Críticas

Irreversível (2002)

A sensação de frustração e impotência por conhecermos o futuro reservado aos personagens se intensifica na sequência final!

Irreversível (2002) (3)

Irreversível
Original:Irréversible
Ano:2002•País:França
Direção:Gaspar Noé
Roteiro:Gaspar Noé
Produção:Christophe Rossignon
Elenco:Monica Bellucci, Vincent Cassel, Albert Dupontel, Jo Prestia, Philippe Nahon, Stéphane Drouot, Jean-Louis Costes, Michel Gondoin, Mourad Khima

Irreversível é o tipo de filme “ame ou odeie”! Polêmico, foi duramente criticado em Cannes, onde um dos críticos clamava “tomara que o tempo destrua esse filme” em referência a frase “O tempo destrói tudo”, evocada logo no início. O argentino Gaspar Noé já havia lançado um filme bem indigesto, Seul Contre Tous, onde já mostrava um estilo de cinema forte e contundente.

Logo no início de Irreversível, há uma referência a Seul Contre Tous, onde o personagem de Philippe Nahon aparece em um quarto fétido de um hotel decadente, dizendo a tal frase: “O tempo destrói tudo”. Logo depois somos levados a barulhos de uma sirene de ambulância, onde Marcus (Vincent Cassel) estava sendo socorrido de uma aparente briga. Narrado de trás pra frente, como já havíamos visto em Amnésia (Christopher Nolan), cada cena se desenrola e culmina na ação que inicia a cena anterior.

Vemos Marcus, acompanhado pelo amigo Pierre (Albert Dupontel), procurando desesperadamente por um homem chamado La Tênia (Jo Prestia). A boate gay Rectun é uma visita ao inferno, e logo de cara vemos a cena mais violenta do filme quando Tênia é encontrado. As cenas seguintes seguem mostrando a investigação da dupla de amigos, e o motivo da vingança; a famosa e repulsiva cena do estupro, onde Alex (Monica Bellucci) é abordada pelo tal La Tênia no túnel do metrô. A cena dura cerca de 10 minutos, e é construída com todos os requintes de crueldade para chocar o espectador, mesmo que exagerada e desnecessária, a cena causa, sim, impacto em quem a vê. Quem resistir a essa primeira metade, vai conhecer a parte mais amena e talvez mais doce do filme: o passado em comum do casal Marcus e Alex, e do amigo Pierre, ex-namorado de Alex, sem interferir na amizade do trio.

Irreversível (2002) (2)

Os créditos do filme são mostrados logo no início, e vão aos poucos se distorcendo, causando uma sensação de desconforto. A fotografia em tons vermelhos, uma câmera trêmula que se justifica em cenas mais frenéticas, junto com uma pesada e ruidosa trilha que só contribui para essa sensação. O filme conta com vários planos-sequência, bem realizados, alguns deles com ajuda de efeitos digitais (como a câmera que sai do carro com o vidro fechado). Tem uma atmosfera envolvente e real – à medida em que se desenvolve, as cenas vão ficando com um visual mais limpo, mais tranquilo, que funciona como uma alívio para toda a tensão gerada na primeira metade, porém a sensação de frustração e impotência por conhecermos o futuro que se reserva aos personagens se intensifica na cena final.

No elenco, o casal Vicent Cassel e Monica Bellucci estão bem à vontade e naturais atuando juntos, Monica está bela e sensual como sempre, Cassel com aquele jeitão de louco. Mas Albert Dupontel é o destaque entre os três, talvez o personagem mais complexo da trama, mostrando-se frio, calculista e fiel aos amigos, mas que no passado parecia um abobado ainda apaixonado pela ex. Jo Prestia também está bem em seu papel de vilão.

Irreversível (2002) (1)

Na sessão em que vi várias pessoas deixaram a sala durante as cenas mais extremas. As diversas reações negativas ao filme impedem qualquer reflexão que ele possa proporcionar. A forma que o diretor escolheu, em narrar o filme de forma inversa, mostra que se os personagens “pudessem voltar atrás”, e as escolhas fossem outras, suas ações não culminariam em consequências desastrosas. Porém, não podemos mudar o passado, e nem prever o futuro por mais que possamos medir nossas atitudes, pois, como o próprio título diz, é Irreversível, afinal, “O tempo destrói tudo”.

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens. Contato: ivocosta@bocadoinferno.com.br

7 Comentários

  1. Fernando luiz

    Filme bem elaborado e com enredo contundente.pórem muita cenas explicitas desnecessarias,filme que deixa voce divagando por muito tempo.e a trilha sonora e um show a parte.

  2. Daiane

    Fiquei com uma pena da Alex…Depois do que o Tenia fez ainda bateu nela muito.
    É horrível ver uma mulher indefesa apanhar, é como ver uma criança, ambas fracas e frágeis. 🙁

  3. “O tempo destrói tudo” de fato!
    Este é um daqueles filmes que deixa um gosto amargo na boca quando chega ao fim, mas creio que essa seja a intenção. A narrativa de contar a história trás para frente tem o seu propósito e é muito funcional aqui. O mesmo posso dizer da câmera caótica, que normalmente me incomoda muito em certos filmes: aqui, a câmera se agita em cenas tensas (exceto numa cena X que incomoda justamente por ter a câmera parada e por escancarar e exibir a situação de uma maneira crua) para causar incômodo e confusão mental em quem assiste; essa câmera caótica faz parte da narrativa deste filme visceral. Não é para todos os gostos, mas certamente não é um filme que deixaria alguém indiferente. Eu gosto, apesar do gosto amargo que fica.

  4. rubens

    Amo esta obra prima.

  5. Débora

    Uma merda de filme.

  6. Cristina

    Um dos filmes mais impactantes e desconfortáveis que já assisti.

  7. a temática do filme é muito boa interessante mesmo!e o teu texto me ajudou a entender um pouco por que esse filme é tão polêmico!excelente resenha!parabéns!!

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