Críticas

A Visão do Terror (1986)

Um filme muito esquisito, muito engraçado, sem o menor constrangimento de ser trash até a medula e com pitadas de nojeiras!

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A Visão do Terror
Original:TerrorVision
Ano:1986•País:EUA
Direção:Ted Nicolaou
Roteiro:Ted Nicolaou
Produção:Albert Band
Elenco:Diane Franklin, Mary Woronov, Gerrit Graham, Chad Allen, Jon Gries, Bert Remsen, Sonny Carl Davis, Ian Patrick Williams

“Povo da terra, ouçam meu aviso. Destruam seus receptores de satélite, desmonte seus sistemas de comunicações, desliguem seus aparelhos de TV pelos próximos 200 anos terrestres”.
Pluthar

Imagine um animal de estimação de um planeta distante capaz de se materializar em aparelhos de TV e que se alimenta de seres humanos? Pois essa versão esquisita de Sadako é protagonista de um trashão clássico e muito divertido realizado nos anos 80.

No departamento de limpeza urbana do planeta Plutão (ainda era planeta), um alienígena descobre que o seu bichinho de estimação sofreu mutações e, por se tornar perigoso, deve ser despachado para os confins do espaço sideral por meio de um raio – mas depois bater em alguns planetas (?!) o monstro vem de encontro ao Planeta Terra.

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Enquanto isso, por aqui, Stanley Putterman (o caricato astro B, Gerrit Graham de Brinquedo Assassino 2) instala o kit faça-você-mesmo número 100, que é uma super antena parabólica em sua casa para pegar todos os canais de televisão do mundo. Por sinal a família Putterman não é uma família normal:

– O pai Stanley Putterman, o mais comum da casa, além de montador de antenas, é um caricato swinger nas horas vagas, mas ele e sua esposa não têm muita sorte em encontrarem parceiros.

– A mãe Raquel Putterman (Mary Woronov, de Warlock e Watchers 2) é uma típica dona de casa que têm um sério problema em controlar seus impulsos sexuais.

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– O vovô Putterman (Bert Remsen) é um velho lunático veterano de guerra que prega o uso de caudas de lagartos para alimentação e tem mais armas dentro do seu quarto (ou seria abrigo nuclear?) do que muitos batalhões do exercito.

– A filha Suzy Putterman (Diane Franklin, de Amityville 2) é uma típica rebelde oitentista, adora a MTV, anda com as roupas da Cyndi Lauper e têm um cabelo que parece que morreu um Yorkshire na sua cabeça.

– O filho Sherman Putterman (Chad Allen) sabe manejar perfeitamente um rifle do exercito, tem ataques constantes de sonambulismo e toma remédios controlados.

Voltando ao filme, Stanley não consegue instalar o receptor e sem poder contar com a ajuda de Norton (Sonny Carl Davis, que também participou de Bad Channels), o cara que lhe vendeu o kit (e que anda com a gravata por dentro da calça), ele tenta resolver o problema com algumas marteladas e, depois que raio de Plutão atinge em cheio a antena, não é que o negócio funciona perfeitamente bem??

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E Stanley inaugura sua super antena, que tem um supercontrole remoto (que controla a casa toda por sinal). Mas uma típica briga pelo domínio da TV acaba detonando de novo o aparelho, que pára em um canal onde começa a maratona de horror da gostosona Medusa (Jennifer Richards) – por sinal é uma visão bem mais agradável do que um programa apresentado pelo Zé do Caixão (com todo o respeito). Eis que chega O.D. (Jon Gries de Helter Skelter e A Hora do Espanto II), novo namorado de Suzy, metaleiro mané que parece ter saído direto do Massacration e que chama todo mundo de Dude.

Os pais saem para fazer uma trocadinha enquanto vovô e Sherman dormem assistindo televisão, bem quando o monstrengo se materializa na sala e tenta atacar os dois. Então ambos se armam até os dentes para esperar o desconhecido ao passo que Norton aparece para dar uma olhada na antena e é devorado pelo monstro, assim como o vovô. Sherman tenta alertar a polícia, mas é desacreditado como era de se esperar.

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Stanley e Raquel voltam para casa com um casal para sua trocadinha: Spiro (o argentino Alejandro Rey) e Cherry (Randi Brooks), o primeiro é um grego com sotaque italiano e gostos duvidosos e a segunda é uma bela loira com uma voz irritante.

Os pais também não acreditam no filho, mesmo recebendo avisos de Pluthar (William Paulson), o chefe de limpeza urbana de Plutão, pela TV. Até porque convenhamos, pedir para desligar todos os aparelhos de televisão pelos próximos 200 anos é exagerado demais para os padrões terrestres.

Enfim, ignorando o aviso e seu filho, todos são comidos pelo monstro, que tem a capacidade de mudar parte de sua forma para o rosto das pessoas que comeu. Voltam para casa Suzy e O.D., mas antes de virarem comida de monstro, este reconhece o bracelete de O.D. como sendo o de seu antigo dono e os três sobreviventes (Suzy, O.D. e Sherman) tentam aplicar uma técnica que viram no filme E.T. ensinando as coisas da vida terrestre para ele.

Quando apresentam a criatura à TV, eles resolvem ganhar dinheiro com ela apresentando-a no programa da Medusa e acabam a convencendo a ir à casa dos Putterman. Com O.D. e um policial comido, Sherman e Suzy saem à captura do monstro.

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Com estes personagens que parecem saídos de South Park ou Os Simpsons, o diretor e roteirista Ted Nicolaou (que dirigiu também a série Subspecies) conduz um filme muito esquisito, muito engraçado, sem o menor constrangimento de ser trash até a medula e com pitadas de nojeiras.

O monstro é um bonecão feio e tosco e por isso mesmo é hilariante quando ele entra em cena; já as atuações são caricatas demais para serem levadas a sério.

Outro detalhe digno de nota é a decoração da casa dos Putterman, cheio de quadros indecentes com desenhos de mulheres seminuas em situações não muito convencionais, perfeito para a criação das crianças, não acham? O diretor Ted Nicolau voltaria ao assunto no filme igualmente tosco Bad Channels, lançado no Brasil como O Alien do Mal onde alienígenas raptam garotas pelas ondas do rádio.

Mal feito, exagerado, politicamente incorreto e divertido…são a síntese que classifica bem esse filme! Então se você gosta de bons filmes ruins e conseguir encontrar essa pequena pérola em um cantinho da locadora, já sabe: coloque umas cervejas na geladeira, chame os amigos e como diz Eli Roth (de Cabana do Inferno e O Albergue): Enjoy!!

Ah, e depois não se surpreenda se de repente se pegar assobiando a música tema. Ela é grudenta assim mesmo.

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