Críticas

Frightmare (1974)

Uma assassina canibal demente está à solta! Mas apenas depois da hora do chá, como todo bom britânico!

Frightmate (1974) (2)

Frightmare
Original:Frightmare
Ano:1974•País:UK
Direção:Pete Walker
Roteiro:Pete Walker, David McGillivray
Produção:Pete Walker
Elenco:Rupert Davies, Sheila Keith, Deborah Fairfax, Paul Greenwood, Kim Butcher, Fiona Curzon, John Yule, Trisha Mortimer, Victoria Fairbrother, Edward Kalinski, Victor Winding

Tentar achar um representante do Eurotrash (também chamado de Euroshock) no Reino Unido não é tarefa das mais fáceis. Há algo extremamente polido e britânico no cinema de horror que vem desde os áureos tempos da Hammer e da censura rígida imprimida pela BBFC, como visto no escândalo dos Vídeo Nasties, que tornou difícil o subgênero decolar, ficando mais enraizado no gótico e na violência “limpa”. Ainda que exista alguma controvérsia em dizer se de fato existiu na Inglaterra, existiram alguns diretores que caminharam – ainda que timidamente – nesta direção.

Um deles é Pete Walker, nascido em Brighton no ano de 1939. Mais conhecido por ter unido a santa trindade da era de prata do horror (Cushing, Price e Lee) em A Mansão da Meia-Noite de 1983, Walker dirigiu diversos outros filmes de terror nos anos 70 fugindo do gótico e apostando no contemporâneo, numa abordagem mais próxima do que se conhece como Euroshock.

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Em Frightmare, uma de suas obras mais conhecidas, Dorothy Yates (Sheila Keith, A Mansão da Meia Noite, falecida em 2004) vive com seu marido Edmund (Rupert Davies, O Caçador de Bruxas, falecido em 1976) em uma fazenda localizada no meio do nada. Dorothy acabou de ser liberada de uma instituição mental onde ficou internada por canibalizar após matar pelo menos seis pessoas 17 anos atrás. Apesar de Edmund também ter sido preso, depois foi liberado quando as autoridades perceberam que estava apenas fingindo ter demência e participação nos assassinatos para poder ficar junto da esposa.

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Hoje Dorothy trabalha lendo cartas de tarô e oferecendo chá para os incautos viajantes. Apenas um pretexto para continuar cometendo crimes sob as barbas do marido e da polícia. Neste cenário está Jackie (Deborah Fairfax), filha do primeiro casamento de Edmund, uma adolescente britânica delinquente que gosta do perigo e de sair com gangues de motoqueiros. Ela também cria seus próprios problemas com as autoridades quando ela passa a ser suspeita de assassinato. Quando um jovem psiquiatra se afeiçoa por Jackie, sua situação se mistura com a da família revelando esqueletos há muito guardados no armário, colocando em risco todos a sua volta.

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Se o estereótipo britânico de etiqueta e xícaras de chá fosse utilizado para fazer uma versão de O Massacre da Serra Elétrica, muito provavelmente teria em Frightmare um bom representante. A história bastante similar (a família disfuncional, a fazenda num lugar esquecido, o vilão insano canibal) se soma a uma lentidão frustrante em que, para cada passo para frente querendo engrenar, dá outros três para trás em diálogos explicativos longos e reflexivos, como se todos os personagens fossem professores de Oxford… Nada muito adequado para um filme de terror onde uma velha mata pessoas com uma furadeira gigante ou um ancinho.

Como todos parecem estar num grande teatro, são as cenas de morte e perseguição – desafiando as convenções e a censura britânica na época – que podem fazer o espectador roer as unhas com a ala sênior do elenco entregando muito bem. Um marido submisso à mercê de uma antagonista violenta e intensa compõem o casal perfeito para Frightmare, para amar e odiar. Já o setor jovem é significativamente menos talentoso, agregado com sua personificação arredia e subdesenvolvida, decepcionando bastante.

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Ainda que macabro e arrepiante em suas interpretações, é preciso dizer que faltaram várias peças para completar o todo numa experiência aterrorizante. Tratando de tantos assuntos divergentes como Frightmare faz – triângulos amorosos, gangues delinquentes e muitas xícaras de chá – acaba sobrando pouco para o fã do Eurotrash curtir de fato. Cheio de potencial mal aproveitado, o filme é como um cachorro enorme que late a distância: te assusta na primeira vez, mas como está preso pela corrente curta, não chega a ser uma ameaça.

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