lado estão o grandão Pierce (Joseph Leavengood, que só apareceu aqui e em Basket Case 2) e a belíssima Marlowe (Allison Mackie, que esteve na refilmagem para a TV de Janela Indiscreta).

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Detalhe: todos estes personagens se encontram na igreja e começa a anoitecer. E, logo, começa também uma tempestade. Claro! Assim os mutantes canibais subterrâneos que só saem em noites de tempestade (nunca se explica o porquê, volto a frisar) podem invadir a superfície e devorar nossos amiguinhos. No começo, os próprios humanos fazem o serviço entre eles – Pierce despacha Ryan com um tiro de doze em câmera lenta que lhe explode o peito. Quando as criaturas começam a invadir o local, abrindo buracos no chão e quebrando as janelas, instituiu-se uma situação à la A Noite dos Mortos-Vivos ou Evil Dead, com os bandidos e heróis sendo obrigados a somar forças para combater os monstros e sobreviver. Mas é claro que Bennett, ambicioso como é, não vai deixar-se assustar por meio milhão de criaturas canibais e continuará querendo procurar o seu dinheiro enterrado no cemitério ao lado da igreja!

Aprisionados pelo Medo é um daqueles filmes que você não vê passar: isso porque ele nem bem começa, logo termina. Em parte, isso é culpa da péssima edição. Acredite se quiser, mas o tempo total do filme soma irrisórios 75 minutos, ou 1h15min. Pode? Mais parece o piloto de uma série de TV do que um filme mesmo!!! Meu palpite é que o diretor Joyner fez um trabalho tão porco que o editor Charles Simmons teve que se desdobrar para montar tudo sem que o resultado ficasse tão ruim. A conclusão do filme, em particular, é tão rápida e apressada que pouco se entende. O filme empilha um punhado de revelações em menos de três minutos – inclusive de que Martense é descendente das tais criaturas canibais. Conhecendo o conto de Lovecraft, a coisa fica mais simples: as criaturas são, na verdade, uma família monstruosa, canibal e incestuosa que vive aumentando sua prole nos subterrâneos. Um deles, sabe-se lá como, saiu humano (o pai de John) e fugiu do subterrâneo, indo viver na superfície e tendo o filho que anos depois reencontraria seus descendentes monstruosos. Isso tudo é pincelado tão de leve no roteiro de Joyner que não faria a menor diferença se fosse mantido de fora da história.

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Muitas cenas também são tão abruptamente cortadas que, acredito, o diretor fez um trabalho pior do que a encomenda e as cenas não poderiam ser utilizadas na edição final. Numa delas, o vilão Bennett tem a cabeça agarrada por duas das criaturas. E então a edição simplesmente corta para outra cena, sem nem ao menos mostrar o que acontece ao bandidão – sim, supõe-se que ele morre, mas e daí? A edição é simplesmente caótica e ruim, e acredito (novamente, é só um palpite meu) que muita coisa ficou no chão da sala de edição. Até porque não é normal um filme ter apenas 1h15min!!! E até porque personagens desaparecem da trama sem nem ao menos serem citados (caso do bebê de Leigh, que aparece na cena inicial e depois some misteriosamente). Stuart Gordon faz falta nas cenas de violência. Até temos alguns corações arrancados, tirambaços sangrentos e tripas de fora aqui e ali, mas a ausência de gore é algo marcante. Na maioria das mortes, as pessoas são agarradas pelas mãos monstruosas das criaturas e era isso, nem ao menos vemos o pobre coitado ser dilacerado. Pelo menos, como o filme é rápido, não se torna chato: sempre tem alguma coisa acontecendo e a ação é constante.

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O diretor/roteirista Joyner também parece indeciso sobre o rumo que quer dar ao seu filme: não sabe se faz terror gore bagaceiro ou uma aventura sobrenatural. Isso porque um bom tempo da trama é desperdiçado com a caça ao tesouro e com lutas e tiroteios entre heróis e bandidos, sem a participação das criaturas. Tem até uma agradável cena de luta na chuva e na lama entre as duas gatinhas, a do bem (Ashley) e a do mal (Allison). Ambas já são motivo mais do que suficiente para o público masculino conferir o filme: enquanto Allison tem hipnotizantes olhos verdes, Ashley Laurence está linda e sedutora, de cabelinho curto e metido numa roupinha apertada, fazendo uma personagem “Rambette” que lembra Linda Hamilton em O Exterminador do Futuro 2 – mulher forte e armada até os dentes, com pistolas e explosivos. É tão raro ver mulheres heróicas em filmes do gênero (elas se limitam a morrer ou gritar por ajuda masculina) que o desempenho de Ashley é no mínimo marcante.

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O restante do elenco também não compromete, mas Jeffrey Combs rouba toda cena em que aparece, como o médico bebum e fumante inveterado que realiza suturas sempre com seu cigarrinho na boca. Pena que, no fim das contas, o dr. Haggis não faça lá muita coisa na trama (além de emprestar o isqueiro para o herói) e ainda tenha um final ingrato. Já Jon Finch se limita a fazer cara de mau, gastar seu sotaque inglês e dar tiros para lá e para cá. É visível seu descontentamento com o filme. Tanto que, numa entrevista posterior, ele declarou, sem papas na língua: “Lurking Fear é um lixo! O roteiro era um insulto a H.P. Lovecraft“. Só não explicou porque aceitou fazer o filme, se odiou tanto o roteiro. Já Combs, em entrevista na época do lançamento de Aprisionados pelo Medo, revelou uma informação que me deixou sonhando acordado: a produção, inicialmente, seria dirigida pelo próprio Stuart Gordon de Reanimator e Do Além. “A ideia de Stuart era usar o próprio Lovecraft como personagem principal, e eu iria interpretá-lo“, disse Combs. Mas Gordon assumiu outros projetos (saía do set da aventura A Fortaleza para o do horror O Castelo Maldito), e deixou a cadeira de diretor vaga para o menos talentoso Joyner. Ironicamente, Combs interpretaria H.P. Lovecraft no filme Necronomicon.

Uma curiosidade de Aprisionados pelo Medo é o visual das criaturas: com seus longos dedos de unhas pontiagudas e os imensos olhos brancos, lembra de longe os demônios de Evil Dead. Apesar de supostamente existirem dezenas, talvez centenas de criaturas nos subterrâneos da cidadezinha, a produção é tão barata que percebe-se a economia de maquiagem, e por isso, na maior parte do tempo, vemos uma única criatura por vez em cena!!! Quase todas elas são representadas por Michael Todd, que “interpretou” um zumbi no inacreditável trash movie The Dead Next Door, lançado no Brasil com o título A Morte. Infelizmente, o roteiro desperdiça o detalhe mais asqueroso dos monstros: o fato de eles viverem nos subterrâneos devorando pessoas e os cadáveres do cemitério. O canibalismo é apenas sugerido (vemos uma única cena de dois segundos com um dos monstros devorando um braço decepado), e as imagens só apelam para o nojo e para o grotesco nos 10 minutos finais, quando John, Cathryn, Maria e Bennett vão parar nos túneis subterrâneos onde os monstros vivem, repletos de esqueletos e cadáveres decompostos. As filmagens aconteceram na Romênia e boa parte da equipe técnica é de lá – na época, a Full Moon estava rodando vários filmes no país, inclusive a franquia de vampiros Subspecies.

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Como em toda produção apressada e barata da Full Moon, esta também está repleta de bobagens duras de engolir. Numa das cenas no subterrâneo do cemitério, por exemplo, o herói John improvisa uma tocha usando… um braço decepado e ressecado!!! Detalhe: o dono do braço devia ser um cachaceiro de marca maior, pois o membro decepado pega fogo com a maior facilidade – ou seja, estava obviamente embebido em álcool. Braço inflamável… Eu vou morrer e não vou ver de tudo! Outra bobagem é quando John usa um cadáver decomposto, quase esquelético, para se defender dos tiros disparados por Bennett. Ora, se as balas de revólver normalmente atravessam pessoas normais, vivas, imagine se não iriam varar facilmente um corpo ressecado! Mas, milagrosamente, o “escudo” funciona como se fosse um colete de kevlar (melhor, até…), e John sai ileso dos disparos fatais. Além disso, o roteiro de Joyner tem alguns diálogos simplesmente ridículos, daqueles de se mijar de rir. Um deles é o de Bennett, tentando ser malvado ao falar com o padre: “Alegria, padre! Hoje à noite você poderá ter a oportunidade de conhecer pessoalmente o seu patrão“. Ou quando a assassina Marlowe aproxima-se da garota grávida e começa a puxar papo: “Qual é a sensação de ter uma coisa crescendo dentro de você?“. hehehehehe. Quando a mãe diz que o pai “foi embora“, a assassina mostra-se caridosa: “Me diga o nome dele que eu o mato para você“. hahahahaha.

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Em seus erros e acertos, Aprisionados pelo Medo é uma produção no mínimo divertida: você pode assistir tanto para deixar-se levar pela trama lovecraftiana (que tem, na realidade, bem pouco de Lovecraft), ou mesmo para tirar sarro da pobreza da produção e da estética trash do filme – principalmente a pobreza dos cenários e dos efeitos especiais… A grana estava tão curta que Joyner não pôde nem ao menos mostrar a explosão de um coquetel molotov: pelo contrário, mostra apenas John acendendo uma garrafa e jogando, depois escutamos um efeito sonoro de explosão e, então, o diretor corta direto para a cena de uma das criaturas correndo com meia dúzia de chamas pequenas nas costas! hahahaha. Pobreza pouca é bobagem!

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Mesmo que eu continue pensando no filmão que Stuart Gordon (ou mesmo Ted Nicolaou ou Brian Yuzna) faria com este argumento e este elenco, confesso que considero Aprisionados pelo Medo um belo passatempo trash para os iniciados em bagaceirices cinematográficas. E não lembro de outro filme onde Ashley Lawrence esteja tão linda. Então, para rir e para babar por Ashley, o filme vale muito a pena. Para as meninas, restam as cenas do herói Blake Bailey posando de macho man no final, andando sem camisa na chuva. Ou seja: diversão garantida para todos os gostos. Arrisque! É mais fácil encontrar a fita da VTI nas locadoras brasileiras do que o tesouro enterrado no cemitério de Leffert’s Corners; além disso, a Globo volta-e-meia reprisa o filme no Corujão. Para quem prefere o milagre da imagem digital, até existia um DVD importado da Full Moon, mas atualmente o dito cujo está fora de catálogo.

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DUAS OUTRAS CRIAS DE “LURKING FEAR”

Mesmo não sendo lá uma das histórias mais populares de H.P. Lovecraft, “The Lurking Fear” não gerou apenas uma, mas TRÊS versões cinematográficas, embora Aprisionados pelo Medo seja a única a utilizar o título original do conto e o nome do autor nos créditos. O filme de C. Courtney Joyner é o segundo dos três baseados no trabalho do autor. Os outros dois, milagrosamente, conseguem a façanha de ficar abaixo da média de Aprisionados pelo Medo – o que me leva a pensar que este conto de Lovecraft é, sinceramente, infilmável! Vamos a eles:

o HERANÇA MACABRA (Dark Heritage, EUA, 1989). Direção: David McCormick

Dark Heritage (1989)

Dark Heritage é a primeira e pior adaptação do conto de Lovecraft – e, ironicamente, também a mais fiel ao texto original. Também ironicamente, o nome do autor nem mesmo é citado nos créditos! Com direção do marinheiro de primeira viagem David McCormick, o filme parece ser um trabalho de aula de estudantes de cinema, com uma imagem horrível (possivelmente captada de forma amadora, em Super-8), muito escura, e ainda com péssimo som e um elenco abaixo da crítica. Tudo é tão ruim que faz Aprisionados pelo Medo parecer Cidadão Kane! A história começa com dois campistas sendo massacrados por uma criatura cinza da qual só se enxergam as mãos. Um repórter (Mark LaCour) vai investigar o acontecido acompanhado de dois amigos, e o trio logo chega a uma mansão abandonada na Lousiana. Ali, os dois amigos desaparecem. Mas o repórter continua a investigação e chega a uma horrível resposta sobre o mistério: criaturas canibais que vivem escondidas no subterrâneo da mansão, e que, para piorar, podem ser do mesmo ramo familiar que ele!!! Infelizmente, o filme afunda em ridículas sequências de suspense – embora uma cena de pesadelo do jornalista seja bem filmada, lembrando o iniciante Sam Raimi de Evil Dead -, e os efeitos fracos não ajudam. As criaturas, para você ter uma ideia, são uns manés de tanguinha usando uma monstruosa máscara imóvel! Terrivelmente amador, Dark Heritage é mais um sério candidato a pior filme de todos os tempos.

o HEMOGLOBINA (Bleeders/Hemoglobine, Canadá/EUA, 1997). Direção: Peter Svatek

Hemoglobina (1997)

Feita três anos depois de Aprisionados pelo Medo, esta adaptação realizada por produtores canadenses e americanos tinha tudo para ser a mais interessante das três, com roteiro escrito a oito mãos por Dan O’Bannon (sim, aquele famoso autor de Alien e Força Sinistra), Charles Adair, Ronald Shusett e Gerald Seth Sindell. Ainda que o filme seja uma adaptação não-creditada de Lovecraft, também consegue ser mais fiel ao conto “The Lurking Fear” do que Aprisionados pelo Medo, tirando a ridícula história da caça ao tesouro e da bandidagem. Na história, o casal John e Kathleen Strauss (Roy Dupuis e Kristin Lehman) viaja até um pequeno vilarejo que fica numa ilha, onde pretende descobrir as raízes da família de John. Logo na chegada, o rapaz fica terrivelmente doente – ele sofre de uma rara doença sanguínea. Entra em cena o dr. Marlow (Rutger Hauer, repetindo o papel de médico bebum feito por Jeffrey Combs em 1994), que pode ter a resposta não só para o problema de saúde do rapaz, mas também a verdade sobre os seus antepassados. A revelação, claro, inclui uma monstruosa família incestuosa e deformada que vive nos subterrâneos da cidade, alimentando-se de cadáveres.

Infelizmente, o que era para ser a mais interessante das três adaptações afunda na direção medíocre de Peter Svatek, que destrói todo o clima de suspense ao mostrar as péssimas criaturas, mais parecidas com o Yoda de Star Wars do que com qualquer outra coisa – em efeitos ainda mais pobres do que aqueles apresentados no anterior Aprisionados pelo Medo. Foi lançado em vídeo no Brasil, mas é difícil de encontras nas locadoras.

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2 Comentários

  1. Daniel

    Herança macabra (Dark Heritage, EUA, 1989 Falar que esse filme é o pior de todos nossa tudo bem que é um filme estilo amador mas anos depois olhamos uma bomba de m….. chamada a A Bruxa De Blair e vemos que as coisas não são bem assim pois Dark Heritage no ponto de vista meu foi muito legal e bem clima de Terror na Floresta e as Criaturas, A Escuridão deixava elas mais assustadoras o que no Aprisionados pelo Medo não tinha isso,pois Aprisionados pelo medo é um filme legal mas esta mais para Novidades do Intercine da Globo num dia entediante ou um cine trash da band só que ainda bem que a Galera não vai muito na Resenha intelectual de vocês do Boca pois é aquilo cada um tem seu ponto de vista pois é aquilo não adianta vocês falarem que Feijão com Frutos do Mar é ruim pois tem muita gente que gosta !!!!

  2. Cristina

    Tosqueira da madrugada, bons tempos. Cidadão Kane…. rsrsrsrs

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