Críticas

Big Driver (2014)

Rape and revenge ao estilo de Stephen King, contando com o talento de Maria Bello para funcionar!

Big Driver (2014)

Big Driver
Original:Big Driver
Ano:2014•País:EUA
Direção:Mikael Salomon
Roteiro:Richard Christian Matheson, Stephen King
Produção:Jeffrey M. Hayes
Elenco:Maria Bello, Ann Dowd, Will Harris, Joan Jett, Olympia Dukakis, Jennifer Kydd, Andre Myette, Juanita Peters, Tara Nicodemo

O canal Lifetime nos Estados Unidos é conhecido por adaptações de livros em formato de telefilmes, com baixo orçamento e qualidade questionável. Por trabalharem mais com romances, não dava para esconder um pouco de apreensão e incredulidade necessária com a produção e exibição de Big Driver, baseado em conto homônimo de Stephen King, lançado no livro Full Dark, No Stars de 2010.

O porém é que a adaptação supera as limitações orçamentárias e, mesmo tendo problemas significativos, torna-se uma interessante adaptação que tem muito de seu êxito no trabalho da atriz Maria Bello (indicada ao Globo de Ouro por Marcas da Violência), que interpreta a protagonista, Tess Thorne.

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Tess é uma atarefada escritora de mistério, com grande popularidade, que vai com seu carro participar como palestrante de um encontro de leitoras em uma pequena comunidade. Ao término do evento, recebe indicação da líder do grupo Ramona Norville (Ann Dowd, Masters of Sex) para pegar um atalho pelo campo e chegar mais cedo em casa. Ao adentrar a desértica rodovia, ela acidentalmente estoura os pneus passando por tábuas com pregos espalhadas pelo asfalto, parando em um posto de gasolina abandonado.

Sem sinal de celular e sem nenhum samaritano para ajuda-la a colocar o estepe, ela finalmente recebe o auxílio de um motorista de grande estatura (Will Harris, O Preço do Amanhã), que encosta para ver o que aconteceu. Porém pouco tempo depois o gigante se revela o oposto, e ele estupra Tess brutalmente colocando seu corpo em um riacho para morrer.

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No entanto, Tess não morreu de fato. Ela recobra a consciência e decide, pelo medo da exposição por sua carreira e pelo preconceito com mulheres violentadas, não chamar a polícia e nem contar para ninguém – só que conforme o tempo passa, ela chega a conclusão que não poderá viver livremente enquanto seu estuprador não sofrer as consequências de seus atos e resolve com seus próprios recursos investigar a punir o homem misterioso que dá título ao filme.

Adaptação bem fiel ao material original, o roteirista Richard Christian Matheson e o diretor Mikael Salomon já haviam trabalhado com Stephen King na minissérie Pesadelos e Paisagens Noturnas para o canal TNT (Richard escreveu Battleground e Mikael dirigiu Autopsy Room Four e The End of the Whole Mess), portanto já entendiam do riscado.

Só que com recursos limitados, com a protagonista fazendo suas frequentes reflexões e resolvendo seus típicos conflitos “kingianos” em forma de alucinações – ora com as personagens dos livros que escreve (Olympia Dukakis, vencedora do Oscar por Feitiço da Lua) ora com seu próprio aparelho GPS -, não dá para desconsiderar a queda no ritmo e na construção de suspense, especialmente depois das violentas cenas do estupro repetido cometido contra Tess.

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Com começo impactante embalado por cenas morosas e excesso de monólogos até o final, fica nas mãos de Maria Bello o motivo pelo qual Big Driver deve ser visto. Com uma atuação competente, a dor de Tess logo dá lugar a comiseração e, finalmente, uma frieza impar para fazer o que for preciso para fazer valer sua própria justiça. Também vale a pena ver a participação especial da rockeira Joan Jett como dona de um bar próximo da área onde Tess foi estuprada.

O canal Lifetime está oficialmente no Brasil desde julho de 2014 substituindo o fracassado Sony Spin, porém não há informações sobre a exibição oficial de Big Driver. Mas não é para perder as esperanças, pois há um alinhamento do canal nacional com sua matriz americana. Não espere nada cru como A Vingança de Jennifer, mas Big Driver – ou pelo menos seu primeiro ato – causa desconforto suficiente, o que não é pouco.

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