What We Do in the Shadows (2014)

What We Do in the Shadows (2014)

What We Do in the Shadows
Original:What We Do in the Shadows
Ano:2014•País:Nova Zelândia
Direção:Jemaine Clement, Taika Waititi
Roteiro:Jemaine Clement, Taika Waititi
Produção:Emanuel Michael, Taika Waititi, Chelsea Winstanley
Elenco:Jemaine Clement, Taika Waititi, Jonathan Brugh, Cori Gonzalez-Macuer, Stuart Rutherford, Ben Fransham, Rhys Darby, Jackie van Beek, Elena Stejko

Pense rápido: filmes de terror e Nova Zelândia, qual o primeiro nome que vem a cabeça? Não sou um mentalista, mas posso me assegurar que, se houve algum, este nome é Peter Jackson. Já se foram dezenas de anos (e dezenas de óscares) para o diretor que entregou Fome Animal lá nos confins de 1992 e desde então poucas produções se destacaram desta terra longínqua, até que no Festival de Sundance de 2014 foi exibido pela primeira vez um mockumentário que prometeu colocar os neozelandeses e as boas comédias de horror juntas novamente na mesma sentença.

What We do in the Shadows é uma hilária obra baseada num curta homônimo de 2006, dirigida, roteirizada e estrelada pela dupla Jemaine Clement (do seriado Flight of the Conchords) e Taika Waititi (Lanterna Verde), que, simplesmente, acompanha a vida de quatro vampiros que moram juntos em um casarão localizado num vilarejo nos cafundós do país.

What We Do in the Shadows (2014)

Não há muito “roteiro“, afinal o filme é conduzido como um documentário, porém vou detalhar um pouco mais: Viago (Waititi) é um elegante e polido vampiro do século 18 que mantem suas boas maneiras mesmo depois do além-túmulo (quando está com fome e faz uma vitima, ele cuidadosamente coloca jornais para não sujar o chão de sangue); Clement interpreta Vlad, ou Vladislav, o “cutucador” (o termo “empalador” já havia sido usado), já mais chegado a orgias e torturas, como na versão de Drácula de Francis Ford Coppola. Completam o grupo o bad-boy Deacon (Jonathan Brugh) e o mais velho, Petyr (Ben Fransham), inspirado em Nosferatu e não muito chegado em fazer contato social.

Os quatro vampiros já estão estabelecidos na cidade há muito tempo e estão bem enturmados com a vida noturna, mas como cada um foi transformado em uma época diferente, o conflito de personalidades é latente. Porém nenhum deles está bem aclimatado com o século 21, se vestindo mal e tendo dificuldades em entrar em boates (eles só podem entrar se alguém os convidar), e a partir daí o filme encontra seu riso em situações esdruxulas que vão se acumulando a medida que a equipe de filmagem segue o cotidiano, seu relacionamento com os mortais, a dificuldade em encontrar uma virgem, os problemas com os lobisomens, entre outros.

O humor é tão afiado quando as presas dos protagonistas; as piadas variam desde o pastelão – a dificuldade de eles se alimentarem sem fazer uma tremenda bagunça – ao puramente inteligente (a imperdível comparação entre uma virgem e um sanduíche que explica o porquê da preferência), em todos os casos o filme não para de jogar novos acontecimentos com repercussões hilárias em um ritmo acelerado e divertido.

What We Do in the Shadows (2014)

Além dos estereótipos dos vampiros, não percam as referências obvias e outras nem tanto a Garotos Perdidos, Blade e Crepúsculo juntando tudo com baldes de sangue para dar aquele aspecto cômico de desenho animado e um elenco muito bem entrosado que torna What We do in the Shadows ainda mais interessante.

Dependendo do público, os aspectos negativos ficam apenas para a fotografia escura (contudo lembre-se, deveria ser um documentário), a história que dá uma perdida no ato final e as todas as cenas com os lobisomens não são exatamente ruins, mas por serem mais fracas e menos engraçadas que as demais.

What We Do in the Shadows (2014)

Qualquer coisa adicional que escreva só seria para exaltar esta despretensiosa comédia cheia de sutilezas, e até de ingenuidades, que ganha de qualquer outra envolvendo vampiros com seus diálogos cortantes e criatividade – um oásis quando as opções recentes são de tranqueiras que tentam fazer rir com piadas chulas envolvendo genitálias e fluídos corporais como Inatividade Paranormal 2… Assista!

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS’s embolorados. Contato: gabrielpaixao@bocadoinferno.com.br

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