Críticas

Sexta-Feira 13 (1980)

Sexta-feira 13 lançou uma série de clichês impagáveis e que depois se tornariam regras dos filmes de terror!

Sexta-Feira 13 (1980) (5)

Sexta-Feira 13
Original:Friday the 13th
Ano:1980•País:EUA
Direção:Sean S. Cunningham
Roteiro:Sean S. Cunningham, Victor Miller,
Produção:Sean S. Cunningham
Elenco:Betsy Palmer, Adrienne King, Jeannine Taylor, Betsy Palmer, Adrienne King, Jeannine Taylor, Kevin Bacon, Harry Crosby, Laurie Bartram, Mark Nelson, Rex Everhart, Ron Millkie

A primeira matança, que já virou uma espécie de clássico referencial, ainda mais com subprodutos como Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado fazendo sucesso há tempos. Mas trata-se de uma cópia deslavada de Psicose, do qual aproveitou a ideia da mãe assassina. Apesar de ser o único da série que mais ou menos tenta contar uma história, não é um grande filme, e ganha as três caveirinhas só pelo esforço de criar clima e por meia dúzia de cenas legais.

A história todo mundo conhece: um acampamento de férias, Crystal Lake, é fechado após o assassinato brutal de um casal nos anos 50, apenas alguns meses após o afogamento de um jovem, Jason Voorhees.

Nos tempos atuais (no caso, 1979), o jovem empresário Steve Christie resolve reabrir Crystal Lake. Para isso, contrata alguns rapazes e moças para colocar o local em ordem para a temporada de verão. Como acontece em onze de cada dez filmes de terror, eles serão mortos um a um por um misterioso assassino.

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Sexta-feira 13 tenta contar uma história, e aí vale o esforço do diretor Sean S. Cuningham. Ele tenta dar algum carisma aos seus personagens, e QUASE consegue. Ora, alguns deles realmente parecem gente de verdade. O problema é que, sem história para contar, Cuningham preferiu preencher o filme com assassinatos de tempos em tempos. Mas há uma boa qualidade: quem vê o filme pela primeira vez tem até certa dificuldade para adivinhar quem vive e quem morre, algo que depois ficaria previsível nas continuações.

O diretor tenta criar algum suspense: na primeira meia hora de filme, poucos assassinatos são mostrados. As pessoas desaparecem aqui e acolá, você até imagina que elas estejam mortas, mas não tem certeza. Então, bingo, os cadáveres começam a aparecer. Aliás, curioso como o assassino sempre tem tempo de pendurá-los em posições dramáticas sem ninguém perceber.

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Sexta-feira 13 lançou uma série de clichês impagáveis e que depois se tornariam regras dos filmes de terror. Por exemplo, a heroína é a virgenzinha inocente que não passa o filme inteiro transando, ao contrário das amigas promíscuas; o namoradinho dela – não, eles não chegam a se beijar, porque ela é, oh Deus, tão inocente – diz já volto na hora de checar porque o gerador não funciona e, claro, vai para o espeto. Aliás, ali rende uma cena bem legal: a porta que se fecha nas costas da mocinha, revelando o namoradinho morto e pregado na parede, com uma flecha bem lá naquele lugar.

Os personagens cometem as maiores cagadas possíveis e imagináveis, caminhando para lá e para cá na escuridão, entrando em alojamentos escuros e vazios, saindo sozinhos para lugares ermos, aproximando-se de desconhecidos sem nem imaginar o perigo que correm, tropeçando durante a fuga do assassino, etc, etc.

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A maquiagem das mortes, feita pelo especialista Tom Savini, é um espetáculo à parte. Isso que o filme nem exagera muito na violência explícita, pelo menos considerando o rumo que a série tomou posteriormente. Aqui temos machado cravado na cara de uma menina, um Kevin Bacon novinho tomando uma espetada no pescoço (cena copiada em Sexta-feira 13 – Parte 3) e um pescoço cortado bem real…

Passados tantos anos, todo mundo já deve saber que não é o Jason que mata nesse filme, e, sim sua mãe, que quer vingança contra os monitores que deixaram seu filhinho morrer. Ou seja, a história termina até com um final-surpresa, longe da mesmice que se repetiria nos filmes seguintes.

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Considerando o nível que a série tomou a partir do terceiro episódio, dá para assistir perfeitamente este Sexta-feira 13 original, e, quem diria, até levar alguns sustos. Nada muito extraordinário, mas divertido para um sábado de chuva.

Curiosidades

– O filme marca a estreia de Tom Savini com maquiador. Durante as primeiras duas semanas de exibição do filme, ele foi aos cinemas conferir de perto seu trabalho e a reação da plateia na cena final em que Jason emerge do lago e agarra Alice.

– Mesmo assim, boa parte do trabalho de Savini não foi para as telas do cinema: as cenas de assassinato eram muito mais compridas e sofreram vários cortes (não se sabe se foram feitos pelo diretor ou por pressão da Paramount). Segundo páginas na Internet especializadas na série, foram cortados vários segundos na morte de Annie (muito mais sangue saía da sua garganta cortada); na de Jack (o pescoço do rapaz, atravessado por uma seta, girava fazendo jorrar muito sangue); na de Marcie (atingida pelo machado no rosto, ela deslizava lentamente até cair no chão), e na da própria Sra. Voorhees.

Sexta-Feira 13 (1980)

Kill her, mommy!

– Outra cena que foi filmada, mas não incluída no filme, é a morte dos dois instrutores em 1958, no prólogo. O rapaz leva uma facada no estômago e a menina grita em close-up, quando entra o título do filme. Mas foi filmada a cena em que o assassino a esfaqueia no pescoço, fazendo jorrar muito sangue. Curiosamente, fotos desta cena foram usadas para publicidade do filme e aparecem até hoje em reportagens sobre a série, embora não tenham sido aproveitadas na edição.

– Savini também faz um pequena ponta no filme, em uma cena onde o cadáver de Brenda é atirado pela janela bem na frente de Alice. Na verdade, quem atravessa a janela é o próprio maquiador – e é possível perceber isso pelos seus cabelos pretos, embora Brenda tivesse uma longa cabeleira castanho clara.

– Dizem as más línguas que a Paramount só concordou em bancar o filme após o produtor Cunningham abrir mão do salário de diretor e boa parte da bilheteria.

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3 Comentários

  1. otimo filme , suspense, mortes bacanas, e só ganhou 3 estrelas

  2. gu

    achei bem ruimzinho esse primeiro rs

    • Com todo o respito, gu, eu o coloco entre os melhores da série

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