Críticas

Contracted (2013)

E a lição de hoje, crianças, é: não façam sexo sem proteção, especialmente com necrófilos!

Contracted (2013)

Contracted
Original:Contracted
Ano:2013•País:EUA
Direção:Eric England
Roteiro:Eric England
Produção: Eric England, J.D. Lifshitz, Raphael Margules
Elenco:Najarra Townsend, Caroline Williams, Alice Macdonald, Katie Stegeman, Matt Mercer, Charley Koontz, Simon Barrett, Ruben Pla, Dave Holmes, Celia Finkelstein

Body horror é e sempre foi um veículo excelente para diretores mostrarem o medo que cresce, invisível e implacável, de dentro do nosso corpo para fora. Deste corpo externam feridas, secreções e doenças que consomem a carne e são uma boa metáfora de que os segredos mais profundos da nossa psique e do nosso comportamento podem ser absorvidas e refletidas no mundo material.

Contracted é uma produção recente do diretor e roteirista Eric England (Madison County), que usa este subgênero como veículo para mostrar, de certa forma, como um erro de uma noite pode remodelar seu mundo de forma irremediável no rompante de uma aventura sexual inconsequente.

A protagonista é Samantha (Najarra Townsend, Eu, Você e Todos Nós), uma garçonete de restaurante que sonha em fazer carreira como florista premiada. Ela relutantemente aparece em mais uma festa promovida pela irreverente Alice (Alice Macdonald), que se compadece pelo estado depressivo da amiga causado pelas diversas de pressões e problemas que anda sofrendo. E não são poucos: Samantha tem problemas com sua recém descoberta opção sexual, sua namorada indiferente (Katie Stegeman), com a mãe desconfiada (Caroline Williams, Terror no Pântano 3), com a recuperação do abuso de drogas… Enfim, não está nada fácil.

Contracted (2013) (2)

Com a melhor das intenções Alice faz Samantha tomar umas a mais para despachar os maus espíritos. Sendo pessoas de resistência baixa, bastaram poucas doses para ambas ficarem bêbadas. É quando Samantha conhece B.J. (Simon Barrett, roteirista de A Casa dos Pássaros Mortos), um penetra que a seduz e a convence a uma rodada de sexo na traseira de seu carro… Já seria um problema, não fosse o agravante de que logo na abertura B.J. aparecesse transando com um cadáver putrefato num IML qualquer da cidade.

B.J. desaparece e as consequências deste ato aparecem logo na manhã seguinte, e não é só a culpa pela traição e a ressaca que incomodam. Uma grave doença venérea se manifesta na garota e avança violentamente num espaço de apenas três dias, somadas a uma nova sequência de decisões ruins que colocarão a vida de Samantha (e dos outros a sua volta) em grave perigo.

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Se o filme pegasse com mão pesada apenas nos estereótipos – o apaixonado amiguxo chiclete (Matt Mercer), a namorada chata, a mãe opressora mesmo sem se dar conta – e não fizesse panfletagem subliminar sobre os perigos do sexo causal, ainda seria passável se a personagem principal fosse crível ou, pelo menos, empática. O problema é que não é, e muito.

Apesar das nojeiras causadas do rápido declínio de Samantha ante sua DST radioativa, é difícil compadecer com ela se não passasse todo o tempo do filme tentando resolver sua vida e escondendo os sintomas, ao invés de procurar a cura como qualquer ser humano com o mínimo de bom senso faria. E quando o faz, o doutor picareta (Ruben Pla, Sobrenatural) não pede exames e sequer receita um mísero antibiótico! Essa figura trabalha no SUS?

Contracted 2013

Relevando este aspecto (e já é bastante coisa) falta a Samantha o perfil básico para nos compadecermos tanto assim com sua situação. Contracted dá algumas boas dicas: a dificuldade em aceitar a própria sexualidade, o relacionamento desigual com a namorada, o abuso de substâncias químicas no passado, a falta de confiança da mãe e um “quadrilátero” amoroso que não chega a lugar algum. Como nenhuma destas características é explorada, e ela só aparece aborrecida ou envergonhada o tempo todo, sobra pouco para se importar, especialmente lá pelo final, quando Contracted flerta com filmes de infecção como Cabana do Inferno e Extermínio. O diretor/roteirista Eric England deveria ter sacado as entrelinhas dos Body Horror criados por David Cronenberg para ser mais bem sucedido.

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No mais sobram os atrativos trazidos pela repulsa causada pela eficiente maquiagem – embora olhos mais atentos encontrarão alguns erros de continuidade no olho esquerdo da atriz, que ora é cego, ora não – incluindo todo o cardápio de nojeiras que um bom filme neste subgênero pode trazer, de sangramentos incontroláveis à larvas saindo de orifícios diversos. É apelativo, é forçado e é de mau gosto, mas não dá para tirar os olhos da tela. Só que sem um bom roteiro e motivações suficientes, nojeira por nojeira, o Discovery tem documentários bem mais assustadores. O final aberto já engatilhou uma continuação que deve ser lançada em 2015, Contracted: Phase II, dirigido e roteirizado pelos iniciantes Josh Forbes e Craig Walendziak, respectivamente.

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3 Comentários

  1. Sérgio Coruja

    Filme meia boca em todos os sentidos…
    Alguns o comparam a Thanatomorphose (2012), mas apesar das semelhanças este dá de 10 em Contracted.

  2. Assisti ao filme (em 12/2/17), curioso. Não o conhecia, e pela sinopse do Netflix não ficava claro o gênero. Lá pela metade constatei ser um body horror. Alguns bons efeitos especiais são positivos, mas não compensam as falhas de roteiro – especialmente o forçadíssimo final pré-sequência (já saiu?). O cast também é fraco.

  3. Mk

    Achei interessante mas não é um bom filme !

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