Críticas, Quadrinhos

Beladona (2014)

Um excelente quadrinho de horror que vale a pena a leitura e releitura só pra prestar atenção nos detalhes!

Beladona (2)

Beladona
Original:Beladona
Ano:2014•País:Brasil
Páginas:Autor:Editora:

Apesar da popularidade dos gibis da Turma da Mônica e da Disney, produzidas em massa em estúdios nacionais no passado, foi dos quadrinhos de horror que os primeiros grandes mestres brasileiros desta arte surgiram pela primeira vez. Gente do calibre de Julio Shimamoto, Flavio Colin, Jayme Cortez, Nico Rosso, RF Luchetti e Geraldo Malagola, pra citar só alguns. Mas ao mesmo tempo, esse gênero tão querido no quadrinho nacional ficou esquecido, marginalizado, durante muito tempo.

Quando o quadrinho nacional voltou com tudo de maneira independente, foi através de histórias mais pessoais, dramas, comédias e sátiras que a produção brasileira ganhou a atenção de críticos e leitores. E agora, como um zumbi putrefato, cambaleante e sedento de miolos, os quadrinhos de horror estão voltando.

Veja bem, não estou dizendo aqui que desde os anos 70 os quadrinhos de horror estiveram fora de cena. O que estou dizendo é que continuaram sendo produzidos de maneira independente e marginal, da mesma forma que nosso cinema de horror tem sobrevivido durante décadas. E, agora, dispõem de uma atenção renovada através de uma produção que vem com tudo. Uma dessas grandes obras modernas do quadrinho de horror brasileiro é Beladona, de Ana Recalde e Denis Mello.

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A HQ, disponibilizada inicialmente online no site Petisco em meados de 2011, levou o HQ Mix de melhor “webquadrinho” naquele ano, e ganhou sua versão impressa, com capítulos a mais e muito material extra, através do financiamento coletivo do Catarse. O lançamento se deu durante a CCXP 2014 e pode ser encontrada no site da Avec Editora e, inicialmente, na Livraria Cultura.
Mas do que se trata Beladona?

Samantha é uma menina comum que vive uma vida comum durante o dia, mas, desde os seus sete anos, durante a noite, é transportada para um reino de pesadelos onde é perseguida por espíritos malignos com propósitos sinistros muito além do que ela pode imaginar.

Apesar de parecer ter muito de A Hora do Pesadelo, o roteiro de Ana Recalde tem muito mais de Sandman e do horror japonês como O Chamado. Bastante detalhista, percebemos a evolução da personagem e o passar do tempo, através de pequenos elementos inseridos aqui e ali da trama, ao mesmo tempo em que vamos descobrindo que os espíritos do mundo do pesadelo não são apenas sonhos ruins.

As páginas são disponibilizadas semanalmente no site Petisco e esse ritmo diferenciado pode incomodar alguns leitores, mas pense em Beladona como uma tira de jornal das antigas, onde uma pequena parte de uma história maior era publicada a cada dia. Criar um gancho e manter o interesse a cada página é um desafio constante e Beladona se sai muito bem.

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A arte de Denis Mello é deslumbrante. Com um traço estilizado, Denis consegue imprimir características distintas entre o mundo real e o mundo de pesadelos. E não apenas na cor, mas também na disposição dos quadrinhos. Enquanto a vida real de Samantha é separada por quadrinhos normais, o mundo de pesadelos quase não possui transições entre as cenas, sem qualquer divisão entre elas. Realmente como num sonho, onde o ritmo dos acontecimentos é diferente e você mal percebe a passagem do tempo. Infelizmente a coisa fica um pouco bagunçada quando a cena possui muita ação ou elementos e personagens, gerando certa confusão visual, mas funciona para que o leitor pare e tome um tempo para realmente ler as informações no quadro.

Beladona (4)

A edição é caprichadíssima e, antes que alguém reclame do formato, vale a pena lembrar que esta HQ foi produzida inicialmente para o formato online e só posteriormente transposta para as páginas impressas, o que exigiram certas adaptações. Um excelente quadrinho de horror que vale a pena a leitura e releitura só pra prestar atenção nos detalhes. Um sonho!

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Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Designer por formação e apaixonado por HQs e Cinema de Horror desde pequeno. Ao contrário do que parece ele é um sujeito normal... a não ser quando é Lua Cheia. Contato: [email protected]

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