Críticas

Blood Glacier (2013)

Não é marcante como o enigma de Carpenter, mas garante sua posição entre os grandes exemplares modernos de um terror frio e grotesco!

Blood Glacier (2013) (2)

Blood Glacier / The Station
Original:Blutgletscher
Ano:2013•País:Áustria
Direção:Marvin Kren
Roteiro:Benjamin Hessler, Marvin Kren
Produção:Helmut Grasser
Elenco:Gerhard Liebmann, Edita Malovcic, Hille Beseler, Peter Knaack, Felix Römer, Brigitte Kren, Michael Fuith

“Pare de comer essa banana enquanto você está chorando…”

No gelo, o vermelho é muito mais intenso. John Carpenter soube como ninguém associar o líquido viscoso com o estado absoluto de isolamento, provocador de ilusões e insanidade, como a metáfora da transformação de homens em criaturas disformes. A “coisa” parecia ainda mais agressiva pela sua capacidade de mudar de habitats, através de carcaças humanas, ampliando a confusão mental e o estado de impotência diante do desconhecido. Teria conquistado o status de pioneiro na mescla de terror e ficção científica, se Ridley Scott não concebesse Alien, O Oitavo Passageiro, três anos antes.

As experiências com DNA na criação de monstros se intensificariam nas décadas seguintes, culpando o Homem, o “anjo caído“, por brincar de Deus. Seth Brundle, na pele de Jeff Goldblum, talvez exemplifique de maneira mais grotesca essa tendência ao acidentalmente se fundir com uma simples mosca, na obra de David Cronenberg. Com a fusão, não só do homem com a mosca mas entre os gêneros, viriam mais exemplares, com mais erros do que conquistas. Entre esses bastardos, nasceria em 2013 uma produção austríaca, bastante elogiada no Festival de Toronto – com o título The Station, bem inferior ao Blood Glacier que viria estampado nos DVDs. Tudo se deve à competência na realização, tanto que deveria ser indicado como o remake oficial de O Enigma de Outro Mundo e não aquela produção do holandês Matthijs van Heijningen Jr., lançada em 2011.

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Repare nas semelhanças com o filme de 1982. Nos alpes alemães, numa época não determinada, três homens e uma mulher, em companhia de um cachorro, trabalham numa estação de operação climática, pesquisando sobre as mudanças de temperatura e a redução glacial. A vida tediosa de coleta de amostras e observação do ambiente gélido está em vias de ter uma agitação com a visita de pessoas importantes do ministério, mas nem todos parecem dispostos a receber ilustres presenças. Janek (Gerhard Liebmann) estaria ansioso por rever sua ex-mulher Tanja (Edita Malovcic), no grupo dos visitantes, porém um estranho líquido vermelho está em evidência numa parede de gelo, próximo a uma caverna onde há os restos do que parece ser uma raposa mutante.

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Ferido, e tendo a mão lambida por seu fiel cão, Janek começa a acreditar, com seus companheiros, que aquela “coisa” parece estar alterando geneticamente os animais, transformando-os em criaturas híbridas e extremamente agressivas, incluindo seu próprio animal de estimação. Mesmo sabendo do perigo iminente, seus colegas temem que o cancelamento da visita pode atrapalhar o futuro do projeto e fazem de tudo para que o passeio se concretize, criando um cenário belíssimo, fotografado por Moritz Schultheiß, assombrado por monstros que variam de águias a mosquitos e cabras montanhesas, em efeitos práticos, sem aquele CGI que interfere na avaliação final.

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Logo, os sobreviventes terão que se isolar no laboratório e encontrar meios de se comunicar com o mundo exterior em busca de ajuda, temendo que o desastre ecológico se espalhe pelo planeta, naquelas mensagens moralistas que o Cinema volta e meia tenta apresentar em filmes do gênero. Sangue, gore e criaturas com garras trabalham o entretenimento do espectador, com personagens já vistos na tela, mas que ainda mantém o interesse pelo longa de Marvin Kren (o “R” de O ABC da Morte 2, 2014, e Berlin Undead, 2011), desenvolvido a partir do roteiro de Benjamin Hessler.

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Com atuações razoáveis, o destaque está na presença da mãe do diretor, Brigitte Kren, como a ministra de personalidade forte Bodicek. É dela que vem uma das melhores frases do gênero dos últimos anos e que possivelmente será lembrada por um bom tempo, numa cena aguda de suspense, e que foi utilizada no começo dessa análise. The Station (ou Blood Glacier) não é marcante como o enigma de Carpenter, mas garante sua posição entre os grandes exemplares modernos de um terror frio e grotesco.

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3 Comentários

  1. Mk

    Eu achei ele bem interessante, mas acho que a falta de verba causou a pouca aparição dos monstros, não é um clássico mas é uma boa pedida!

  2. Leo_do_vale

    Concordo com o camarada, o filme é ruim demais, sonha em ser o “The Thing”, mas fracassa feio.

  3. Yves

    Besta com a quantidade de caveiras! O filme é ruim que dói!!!

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