Críticas

El Vampiro (1957)

Totalmente embebido nos clássicos da Universal, essa produção faz adaptações curiosas: o cenário é uma hacienda mexicana!

El Vampiro (1957) (3)

O Morcego
Original:El Vampiro
Ano:1957•País:México
Direção:Fernando Méndez
Roteiro:Ramón Obón, Ramon Rodriguez
Produção:Abel Salazar
Elenco:Abel Salazar, Ariadna Welter, Carmen Montejo, José Luis Jiménez, Mercedes Soler, Alicia Montoya, José Chávez, Julio Daneri, Amado Zumaya, Germán Robles

Para muita gente o cinema fantástico mexicano se resume a filmes estrelados por homens mascarados enfrentando criaturas sobrenaturais, mas mal sabem esse pessoal que o cinema de horror mexicano, principalmente entre as décadas de 1950 até 1970, foi dos mais prolíficos e deliciosamente divertidos.

Um dos maiores clássicos dessa leva é El Vampiro, que passou nos nossos cinemas como O Morcego, de Fernando Méndez, que traz Germán Robles como o sedutor vampiro dentuço, um ano antes de a Hammer soltar seu mitológico Horror of Dracula e alçar Christopher Lee ao estrelato.

Totalmente embebido nos clássicos da Universal, essa produção faz adaptações curiosas: o cenário não é mais uma mansão gótica ou um castelo medieval, mas uma hacienda mexicana. O fato dos empregados da fazenda usarem sombreiros e aquelas roupas brancas, que estamos acostumados a ver em spaghetti-westerns, pode causar uma estranheza inicial, mas logo é absorvido.

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A trama começa quando a jovem Marta Gonzalez (Ariadna Welter, de Ensaio de um Crime de Buñuel), indo visitar a tia enferma, retorna a antiga fazenda dos Gonzalez, onde viveu seus primeiros anos. De tiracolo, a moça traz consigo um viajante que conheceu na estação de trem, chamado Enrique (Abel Salazar, que já foi chamado de o Vincent Price mexicano).

O problema é quando chegam à fazenda descobrem que a tia de Marta tinha morrido recentemente e foi enterrada no mesmo dia. A própria fazenda, um lugar outrora bucólico e agradável, está jogada às traças, coberto por teias de aranhas e com uma ambientação lúgubre. Para piorar, Marta não sabe que sua outra tia (Carmen Montejo) está transformada em uma vampira, isto graças ao vampiro, Conde Lavud (Germán Robles), que se apresenta para a família da protagonista com o pseudônimo de Duval (nada mais que seu nome original grafado de trás para frente), um nobre húngaro.

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O plano real de Lavud/Duval é ressuscitar seu irmão, cujos restos mortais estão numa tumba que se encontra no mausoléu da fazenda, já que ele foi morto pelos descendentes dos Gonzalez há cem anos. O simples fato do vampiro já estar perambulando pela fazenda há tempos, a ponto de transformar uma das moradoras em vampiro, e levar outra supostamente à loucura e à morte, nos dá a impressão que nosso vilão já teve tempo o suficiente para ressuscitar seu irmão, mas deixamos assim. Obviamente que transformar a jovem Marta em vampira, assim como foi com sua tia, também faz parte dos planos de nosso vilão.

O filme aos poucos vai tendo suas surpresas, Enrique se revela um médico, e que estaria ali secretamente para cuidar da tia Marta, a que supostamente morreu.

Embora o filme tenha cenas risíveis, como quando o vampira se transforma em um morcego de pano segurado por fios, ou quando uma das personagens consegue deixar uma vampira inconsciente usando suas próprias e frágeis mãos, El Vampiro se sai muito bem no geral, com um bom ritmo, passando rapidinho, e com uma ambientação gótica peculiar, marcado pela bela fotografia em preto-e-branco.

O diretor Fernando Méndez, que morreu prematuramente aos 58 anos em 1966, com quarenta produções em seu currículo, conduz com segurança essa trama clássica.

O espanhol Germán Robles, em sua estreia no cinema, esbanja canastrice como o vampiro sedutor. Sua imagem com os caninos de fora exibindo um medalhão pregado a seu impecável traje branco por baixo do paletó e da capa negra, se tornou icônica. Robles tem em seu currículo noventa produções – seu último trabalho foi El Secreto (2010).

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Embora o personagem de Abel Salazar pareça um tanto boboca aqui, não se deixe enganar; esse ator, produtor e diretor, embora tenha trabalhado nos mais diversos gêneros, foi graças ao cinema de horror que ele é até hoje lembrado e cultuado. Além de El Vampiro onde exerce também a tarefa de produtor, ele trabalhou em outros clássicos como La Maldición de la Llorona (1963) e interpretou o papel-título do inacreditável El Baron del Terror (1962), onde voltou a contracenar com Ariadna Welter.

El Vampiro foi tão bem recebido que logo no ano seguinte saiu a continuação, tão boa quanto a original, chamada El Ataúd del Vampiro, novamente dirigido por Fernando Méndez, e com o mesmo trio de atores (Abel Salazar, Ariadna Welter e Germán Robles).

El Vampiro é uma obra clássica que merece toda a atenção pelos fãs do cinema de horror.

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