Críticas

13 Fantasmas (2001)

13 Fantasmas é o típico filmeco para você mostrar ao seu sobrinho ou priminho de 10 anos, na tentativa de iniciá-lo no gênero terror!

13 Fantasmas (2001)

13 Fantasmas
Original:Thir13en Ghosts
Ano:2001•País:EUA, Canadá
Direção:Steve Beck
Roteiro:Robb White, Benjamin Carr, Richard D'Ovidio
Produção:Gilbert Adler, Joel Silver, Robert Zemeckis
Elenco:Tony Shalhoub, Shannon Elizabeth, Embeth Davidtz, Matthew Lillard, JR Bourne, Rah Digga, F. Murray Abraham, Matthew Harrison

Dos vários diretores medíocres da chamada “nova geração do horror“, o americano Steve Beck é, disparado, um dos piores. Técnico de efeitos especiais em filmes como Indiana Jones e a Última Cruzada e O Segredo do Abismo, o sujeito caiu nas graças da produtora Dark Castle, que pertence aos famosos cineastas Robert Zemeckis e Joel Silver, e foi criada com a proposta de lançar “novas versões” de velhos clássicos do horror classe B, feitos nos anos 50 e 60. Vale lembrar que, até agora, destas “recriações” da Dark Castle (como A Casa da Colina) somente A Casa de Cera saiu decente… E Steve Beck fez sua estreia cinematográfica adaptando 13 Fantasmas, um típico filminho B dos anos 60, originalmente dirigido por William Castle.

Tanto a versão antiga quanto a nova (de 2001) não podem ser consideradas grandes filmes. Mas a antiga, pelo menos, tinha um diretor e produtor criativo no comando. William Castle, para quem não sabe, era um mestre muito a frente de seu tempo, que criava todo tipo de truques e brincadeiras para transformar a ida ao cinema numa aventura sem limites. Durante a exibição de seus filmes, esqueletos brilhantes voavam sobre a plateia, pessoas sentadas em certos assentos levavam pequenos choques, entre outras trucagens que praticamente colocavam o espectador dentro do filme. Em 13 Fantasmas, Castle criou um processo chamado “Illusion-O“: era um óculos com lentes azuis e vermelhas, tipo os óculos 3D, que o espectador ganhava na entrada do cinema e tinha que usar durante a projeção para poder “enxergar” os fantasmas do filme. Assim, caso ficasse muito horrorizado (hehehehe), era só tirar os óculos que o fantasma desaparecia num passe de mágica! Fantástico, não?

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O “novo13 Fantasmas resolveu homenagear a criação de Castle. Não, eles não distribuíram óculos para a plateia – infelizmente. No remake, a diversão de usar os óculos para enxergar fantasmas ficou restrita aos personagens do filme – e, assim, a coisa toda já perde metade da graça. A outra metade da graça se esvai quando você percebe que, como toda produção da Dark Castle, e como toda produção dirigida por um ex-técnico de efeitos especiais, a computação gráfica toma conta do espetáculo e soterra qualquer tentativa de criar um clima assustador. Resumindo: 13 Fantasmas é o típico filmeco para você mostrar ao seu sobrinho ou priminho de 10 anos, na tentativa de iniciá-lo no gênero terror.

Em comparação com o filme de William Castle, o 13 Fantasmas de Steve Beck só tem em comum os óculos de ver fantasmas e o título. E nada mais. Se o filme dos anos 60 mostrava uma família que herdava a casa de um tio excêntrico e “colecionador” de fantasmas (sendo que o próprio tio morto era uma das assombrações), o remake tentou criar uma trama mais ambiciosa, envolvendo reviravoltas (ridículas) e a típica trama da conquista do mundo. Inventa, também, uma casa sem pé nem cabeça, feita totalmente de vidro inquebrável, e que só pode ter saído da cabeça de um roteirista muito, mas muito chapado – que, para quem quiser realmente saber, se chama Neal Marshall Stevens, e está por trás de Hellraiser 7: O Retorno dos Mortos.

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13 Fantasmas versão 2001 começa a mil por hora, mostrando a operação de guerra montada pelo milionário excêntrico Cyrus Kriticos (F. Murray Abraham, completamente desperdiçado) para aprisionar o 12º fantasma da sua coleção, num antigo e escuro ferro-velho. Ajudado/atrapalhado por um sensitivo chamado Dennis Rafkin (o chatíssimo Matthew Lillard), Kriticos vê vários de seus homens sendo mortos e esquartejados pelo tal fantasma até finalmente conseguir aprisioná-lo. Mas, no processo, o próprio milionário perde a vida.

Com a morte de Cyrus, seu jovem advogado Benjamin Moss (J.R. Bourne, de Possuída 3) procura pelos únicos parentes vivos do milionário, a família de Arthur Kriticos (Tony Shalhoub, o único do elenco que realmente tenta interpretar). Arthur é um professor que perdeu a esposa num incêndio e vive endividado, ao lado dos filhos Kathy (a gostosa Shannon Elizabeth, de American Pie) e Bobby (Alec Roberts), e da empregada Maggie (a cantora de hip-hop Rah Digga). Quando a família fica sabendo que recebeu a mansão do finado Cyrus como herança, parte para lá imediatamente, acompanhada de Moss. Na chegada, os visitantes encontram Dennis, disfarçado de funcionário da companhia elétrica – ele procura secretamente por algo que acredita estar escondido na casa.

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O fato da mansão ser totalmente construída com vidro inquebrável, e das paredes estarem repletas de velhos encantos em latim gravados diretamente no vidro, não parece incomodar os personagens em momento algum. Mas Dennis logo descobre o segredo do lugar: em celas fechadas por feitiços especiais, no porão, estão trancafiados os terríveis 12 fantasmas que ele ajudou Cyrus a aprisionar. Logo, entretanto, as portas da mansão se fecham e as celas que prendem as assombrações são abertas. Presos no local na companhia dos terríveis fantasmas, os pobres humanos tentam encontrar uma forma de sobreviver – e decifrar o enigma do “13º fantasma” que dá nome ao filme.

Ao contrário do que acontecia no 13 Fantasmas original, que era uma ingênua história de assombração, a nova versão tenta parecer sofisticada, incluindo uma reviravolta onde Cyrus reaparece dos mortos (ele aparentemente simulou a própria morte para poder cumprir seu intento, embora o roteiro jamais tente encontrar uma explicação para o fato). O milionário está tentando fazer funcionar uma bizarra máquina, que poderá lhe dar poderes infinitos (outra coisa jamais explicada pelo roteiro), desde que ele consiga o famoso “13º fantasma” para fazê-la funcionar. Qual dos pobres aprisionados na mansão estará destinado a ser o décimo-terceiro Gasparzinho? Só um detalhezinho: se você acha que Cyrus Kriticos é um nome muito imbecil para um personagem, saiba que o milionário colecionador de fantasmas na versão dos anos 60 se chamava “Plato Zorba“… Caramba!

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Lá pelas tantas, os personagens encontram os tais óculos especiais que permitem enxergar os fantasmas, e assim nós, espectadores, podemos ver, pelos olhos dos personagens, quem são os 12 espíritos malignos que vivem na casa – mesmo que o roteiro, novamente, não explique o funcionamento das lentes e nem o fato de haverem tantos óculos espalhados pela casa, para que os personagens possam utilizá-los comodamente. Mas é óbvio que são os fantasmas a grande atração do filme, cada um com suas próprias características e uma história particular (que você só ficará conhecendo se assistir a um documentário especialmente sobre o tema, nos extras do DVD). Há, por exemplo, o “Torso“, que é um singelo tórax desmembrado, sem cabeça nem pernas, e que se arrasta pelo cenário sem fazer nada de muito perigoso; há a Princesa Furiosa (a gatinha Shawna Loyer, que passou a ser cultuada após esta participação), que desfila nua, exibindo seu belo corpo cheio de cortes; há um grandalhão chamado The Hammer, com um imenso martelo num dos braços e o corpo coberto de enormes pregos atravessados na carne, entre outros…

O problema é que, tirando o visual dos fantasmas, não sobra nada para ver em 13 Fantasmas. Nada de muito assustador acontece além dos personagens perambulando de um lado para o outro na mansão – e a gostosa da Shannon Elizabeth nem aparece pelada para fazer valer sua participação, já que como atriz ela é um fiasco. A única cena interessante (e absurdamente sangrenta) acontece logo no começo, quando o advogado ambicioso de Cyrus é dividido ao meio por duas chapas de vidro, e nenhuma outra cena a partir de então consegue ser melhor ou mais sangrenta, mergulhando o filme na chatice e na letargia. Assim, a história se arrasta sem mortes até o final, quando finalmente outros personagens passam dessa para a outra vida. Mesmo assim, a contagem de cadáveres é pequena demais para animar – nem há sustos ou horror suficientes para evitar os bocejos. Não me envergonho de dizer que dormi duas vezes enquanto aguardava pelo “The End“.

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O que transparece é a tentativa de Steve Beck de imitar O Iluminado de Kubrick, que deve ser seu filme preferido – já que ele também copiou o clássico em seu trabalho posterior, o melhorzinho Navio Fantasma. Quem gostou do filme de Kubrick vai enxergar muitas “citações” (chupações, para alguns) em 13 Fantasmas. Beck imitou, por exemplo, a cena em que aparece o fantasma de uma garota morta na banheira e até o clássico momento em que o garotinho anda de triciclo pelos corredores vazios do hotel até topar de frente com fantasmas – a única diferença é que, em 13 Fantasmas, o menino anda de patinete, não de triciclo!

O que sobra é um desfile exagerado de efeitos especiais, um verdadeiro Carnaval, que chega a dar raiva dos produtores. E o diretor não se decide entre fazer horror ou comédia. Alguns atores tentam levar a coisa a sério, como Tony Shalhoub e Embeth Davidtz (de Army of Darkness), que aparece como Kalina Oretzia, uma lutadora pelos “direitos humanos” dos fantasmas (acredite se quiser!!!). Outros estão no limite da caricatura, principalmente o outrora excelente ator F. Murray Abraham, que faz de seu Cyrus Kriticos um vilão que parece ter saído de histórias em quadrinhos (sempre com bengala e uma longa capa vermelha). E pensar que o pobre Abraham ganhou o Oscar pela sua interpretação no soberbo Amadeus!!! Por fim, todos os outros estão, definitivamente, fazendo comédia, como o péssimo e careteiro Lillard (que virou “astro” depois de fazer um dos vilões de Pânico), sempre com uma frase bem humorada na ponta da língua, ou a negra Rah Digga. Como levar a sério um filme onde a moça, fazendo o típico papel de negra malandra, num momento está fugindo de terríveis fantasmas assassinos, no outro está lamentando que “estragou as unhas” que tinha feito no dia anterior??? Bah…

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Alguns poderão dizer que 13 Fantasmas não pode nem deve ser levado tão a sério, que é um filme-pipoca, apenas para divertir, etc etc. Ora, se a ideia de “diversão” destas pessoas é ficar sendo dopado com 1h30min de efeitos digitais estreboscópicos de arder os olhos, sem um fiapo de roteiro que conduza a narrativa, então eu realmente não devo saber me “divertir“. Para mim, 13 Fantasmas nada mais é do que uma versão grotesca de outro filme mediano da Dark Castle, feito dois anos antes: A Casa da Colina (que por sua vez já era remake, de House on Haunted Hill, outro filme de William Castle). Em ambos há um grupo de pessoas preso numa mansão, enfrentando fantasmas, com um personagem engraçadinho para garantir as piadas (Lillard aqui e Chris Kattan em A Casa da Colina), overdose de efeitos especiais e roteiros chinfrins… Mas ainda fico com A Casa da Colina.

13 Fantasmas (2001)

O Sofrimento quer companhia

Resta, pelo menos, o consolo de que jamais veremos um “14 Fantasmas“…

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9 Comentários

  1. Maah

    Sei lá, só achei meio desnecessário essa sua atuação na posição de “O crítico” e de que tudo se deve falar mal e em algum momento tirar uma piadinha descontraída. Claro, os 13 fantasmas não é aquele “filmaço” de surpreender, mas não é plausível negar que, quando o mesmo dá sinal em algum canal por aí, passe o “The avengers” que for… Você vai correr para assistir e acender novamente aquela luzinha curiosa sobre os fantasmas que de alguma forma te prendem os olhos por tamanhas peculiaridades. E cara, criticar de forma dura a personalidade do nosso querido Lillard é pedir morte súbita em conhecimento crítico. O cara é viciante, SIM! VICIANTE. Nosso eterno salsicha, poxa </3, não me venha tentar quebrar o clima.

    Eu particularmente gosto muito de os 13 fantasmas, porém, também achei meio chifrin o roteiro e de como os diretores tentaram impor aquela pegada futurista sem nexo no filme — a história é boa, mas… Eu não entendi quase nada, quando se tratando do que o tal Títio do mal pretendia fazer, de como a garota que lutava pelos direitos dos fantasmas mudou de lado repentinamente, ou daquela história do desvendar do 14 fantasma…

    Fora isso, a ideia — na qual você discordou — de fazer uma casa com paredes de vidro banhadas de encantos… Cara, foi genial! Os fantasmas são ótimos e com certeza seu priminho ou sobrinho iria ficar acordando os pais uma hora da manhã para checar se não há nenhum chacal embaixo da cama.

    E outra: Kubrick era um gênio claro — tanto que quero deixar claro que sou apaixonada por The clockwork orange. Mas não achei rastros de um possível plágio, mas sim de pura inspiração. Ter um garoto andando de patins pela casa não significa nada, querido. Seu sobrinho com um patins na mão não iria ficar parado ou deixar o mesmo de enfeite. Repense.

    Enfim, o filme não é tão ruim assim, se brincar, entra pra minha lista de melhores filmes de terror, pois é bom, só não bem executado.

    Em suma você deve assistir com mais cautela e não ir nessa ideia de que a tudo se deve uma crítica ruim, não exagere.

    Mas meus parabéns pelo fiasco do texto!

    • amei sua resposta!!! eu sou fã do Matthew Lillard!!! ótimo ator… interpretou um dos maiores personagens dos desenhos animados… Salsicha!!!! Tenho fotos dele no meu pc, no meu celular…. tenho videos… amo ele… trabalhou também no filme Panico 1. Ate a morte dele no final do filme foi de chocar, o fantasma lá pegou ele e o jogou e tal… pareceu muito real. Eu estou louca por esse filme, mas não acho.

      E vc arrasou com seu texto!!!

      • Tenille Oliveira

        Tem na Netflix

    • além de eu ter enxergado só recalque nesse texto ai, o cara é preconceituoso e pra ele só é “gostosa” a Shannon Elisabeth, nem a mulher negra ele citou… kkkkkk que idiota hein

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos

      Como um filme mal executado pode entrar pra uma lista de melhores?

      Existe uma diferença entre filme ruim e filmes que gostamos. Você pode achar um filme ruim e gostar dele, mas gostar dele não o torna um filme melhor.

      A aceitação de que gostamos de certas tralhas que são indefensáveis iria diminuir muito os conflitos na internet.

    • Marina

      Caramba, vim nos comentários pra ler exatamente o que você escreveu! O Felipe sempre foi bem justo nas críticas e artigos que ele escrevia, mas essa crítica foi assustadoramente desnecessária. Quando assisti esse filme com meus irmãos eu devia ter uns 12 anos e caramba, como a gente curtiu! A ideia da casa ir se transformando e ser de vidro inquebrável só deixa as coisas mais aflitivas ainda! Os óculos então?? Eu pirei quando vi o que eles faziam! E quando cada fantasma ia surgindo e a gente ia descobrindo os nomes deles, como isso era bacana! O filme tem mais defeitos que qualidades sim, mas ele consegue entreter facilmente, é só você não ter a cabeça dura e deixar rolar o/

      • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos

        A crítica é desnecessária porque você não concordou com ela?

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos

      Eu gosto de várias porcarias e nem por isso acho que são bons filmes ou acho que os críticos estão errados.

      Tem que ter maturidade pra separar as duas coisas.

  2. MK

    Horrível, 95% dos filmes da Dark Castle são péssimos!

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