Críticas

O Predestinado (2014)

A primeira reação poderia vir através de um “WTF?”, tamanha a perplexidade e espanto causados por esse curioso trabalho dos Spierigs!

O Predestinado (2014)

O Predestinado
Original:Predestination
Ano:2014•País:EUA
Direção:Michael Spierig, Peter Spierig
Roteiro:Michael Spierig, Peter Spierig, Robert A. Heinlein
Produção:Paddy McDonald, Tim McGahan, Michael Spierig
Elenco:Ethan Hawke, Sarah Snook, Noah Taylor, Elise Jansen, Cate Wolfe, Freya Stafford, Alicia Pavlis, Christopher Kirby, Alexis Fernandez, Rob Jenkins

O que veio primeiro: o ovo ou a galinha?” É provável que esta seja uma das indagações mais complexas do universo, a base de todos os paradoxos, o sentido da vida. Ela só é a ponta do icerberg de diversas reflexões, algumas metafísicas, que sustentam teorias e estudos, brincadeiras, desafiam lógicas e, metaforicamente, dão um nó no cérebro. Não é sem propósito que esse questionamento tenha sido proferido pelo personagem de Ethan Hawke no longa O Predestinado, que chegou ao Brasil pela Sony.

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Mesmo com toda a sua bagagem cinematográfica, com conteúdos que abordam todos os tipos de produções bagaceiras e esquisitas, fica impossível não se espantar com o que os irmãos Spierig jogaram na tela. A primeira reação poderia vir através da sigla inglesa “WTF?” ou no mínimo um “hein?“, tamanha a perplexidade e espanto causados por esse curioso trabalho, que fez parte do Toronto After Dark Film Festival, conquistando aplausos e vaias, nas mesmas proporções. E há aquela parcela do público que não sabia como definir o que havia acabado de ver e queria debater com os amigos e nos fóruns, em busca de explicações coerentes.

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É difícil descrevê-lo ou mesmo criticá-lo, sem esbarrar em spoilers. Tentarei falar o mínimo possível para não revelar detalhes, e já peço de antemão que, a despeito do que você tenha ouvido falar por aí, dê um chance ao filme. As sinopses parecerão vagas, lembrarão muitas produções, mas não chegará aos pés do que vem a ser mesmo o resultado final. Vale a pena, desde que você esteja com a mente aberta para novidades e esquisitices. Um filme louco, definitivamente!

Hawke é um Agente do Tempo. Ele trabalha para uma agência secreta que descobriu meios de transportar pessoas para datas determinadas no passado e no futuro, com o objetivo de evitar catástrofes. Imagine a possibilidade de evitar o naufrágio do Titanic ou o ataque às Torres Gêmeas? No caso aqui, ele sai numa última missão para evitar que um terrorista – o Detonador Sussurrante – exploda uma bomba em Nova Iorque, numa tragédia que culminou com a morte de mais de 11 mil pessoas em 1975. Mas, o passado é determinado, insistente, casmurro!

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Ele retorna para um tempo anterior ao incidente e, como bartender, tentará convencer o solitário John a executar parte essencial do plano. O rapaz irá contar seu passado, num relato que envolve bullying e descobertas, e será a principal ferramenta dos futuros acontecimentos. E é melhor parar por aqui.

Esse é o enredo básico de O Predestinado. Qualquer vírgula a mais poderá comprometer sua avaliação e interesse em conferi-lo. Os Spierig fizeram um belíssimo filme, tanto na concepção das épocas abordadas, quanto na escolha correta em esconder determinados rostos. E a ideia de utilizar um case de violino como máquina do tempo é um detalhe discreto, mas essencialmente perfeito para os propósitos. Também, um dos fatores essenciais para a boa avaliação é a atuação e caracterização de Sarah Snook (de Jessabelle).

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O Predestinado é baseado num conto de Robert A. Heinlein, de 1959, intitulado “—All You Zombies—“, com uma ambientação bem próxima do filme. A escolha de Hawke para um dos papéis principais também foi benéfica. O ator disse recentemente em entrevista que é fã de ficção científica, mas prefere o lado humano ao invés de efeitos especiais, citando nomes como Kurt Vonnegut, Philip K Dick e HG Wells. Assim que terminou de ler o roteiro – apenas o roteiro -, o ator só conseguiu dizer em voz alta “What the fuck did I just read?!“. Uma reação parecida com a minha e a de muitos espectadores.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. Já foi juri de festivais e eventos do gênero! Contato: [email protected]

8 Comentários

  1. francisdavis08

    Um dos melhores do gênero… quero mais desses diretores !

  2. BRENDA V

    Adorei o filme, me deu um nó. Hen?! demorei para compreender o final, mas é isso que é incrível, aquela ótima sensação de ” que viagem”. Vontade de assistir de novo.

  3. Shadai

    Eu gostei do filme e principalmente do final WTF?!!!
    Não sei como alguém pode ter vaiado. (Só se não entendeu nada!)

  4. pierre

    “Que porra e essa ? ”
    Fiquei perplexo com o final do filme. Adorei a história, recomendo a todos os amantes de ficção científica e gostam de viagens no tempo.

  5. Vinnícius

    Gostei muito do filme, mas fiquei com uma dúvida quanto ao final: [SPOLIER]
    a personagem de Hawke ao matar o terrorista consegue impedir a destruição de 1975?
    Fiquei na dúvida quanto à isso, pois por mais q ele posteriormente se torne o “Detonador Sussurrante” (devido as excessivas viagens no tempo) ele não seria impedido por ele mesmo e nunca conseguiria concretizar o atentado que matará as 11 mil pessoas?

  6. Filmaço e resenha redondinhos! Sua escrita até me deu uma acalmada, vi o filme e depois vim ler seu texto… Olha.. 100 palavras

  7. Sutter Cane

    Excelente filme! Uma trama bem amarrada e bem dirigida … Recomendo!

  8. Rodrigo Huagha

    Realmente quem assistiu os anteriores dos Spierig e assiste O predestinado pode perceber a evolução dos cineastas . Bela surpresa , principalmente na ótima atuação da atriz principal .

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