Requiem for a Vampire (1971)

Requiem for a Vampire (1971) (4)

Requiem for a Vampire
Original:Vierges et vampires
Ano:1971•País:França
Direção:Jean Rollin
Roteiro:Jean Rollin
Produção:Sam Selsky
Elenco:Marie-Pierre Castel, Mireille Dargent, Philippe Gasté, Louise Dhour, Michel Delesalle, Antoine Mosin, Agnès Petit, Olivier François

O que se pode escrever, que já não tenha sido escrito, a respeito do diretor francês Jean Rollin (1938-2010)? Ele já foi taxado de tudo um pouco, de poeta à picareta, chegou a ser chamado até de “o Bertold Bretch dos vampiros“. Há quem compare sua obra com o de cineastas como José Mojica Marins, Ed Wood e Jesus Franco. Tem detratores e muitos adoradores.

Polêmicas a parte, neste Requiem for a Vampire (que teve títulos alternativos apelativos como Caged Virgins, Sex Vampires, entre outros…), Rollin consegue ir da sofisticação poética a mais pura tosquice num piscar de olhos!

O filme começa com uma perseguição de carros, com direito a tiroteios. Vemos que o carro caçado esta sendo usado por um homem e duas garotas, ambas vestidas de palhaços, Marie (Marie-Pierre Castel) e Michelle (Mireille Dargent). O comparsa delas morre e as duas abandonam o veículo, isto sem encharcá-lo de gasolina e tocar fogo com o cadáver dentro. As moças começam a peregrinar em paisagens bucólicas, passam por um cemitério, onde uma delas acaba sendo acidentalmente enterrada viva pelos coveiros.

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Depois de andarem a esmo, elas param no clichê mais surrado do velho castelo, não faltando nem o portão que se fecha após a passagem delas. Agora nossas protagonistas começam a passear pelo castelo, e dê-lhe imagem de subidas e descidas de escadas. Não falta nem uma cama onde as duas tiram a roupa e trocam carícias, numa cena totalmente gratuita, mas infelizmente muito rápida.

Não demora muito para as moças encontrarem uma corja liderada por um vampiro decrépito e decadente e seus auxiliares humanos, que estão em vias de se transformarem em vampiros. As nossas protagonistas são mordidas, mas para completar a “transformação”, elas terão que caçar homens e transarem com eles, pois não há como elas virarem vampiras continuando virgens. Marie resolve sair do castelo, ao contrário de sua amiga Michelle, que aceita seu destino, o que acaba gerando um conflito entre as duas.

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Este filme é frequentemente detonado por causa da sua primeira metade, em que os diálogos são escassos, chegando a ter quase 40 minutos sem falas. Os mais maldosos chegam a afirmar que isso se deve ao fato da inabilidade e falta de inspiração de Rollin para escrever o roteiro. Pura má vontade, na verdade ele tenta contar a história apoiando-se nas imagens e sons. Ao contrário de muitos, não acho essas sequências muito cansativas, pelo contrário, é aqui que o diretor cria um clima surreal bastante interessante, com composições visuais bem bacanas, numa ambientação bem onírica. Já na segunda metade da obra, posso afirmar que há diálogos ridículos e situações forçadas (o motivo da perseguição de carros lá do começo, que só é revelado no meio do filme, é bobo demais). Sem contar com a própria caracterização do vampiro, com seus caninos enormes saltando para fora da boca, é demasiado fake, assim como o resto de sua trupe: formada por duas mulheres e três homens, com visual de figurantes de algum peplum vagabundo. Mais parecem ter saídos de um baile de carnaval suburbano. O que acaba salvando a segunda metade do filme é os belos cenários góticos do castelo e o clima constante de erotismo.

As cenas mais absurdas e apelativas acontecem num calabouço onde várias garotas são mantidas prisioneiras. Elas estão acorrentadas e são violentadas sem cerimônias pelos asseclas do vampiro. Temos aqui cenas de sexo simulado (filmados de forma monocromática) com garotas com belos corpos. E o mais incrível é um morcego (visivelmente de borracha) grudado na genitália de uma das raparigas.

Claro que as falhas são perdoáveis, graças ao belo clima poético e sensual construído de forma minimalista pelo diretor.

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Curiosamente Rollin rodou Requiem for a Vampire junto com Le Frisson des Vampires, lançado no mesmo ano, utilizando um orçamento apertadíssimo, que mal dava para um filme, imagina então dois. A dureza era tanta que o diretor teve que assumir o roteiro de ambos, pois a produção não tinha condições de contratar um roteirista.

Embora Requiem for a Vampire não esteja no mesmo patamar de outros trabalhos de Rollin (como Fascination e La Rose de Fer, por exemplo), é um belo exemplar da filmografia do Mestre, que é justamente na linha tênue entre a poesia e a tosquice, que retira toda a sua força. Uma obra que agradará em cheio os fãs de um bom exploitation setentista, acrescidos de momentos oníricos e góticos. Surreal e sensual. É Rollin em estado puro.

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Paulo Blob

Paulo Blob

Nascido em Cachoeirinha, editou o zine punk: Foco de Revolta e criou o Blog do Blob. É colunista do site O Café e do portal Gore Boulevard!

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