Críticas

Morte Súbita (2007)

Mostra-se um suspense extremamente competente, com uma fotografia incrível e que se encaixa entre os melhores exemplares do subgênero!

Morte Súbita (2007) (1)

Morte Súbita
Original:Rogue
Ano:2007•País:Austrália, EUA, UK
Direção:Greg Mclean
Roteiro:Greg Mclean
Produção:Matt Hearn, David Lightfoot
Elenco:Radha Mitchell, Michael Vartan, Sam Worthington, Caroline Brazier, Stephen Curry, Celia Ireland, John Jarratt, Heather Mitchell, Geoff Morrell

Um pequeno cruzeiro pelas águas do norte da Austrália se transforma num pesadelo quando o barco é atacado por um crocodilo gigante. Diferenças deverão ser superadas e só a união garantirá a sobrevivência de todos.

Um pouco de discurso ecológico: apesar do ser humano ser dotado de uma inteligência superior a de todos os outros habitantes do planeta, ele tem um péssimo modo de provar esta superioridade. Além de cortar e queimar grande parte das florestas, poluir o ar e a água que lhe mantém vivo, torturar e matar os seus semelhantes, o homo sapiens quase levou à extinção as baleias, os lobos, os ursos, os gorilas e os crocodilos (entre outras centenas de animais). Entretanto, no cinema, os bichos sempre dão um jeitinho de se vingar. Desde insetos, aracnídeos, mamíferos, peixes, aves e répteis. Na ficção o ser humano torna-se presa fácil diante a fúria do mundo animal. Eles atacam em bando (como em Os Pássaros, de Hitchcock) ou sozinhos, no caso de Morte Súbita.

Morte Súbita (2007) (3)

Morte Súbita (ou “Rogue“, no título original), que tem a direção e o roteiro assinados por Greg McLean (de Wolf Creek – Viagem ao Inferno), narra o drama vivido por um grupo de turistas acuado por um enorme crocodilo. Apesar da premissa simples que remete a um típico filme B, a produção apresenta alguns bons momentos. O melhor deles acontece no primeiro ato, onde são introduzidos os personagens e apresentado o deslumbrante cenário pantanoso do interior australiano. Assim como em Wolf Creek, o cineasta Greg Mclean usa e abusa das exuberantes paisagens de sua terra natal com tomadas aéreas mostrando rios, pássaros e plantas.

O clima documental ao estilo National Geografic se esvai lentamente enquanto os problemas vão surgindo para os personagens. Eles estão retornando de um passeio de barco quando resolvem investigar um pedido de socorro de uma outra embarcação. Acabam atacados por um suposto crocodilo. Com o casco do barco danificado, são obrigados a aportar numa pequena ilha e aguardar ajuda. Mas logo percebem que estão cercados por um réptil cujo prato favorito é à base de suculentos turistas desavisados. Mas se não bastasse o enorme crocodilo, os encrencados turistas têm um outro probleminha: a maré. Com o cair da noite, a maré vai subindo e encobrindo a ilhazinha, que estará submersa em poucas horas.

Morte Súbita (2007) (2)

O elenco é encabeçado por Michael Vartan (da série Alias), interpretando um jornalista de uma revista de viagens americana que está no país para escrever uma matéria sobre o Kakadu National Park (cenário de Morte Súbita e habitat da criatura). A atriz Radha Mitchell, de Terror em Silent Hill, interpreta a sexy guia e capitã do barco que carrega o grupo de turistas rumo a pior viagem de suas vidas. Apesar de ser uma co-produção entre os Estados Unidos e a Austrália, o elenco de Morte Súbita se completa com atores australianos, entre eles Sam Worthington, Caroline Brazier, Stephen Curry, Celia Ireland, John Jarratt, Robert Taylor e a jovem atriz Mia Wasikowska, a Alice na adaptação da obra de Lewis Carroll dirigida por Tim Burton.

(o parágrafo abaixo contém SPOILER)
O que pode incomodar os fãs de horror um pouco mais hardcore é que Morte Súbita é um filme em que a violência é menos explícita e mais sugerida. O monstruoso crocodilo só aparece de verdade nas sequências finais e a maioria das mortes é em off-screen – ainda que o roteiro apresente algumas crueldades incomuns, como a morte de um cachorrinho e o ataque do crocodilo à mocinha do filme. Esta é uma opção inteligente do diretor/roteirista que pode ser encarada como uma espécie de metáfora ao comportamento dos crocodilos na vida real: eles são silenciosos, observadores e extremamente inteligentes. Obviamente esta escolha também facilitou o enquadramento de Morte Súbita numa censura menos restritiva (ainda que tenha sido lançado nos States com censura R).

Morte Súbita (2007) (2)

A concepção digital da criatura ficou a cargo da equipe do australiano John Cox (responsável pelos efeitos animatrônicos de O Hospedeiro e Eclipse Mortal). O visual do crocodilo é realista e sem muitos exageros, o que aumenta a credibilidade da trama. Apesar do tamanho avantajado, o réptil é apenas um crocodilo muito grande, mas que poderia existir de verdade. Os bons efeitos renderam a Cox o prêmio de melhores efeitos especiais do Australian Film Institute em 2007.

Morte Súbita teve uma distribuição limitada a 10 salas nos Estados Unidos, arrecadando U$ 7,7 milhões e recuperando pouco mais de 1/3 do valor investido durante as filmagens (o orçamento do filme girou em torno de U$ 20 milhões). Mas as boas críticas e a recepção calorosa dos fãs de horror devem consolidar o sucesso da produção, recém lançada em DVD no mercado internacional.

Morte Súbita (2007)

Como afirmado antes, Morte Súbita é um filme silencioso, portanto não abusa dos efeitos sonoros e a trilha composta por Frank Tetaz (de Wolf Creek) raramente é tocada.

Infelizmente, um dos pontos negativos do filme é o confronto final homem versus animal. O clímax não corresponde às expectativas criadas na primeira metade de Morte Súbita. Falta emoção ao previsível duelo entre o jornalista e o crocodilo…

Morte Súbita (2007) (3)

Muitos poderão se mostrar decepcionados e questionar que o cineasta Greg McLean não conseguiu superar Wolf Creek, mas no mínimo, Morte Súbita se mostra um suspense extremamente competente, com uma fotografia incrível e que se encaixa entre os melhores exemplares dos chamados filmes de animais assassinos.

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5 Comentários

  1. Maylon

    Assisti essa produção à anos atrás em DVD. Revi em DVD recentemente, é uma produção incrível, bons efeitos especiais que não exageram, clima de suspense bem feito, o crocodilo é extremamente realista, o design da criatura não exagera. Dos filmes de terror atuais de crocodilos, esse é excelente, recomendadíssimo!

  2. Cristiano

    Ah mtooo bom filme , diga-se de passagem.
    Deverá ter parte 2 .

  3. Cristiano

    Já saiu , morte súbita parte 2
    ( rogue) ?

    Obgdo pela atenção.

  4. Mauricio e Rafaela

    Muito empolgante vale a pena assistir. Uma produção excelente.

  5. Cristina

    Interessante, pensei que fosse mais um filme ruim. Vou dar uma chance.

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