Wolf Creek 2 (2013)

 

Wolf Creek 2 (2013) (2)

Wolf Creek 2
Original:Wolf Creek 2
Ano:2013•País:Austrália
Direção:Greg Mclean
Roteiro:Greg Mclean, Aaron Sterns
Produção:Helen Leake, Greg Mclean, Steve Topic
Elenco:John Jarratt, Ryan Corr, Shannon Ashlyn, Philippe Klaus, Shane Connor, Ben Gerrard, Chloé Boreham, Marsha Vassilevskaia, Sarah Roberts

Vítima: Então é um jogo como Quem quer ser um Milionário?
Mick Taylor: Yeah! Exceto pelo fato de você não poder telefonar para um amigo, se você tiver um erro, porque estará ocupado gritando em uma agonia fodida!

O gênero horror mudou muito desde o lançamento de Wolf Creek – Viagem ao Inferno, em 2005. Era a época da proliferação do “torture porn“, quando parecia interessante acompanhar filmes violentos, cada vez mais gráficos e realistas, envolvendo torturas e pessoas bonitas. Para muitos, ele “começou” (com aspas porque há resquícios nas décadas anteriores em produções isoladas como Aniversário Macabro, de 1972) com o jovem Eli Roth e seu O Albergue, também do mesmo ano, embora também exista a fórmula em Pânico na Floresta (2003), Alta Tensão (2003), O Massacre da Serra Elétrica (2003), Jogos Mortais (2004) e muitos outros oriundos do novo milênio. Durante esse período, dois vilões se tornaram referências no estilo, seja pela forma dolorosa com a qual lidava com suas vítimas ou pela frieza em cometer atos insanos: JigSaw, da franquia Jogos Mortais, que alcançou momentos áureos na primeira década, mas foi se perdendo em repetições e roteiros exagerados; e Mick Taylor, o caipira cruel que caçava turistas nas proximidades de um ponto turístico australiano.

Wolf Creek 2 (2014)

Este último é inspirado nos crimes de Ivan Milat, um assassino e torturador que perseguia mochileiros na Austrália na década de 80 e 90. Depois de sete vítimas, encontradas mutiladas, e muita investigação, ele foi preso e condenado à prisão perpétua em 1994, cumprindo atualmente sua pena em Nova Gales do Sul. Greg Mclean se interessou pelas ações de Milat e resolveu criar o perverso Mick Taylor, num filme perturbador pelo modo como foi estruturado, permitindo que o público conhecesse bem as vítimas antes de lhes apresentar o algoz. A organização foi tão eficiente que até sugeriu, na primeira metade, que o inimigo pudesse vir de outro planeta, impedindo que o carro funcionasse e através da iluminação e crença dos jovens. Teria sido melhor para Liz (Cassandra Magrath), Kristy (Kestie Morassi) e Ben (Nathan Phillips) se o destino lhe trouxesse a morte por uma força alienígena a ter que experimentar o horror de uma faca afiada e os desejos sexuais de Taylor.

Após o triunfo com o longa, Mclean abandonaria o tema com o selvagem Morte Súbita, de 2007, envolvendo os ataques de um imenso crocodilo na Austrália e a participação de Sam Worthington e Radha Mitchell. Até o lançamento da esperada volta de sua criação principal, o cineasta produziu o western Busca Sangrenta (2010) e a ficção Crawlspace (2012), sua primeira bola fora. Oito anos se passaram, não somente para a realização da continuação mas também para o gênero. O found footage virou febre; Jigsaw encontrou seu capítulo final; e Eli Roth foi ficando apenas na promessa, atuando mais como produtor do gênero. Parece que a nova década já não via mais graça em torturar jovens, e os assassinos em série não conseguiam mais cativar o espectador nos remakes de Sexta-Feira 13 e Halloween, abrindo as portas das casas assombradas para o retorno dos fantasmas. Será que Mick Taylor teria espaço nesse admirável mundo novo?

 

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A resposta só viria no Festival de Veneza em 30 de agosto de 2013 e também no de Paris em 24 de novembro. A estreia oficial aconteceu em 20 de fevereiro de 2014 na Austrália, conquistando mais de um milhão e meio de dólares australianos no primeiro final de semana, ficando em primeiro lugar no box office, para um orçamento de pouco mais de 7. No total, alcançou 4 milhões, mas com o lançamento pelo mundo e o home video facilmente iria superar os gastos. As críticas foram, em maioria, positivas, com frases elogiosas como a de Norman Gator do The Sydney Morning Herald que deu pontuação máxima e escreveu: “Provavelmente a melhor produção australiana já feita. Espero que seja feito um terceiro.” O caipira estava de volta e novamente havia agradado ao público!

Se o público já conhecia as ações do psicopata, não seria adequado um roteiro que seguisse a fórmula do primeiro, apresentando jovens procurando meios de escapar do vilão pelo deserto australiano. Mclean, em parceria de Aaron Sterns, traz Mick em ação nos primeiros minutos, quando ele é zombado por dois rangers no sol forte de uma estrada solitária. O resultado já traz um resumo sangrento e explosivo de seus atos no primeiro, entre risadas ingênuas e aparente simpatia: a capacidade de atirar em alvos móveis distantes e seu facão imobilizador.

Com o espectador já situado e apreensivo, surge um casal alemão, Rutger Enqvist (Philippe Klaus) e Katarina Schmidt (Shannon Ashlyn), em busca de intimidade e pontos turísticos. Quando o inevitável encontro com Taylor já anuncia o destino trágico da dupla, na fuga, surge um terceiro personagem, o inteligente surfista inglês Paul Hammersmith (Ryan Corr), que buscará abrigo em lugares diversos, incluindo a residência de um casal de idosos, até o momento de enfrentar o assassino num quiz cultural com perguntas como “Em que ano os ingleses se estabeleceram na Austrália?” e “Qual é o jogador de críquete mais famoso do país?“, rendendo dedos decepados, um passeio pela mina de cadáveres e muita tensão.

Wolf Creek 2 (2013) (4)

Wolf Creek 2 não é inovador, tanto que remete até mesmo ao longa Perseguição: O Resgate (2008) no jogo do assassino e homenageia o clássico road thriller de Steven Spielberg, Encurralado (1971), incluindo o sangue digital de pobres cangurus, no entanto procura trazer um dinamismo à narrativa, invertendo papéis e alterando o herói no início do terceiro ato – e, ainda assim, permitindo que o público se importe com o seu destino, sem a necessidade de apresentá-lo durante quarenta minutos. Taylor continua sendo a grande atração do longa, seja na eficiência de suas ações ou no modo como conclui seu jogo de forma defensiva – e também dialoga com o primeiro com a fuga fácil de um sobrevivente. Por outro lado, a condição “invencível” do assassino, por vezes, incomoda.

Há, é claro, alguns clichês do estilo que poderiam ser evitados (o vilão nocauteado é ignorado em prol de uma tentativa de fuga), mas, ainda assim, o longa é uma grata diversão, com cenas violentas e o resgate do road thriller. Dentre as boas produções que foram lançadas no circuito comercial em 2014, Wolf Creek 2 encontra seu espaço, levando o espectador a momentos de desespero no “silêncio dos porcos“, de Hannibal Taylor!

Mick Taylor: Eu sou um matador de porcos! Você sabe o que eu faço com porcos quando eles começam a gritar? Eu faço-os parar!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

5 comentários em “Wolf Creek 2 (2013)

  • 06/05/2017 em 23:58
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    “O silêncio dos porcos de Hannibal Taylor” HEHEHEHEEH

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  • 24/06/2016 em 23:49
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    Esse superou o 1° em tudo, muito bom filme.

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  • 25/02/2015 em 00:50
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    Muito melhor que o primeiro , pra mim é nota 10 e está entre os 3 melhores filmes do ano passado .
    Quando eu li a notícia aqui no Boca que teria a sequência de Wolf Creek , foi um dos filmes que eu mais fiquei na expectativa e quando eu o baixei me surpreendi pois ” Wolf Creek 2 ” é muito mais que eu esperava , principalmente pelo gore que não foi mostrado no anterior que ficou faltando !

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