Críticas

Hellraiser 7: O Retorno dos Mortos (2005)

Serviu apenas para confirmar que a série estaria vagando perdida e sem rumo pelo inferno dos filmes fracos, sem criatividade e roteiro!

Hellraiser 7 (2005)

Hellraiser: O Retorno dos Mortos
Original:Hellraiser: Deader
Ano:2005•País:EUA, Romênia
Direção:Rick Bota
Roteiro:Benjamin Carr, Tim Day
Produção:David S. Greathouse, Ron Schmidt, Stan Winston
Elenco:Kari Wuhrer, Paul Rhys, Simon Kunz, Marc Warren, Georgina Rylance, Doug Bradley

Ao longo de quase duas décadas de existência, a série Hellraiser passou de uma das melhores do gênero terror dos anos 80 para produções sofríveis nos recentes exemplares da saga. Atualmente, a franquia pode ser claramente dividida entre os filmes que tiveram o envolvimento do seu criador, Clive Barker, na produção, o que resultou em bons filmes, e nas obras sem a participação do mesmo, que ocasionaram sequências fracas e que dificilmente conseguem prender a atenção de alguém. O sétimo filme da saga, Hellraiser: O Retorno dos Mortos (Hellraiser: Deader, 2005), chegou ao mercado nacional no formato VHS e DVD e serviu apenas para confirmar que a série estaria vagando perdida e sem rumo pelo inferno dos filmes fracos, sem criatividade e roteiro.

Quando o primeiro capítulo da saga, Hellraiser: Renascido do Inferno (Hellraiser, 1987), foi lançado, estabeleceu um novo patamar no gênero terror da década de 80. Baseado na série de romances batizada de Livros de Sangue, de autoria do inglês Clive Barker, que também dirigiu a fita, o filme apresentou aos apreciadores do gênero a história de uma misteriosa caixa, em formato de quebra-cabeça que, quando aberta, leva a um universo habitado por criaturas sedentas por sofrimento humano, os Cenobitas. O filme fez sucesso internacional pelo seu terror explícito, fortes cenas de mutilação, sadomasoquismo e violência, além de possuir um roteiro bem escrito, direção segura e elenco competente. A obra também serviu para introduzir novos vilões ao gênero, os cenobitas, em especial o misterioso Pinhead (Doug Bradley), cuja face é coberta por pregos e, que, com o passar das sequências, foi alçado a principal marca da série.

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Com o sucesso do filme de estreia, já no ano seguinte foi produzida uma continuação batizada de Hellraiser 2: Renascido do Inferno (Hellbound: Hellraiser II, 1988), que fez sucesso de crítica e público por manter os principais elementos do filme original. Desta vez, no cargo de produtor-executivo, Barker concebeu uma história que realmente se encaixava e funcionava como sequência. No entanto, os filmes realizados após este segundo capítulo não tiveram o mesmo resultado.

Os dois filmes seguintes, Hellraiser 3, Inferno na Terra (Hellraiser III: Hell on Earth, 1992) e Hellraiser: Herança Maldita (Hellraiser: Bloodline, 1996), também contaram com a participação de Barker como produtor executivo, porém, já não conseguiram ser tão bons quanto os capítulos 1 e 2. Após o quarto filme, Baker saiu definitivamente da saga . Em várias entrevistas, o autor deixou claro que suas ideias para a franquia haviam acabado. “A série não me pertence mais. Ela é dos fãs e dos profissionais que trabalham nela agora”, explica Barker. Mal sabia ele o caminho que tais profissionais dariam para sua criação após seu desligamento da saga… Desde então, os filmes que foram produzidos são marcados pela falta de bons roteiros e quase nulos de situações de terror e violência, passando a apostar apenas no susto fácil.

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O sétimo filme da franquia, Hellraiser: O Retorno dos Mortos, enquadra-se perfeitamente nestes padrões que a série adquiriu após a saída de Baker. A nova trama conta a história de uma jornalista britânica, Amy Klein (a limitada Kari Wuhrer, de Anaconda, 1997), que recebe uma fita de vídeo que mostra os rituais de uma estranha seita chamada de Deaders, que, de acordo com as imagens, são capazes de trazer os mortos de volta à vida. Convencida de que o material rende uma boa matéria, a repórter segue para o local de origem da fita, a Romênia, em busca de respostas referentes a tal seita e do seu suposto líder, um homem conhecido como Winter (o fraco Paul Rhys, Chaplin, 1992). Com o desenrolar da trama, Amy vai chegar até a enigmática caixa e a sinistra figura de Pinhead.

Este Hellraiser 7 consegue ser de longe o mais fraco filme da série, aliás, desde a saída de Baker da franquia que as produções seguintes passaram a seguir um padrão que deixava de lado os elementos de terror e violência para apostar mais no formato de um thriller com situações de mistérios envolvendo os personagens principais da vez. Assistindo aos capítulos 5 (Hellraiser: Inferno, 2000), 6 (Hellraiser: Caçador do Inferno, 2002) e este 7 tem-se a impressão de serem na verdade episódios de uma série para televisão sobre o universo Hellraiser, tamanha a semelhança dos seus formatos, onde os personagens se vêem presos em mistérios aparentemente sem solução ao terem tido contato com a misteriosa caixa. Os próprios Cenobitas, que são um outro elemento fundamental da série, quase ou nada fazem desde o quarto filme, com exceção de Pinhead, que aparece em duas ou três cenas para falar frases de efeito e dar a moral da história, quase como a caveirinha da série Contos da Cripta (Tales from the Crypt, 1989). No entanto, o problema maior continua sendo a ausência de bons roteiros e a falta de cuidados com a produção.

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Para se ter uma ideia do tamanho do problema neste novo Hellraiser, o roteiro escrito por Benjamin Carr e Tim Day (13 Fantasmas, 2001) era originalmente um enredo independente e sem possuir nenhuma ligação com a série. Tudo mudou quando a produtora detentora dos direitos da franquia, a Dimension, decidiu fazer uma outra sequência para a saga e a história desenvolvida por Marshall foi “adaptada” para que funcionasse como continuação da série. Dá para imaginar que boa coisa não saiu, aliás, o roteiro consegue ser também o mais sem lógica de toda a série, apresentando uma história sem pé nem cabeça e situações que beiram ao ridículo, procurando criar algum mistério na trama, porém, sem nenhum sucesso. Para piorar a história, tentou-se criar um gancho completamente desnecessário com um personagem pouco conhecido do quarto filme, o artesão LaMerchant (feito no Hellraiser 4 por Bruce Ramsay, Vivos, 1993). Quem? Esquece, esse personagem não tem importância alguma.

E engana-se quem pensa que a produção foi para a Romênia com a intenção de utilizar um cenário diferente. O país foi o escolhido pelo motivo de ser uma opção mais barata para a produção, que também é bastante fraca. Importante observar que poucos lugares da cidade foram aproveitados e que os cenários internos mais parecem feitos de papelão, em especial o estranho local onde os Deaders se encontram. Os cuidados técnicos, ou a falta deles, também é extremamente visível no filme como nas sequências em que aparecem as correntes que são a marca da série e que neste episódio são feitas visivelmente de um material plástico, dando inclusive um aspecto muito estranho para as mesmas, que aliás, estão gordas.

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Importante lembrar que Hellraiser: O Retorno dos Mortos foi lançado diretamente em vídeo, ou seja, teve um orçamento bastante modesto para a produção, sendo inclusive gravado em apenas 25 dias por questões financeiras, porém, pouco dinheiro não significa propriamente filmes fracos. Algumas das boas produções do gênero foram realizadas com orçamentos pequenos, porém sendo apoiadas em bons roteiros e direção segura, algo que definitivamente falta neste Hellraiser. Aliás, o quesito direção é algo que vem preocupando os fãs da série, pois pela segunda vez consecutiva o cargo é ocupado pelo limitado Rick Bota, que foi responsável pelo filme anterior da franquia, o também fraco Hellraiser: Caçador do Inferno (Hellraiser: Hellseeker, 2002).

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Aliás, Bota também é o responsável pelo oitavo, Hellraiser: O Mundo do Inferno. Em recente entrevista, o diretor falou que o formato deste novo episódio segue os dois trabalhos da série que ele realizou. “É muito bom fazer estes filmes, pois me divirto bastante”, declarou Bota sobre seu envolvimento na série, mostrando que pelo menos alguém vê na franquia algum tipo de entretenimento. Ou seja, para o futuro os fãs continuam apenas tendo más notícias referentes à série. Na verdade, apenas quem é realmente admirador da mesma deverá alugar Hellraiser: O Retorno dos Mortos, para que depois de assistir possa se lembrar de como eram bons tais filmes na época em que Clive Barker tinha algum envolvimento nela, diferente de hoje, quando seu nome aparece nos créditos apenas no formato “Baseado nos personagens criados por Clive Barker”.

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3 Comentários

  1. TTrash

    Ainda sim sendo criticado amado ou odiado as partes 5 a 8 pelo menos fazem parte da saga como continuação , agora esses novos como revelations e julgamento sim vão estragar a série toda, a capa do julgamento me deu uma nova oportunidade de ver mas depois do trailer desisti com aqueles cenobite de nada a ver e aquela ferida de pinhead de plástico não dou nada realmente pelo filme, pinhead e sua cara quadrada e achatada desse novo ator, vá estragar totalmente a série, pinhead com um secretário ??? Na maquina de escrever? Putzz vei kkkk

  2. TTrash

    Acabei de ver esse hellraiser, e sinceramente eu já sabia o que esperar, depois de anos sendo fan e visto do 1 ao 4 fostei muito, vi o 6 na TV, na época de moleque, achei muito bom, consegui o 6 em dvd para a coleção, e realmente está longe do tema do clássico, vi o 5 e n era muito o que eu esperava mais gostei. Percebo que o mesmo formato foi usado no 6 e 7, analisando tudo isso concluo que hellraiser e uma das poucas sagas onde tiveram coragem de se mudar algo e adaptar para os dias de hj, do 5 ao 7 vejo como uma segunda fase da história, onde deixam de lado o terror trash abusivo de matar e transformar os cenobite e o foco fia nos pesadelos do ator e atriz principal, vejo esses novos como um roteiro de um filme qualquer com muita tensão e só, como um bom filme que se passa pela madrugada. Ainda sim gostei desse pois soube exatamente o que esperar e esse novo formato, gosto muito do 6 mas a atuação daquele dan winters e horrivel n tem expressão nenhuma, essa do 7 foi muito melhor, o ponto que estragou o filme foi o final memso quando o próprio dono do jornal estava recrutando outra p fazer a matéria, PP, que nada a ver, estragou total, mas tirando isso o filme tem sua tensão sim bem tenebroso e digo até que com esse novo formato evoluiu e saiu da parte trash e bom para que não conheceu a série do começo ver estes novos, agora é ver o 8.

  3. Alessandro

    Infelizmente, nada é tão ruim que não possa piorar. Em O Retorno dos Mortos, a Dimension trouxe um roteiro de zumbis (kkkkkkk) para virar uma sequência da série Hellraiser. Ainda tentaram, em vão, criar alguma ligação com a mitologia do universo de Barker. Esquecível. Nota 3!

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