Críticas

A Pirâmide (2014)

Algumas doses de found footage num ambiente macabro não salvam Anúbis de um papelão egípcio!

The Pyramid (2014)

A Pirâmide
Original:The Pyramid
Ano:2014•País:EUA
Direção:Grégory Levasseur
Roteiro:Daniel Meersand, Nick Simon
Produção:Alexandre Aja, Mark Canton, Chady Eli Mattar, Scott C. Silver
Elenco:Ashley Hinshaw, James Buckley, Denis O'Hare, Christa Nicola, Amir K, Faycal Attougui, Philip Shelley Ait Hamou Amine, Omar Benbrahim

Dentre todos os mistérios e fascínios da humanidade, não há nada mais intrigante e surpreendente do que as Pirâmides do Egito. Construções absolutas do período, até hoje impressionam pela sua formação e composição, não permitindo que o Homem entenda como foram desenvolvidas. Infelizmente, o gênero fantástico não soube explorá-las tão bem em seu universo assustador, rendendo poucos exemplares nesses habitats, sendo que alguns vergonhosos como a franquia A Múmia, de Stephen Sommers, ou recente found footage Day of the Mummy, com Danny Glover. Foi com essa consciência negativa que resolvi conferir essa produção do experiente Alexandre Aja, o francês responsável pelos remakes Viagem Maldita, Espelhos do Medo e Piranha, e que um dia criou o excepcional Alta Tensão, ampliando expectativas em torno de seu nome.

Este é o primeiro trabalho na direção de Grégory Levasseur, que roteirizou várias produções de Aja, incluindo Fúria (1999) e P2 – Sem Saída (2008). Seu último argumento foi o do remake de Maníaco, de 2012, dirigido por Franck Khalfoun. Levando em condição essa troca de favores, percebe-se que Aja e Lavasseur possuem uma boa sintonia, alternando produções e roteiros, e estão contribuindo, ainda que irregularmente, para o desenvolvimento do horror francês. No caso de A Pirâmide, o roteiro foi co-escrito por Daniel Meersand e Nick Simon, ambos de de Removal (2010), um thriller com elementos góticos com avaliações positivas e negativas e conta com Emma Caulfield, da série Buffy, A Caça-Vampiros.

The Pyramid (2014)

A Pirâmide traz um terror que mescla found footage com câmeras em terceira pessoa, ambientado no interior escuro e sombrio de uma pirâmide de três lados recém-descoberta no Egito. Esse é o motivo que irá conduzir uma equipe de pesquisadores e cinegrafistas ao local, durante um período conturbado no Cairo, entre 2012 e 2013, com inúmeros protestos do povo egípcio em momentos de tensão e violência. Nora (a gatinha Ashley Hinshaw, de Poder Sem Limites, 2012) e seu pai Holden (Denis O’Hare, de Assassino Invisível, 2014) comandam a inusitada expedição ao interior da pirâmide, depois que um robozinho-câmera, emprestado pela NASA (!!!), é atacado e desaparece no local. Integram o grupo o documentarista Sunni (Christa Nicola) e seu cameraman Fitzie (James Buckley, de Conquistas Perigosas, 2013), além do experiente em robótica, Zahir (Amir K, que fez uma pontinha em Argo, 2013). Forçados a abandonar o projeto, pela expressão do único soldado do local, Shadid (Faycal Attougui, que foi dublê em O Retorno da Múmia, 2001), eles adentram a antiga morada egípcia relatando em vídeo cada passo no local.

Como se pode esperar em produções similares, eles irão encontrar restos do robô e não terão mais acesso à saída, tendo que buscar uma fuga alternativa pelos espaços curtos e cheios de armadilhas. Aliás, estas levam os personagens a momentos “Indiana Jones“, com paredes que se expremem, muita areia e lanças, diminuindo o elenco na proporção de sua importância. Há um pouco de sangue e até algumas doses de gore, remetendo o público ao currículo de Aja, mas nada que impressione tão negativamente quanto os efeitos em CGI dos monstros que cruzarão o caminho dos aventureiros.

Momento "Menina Medeiros"

Momento “Menina Medeiros”

Além dos felinos egípcios – que teriam sobrevivido graças ao canibalismo da espécie (!!) -, o grande vilão do filme é a materialização do deus Anúbis, aquele com cabeça de chacal, que poderia ter ficado mais nas sombras para esconder seus defeitos técnicos. A cãmera com filmagem noturna até chega a trazer um leve arrepio e conduz o público rapidamente a uma referência a menina Medeiros, de Rec; algo que logo se finaliza com uma cena de sequestro e uma fuga improvável. Também é possível relacionar um episódio ao momento clássico de Alien, o Oitavo Passageiro, num susto rápido e sem impacto.

O elenco até se esforça para trazer um pouco de seriedade ao filme, mas não consegue motivar o espectador a uma aceitação melhor na avaliação final. Ao final, fica aquela sensação depressiva de que as pirâmides ainda podem ambientar um horror sobrenatural, desde que tenham um tratamento melhor no roteiro e invistam mais no sugerido, caso não possam contar com bons efeitos especiais.

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8 Comentários

  1. Paulinha

    Ruim, tedioso e dispensável.

  2. Calígula

    Não vi o filme, mas penso de forma parecida com o Marcelo, nunca assisti um filme que explorasse bem o tema das pirâmides; gostaria que alguém me desse sugestões de filmes que saibam trabalhar bem essa temática, pois não conheço nenhum.

    • jeferson

      o filme O Egípcio aborda a construção de pirâmide e é bem interessante o final quando selam a tal.

  3. eu gostei, tirando aqiles gatos feios mau feitos.titando o ruim ficou tudo otimo.

  4. Eu gostei do filme , é legal. mas so nao gostei muito daqueles gatos e o anubis. mas é bem verdade q quase todos os filmes com monstros sao mau feitos hj em dia.tirando isso gostei.

  5. Leandson

    Mais um found footage!!
    Interessante…

  6. gu

    eu gostei dele 🙂 um B movie nota 10

  7. Jorge Soto

    Concordo com a critica, em gênero, número e grau. Assim como o bom “As Above so Below” e o ótimo “La Cueva” esse found footage tinha um ótimo e claustrofobico pano de fundo pra encarcerar seu elenco, no caso, as pirâmides. Pior que ele começa prometendo (tecendo analogias com as manifestações no Egito) mas depois desanda no automático e previsível. Pra piorar, colocam uns bichos antropomórficos tão toscos que até um nerd no photoshop faz coisa melhor.

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