Críticas

Late Phases (2014)

Lobisomem se alimenta de cães e idosos num dos melhores tratamentos da criatura dos últimos anos!

Late Phases (2014) (1)

Late Phases
Original:Late Phases
Ano:2014•País:EUA
Direção:Adrián García Bogliano
Roteiro:Eric Stolze
Produção:Larry Fessenden, Brent Kunkle, Greg Newman, Zak Zeman
Elenco:Nick Damici, Ethan Embry, Lance Guest, Tina Louise, Rutanya Alda, Erin Cummings, Tom Noonan, Larry Fessenden, Al Sapienza

Quando a Lua Cheia se manifesta, os amaldiçoados iniciam seu processo de transformação. Além do crescimento exagerado dos pelos e dos dentes, a estrutura óssea também se adapta para a locomoção quadrúpede, assim como a fronte se estica para evidenciar o focinho. Se antigamente a licantropia era uma deficiência física e psicológica, associada a outras doenças, com o advento do gênero fantástico ela passou a caracterizar o homem-lobo, aquela criatura voraz que circunda as matas e ataca os rebanhos e os humanos. Só de pensar na possibilidade de um confronto direto com um monstro, já é possível identificar a fragilidade humana e a sua incapacidade de uma luta igual com algo maior e mais agressivo. E se, além dessa deficiência estrutural, a vítima também tivesse alguma outra limitação? Considerada insana como a Brigitte (Emily Perkins) de Possuída 2 – Força Incontrolável (2004) ou cadeirante como Marty (Core Haim) de A Hora do Lobisomem (1985)?

É difícil medir as deficiências – e de toda forma seria uma comparação injusta -, mas é provável que a cegueira esteja entre as mais complicadas de se lidar, principalmente num mundo não preparado (e adaptado) para pessoas assim. Entre calçadas desestruturadas e preconceito, o deficiente visual precisa encontrar meios de “enxergar” através de outros sentidos. Agora imagine essas dificuldades e necessidades especiais associadas ao terror, tendo o deficiente que confrontar assassinos violentos e monstros em situações extremas? Não é por menos que o gênero sempre explora essas limitações para ampliar a tensão do público e sua preocupação com a personagem. No caso da cegueira, existem produções excelentes sobre o tema como The Eye – A Herança (2002) e o espanhol Os Olhos de Julia (2010), embora o gênero também goste de trazer a escuridão para fortalecer o medo, exemplificado numa das melhores cenas de Espíritos – A Morte está ao Seu Lado (2004).

Late Phases (2014) (2)

Toda essa introdução sobre deficiências e sensação de impotência serve para apresentar o ex-combatente do Vietnã e viúvo Ambrose (Nick Damici, de Cold in July, 2014), o anti-herói do horror Late Phases, um dos destaques de 2014, dirigido pelo espanhol Adrián García Bogliano (de Ahí va el diablo, 2012) em sua incursão pela América. O aspero protagonista perdeu a visão e toda a sensação de humanidade, afastando-se do filho Will (Ethan Embry, de Temos Vagas, 2007) e do convívio com familiares e apostando na solidão de uma comunidade para idosos, no condomínio Crescent Bay. Sem perspectivas, ele apenas aguarda a morte – refletida no seu interesse por lápides e na troca da bengala por uma pá – na tranquilidade de sua rotina, embora o seu tato inicial na nova morada revele uns estranhos arranhões na parede e uma garra, identificada pela simpática senhora Delores (Karen Lynn Gorney, de Os Embalos de Sábado à Noite, 1977). “Você cheira a beleza!“, diz Ambrose já evidenciando sua habilidade com os demais sentidos.

Pois é exatamente ela que encontrará um destino trágico na mesma noite, sob a iluminação da última Lua Cheia. Enquanto conversa com a filha Vitória (Karron Graves, de As Bruxas de Salem, 1996), ela cegamente não percebe quando um vulto imenso passará sorrateiramente pela janela, deixando o espectador apreensivo pela provável intempérie, ampliado pela sua limitação na locomoção. Ambrose sentirá a vibração das paredes e escutará os gritos de pavor da idosa antes de também conhecer o monstro que circunda a área. Ele poderia ser a sobremesa da criatura se não fosse a ajuda de seu cão-guia Shadow, que, corajosamente, entrará para o hall dos caninos heróis dos filmes do gênero, obrigando o seu dono a acelerar sua morte – mais uma para seu registro particular. Com o término do fatídico e violento encontro, Ambrose não terá dificuldades para saber que se trata de um lobisomem, seja pelo “cheiro de cachorro” ou pelo relato da veterinária sobre ataques uma vez por mês na região. Assim, ele terá algumas semanas para se preparar para enfrentar seu inimigo animal, tendo agora uma motivação que recuperará sua vontade de viver, ainda que o gênio permaneça amargo.

Late Phases (2013)

“Ataques assim acontecem o tempo todo em regiões com floresta. E os idosos não sabem se defender.”

No compasso dos treinos diários, o velho também fará uma breve investigação para descobrir a identidade da fera, infiltrando-se num culto religioso semanal na igreja de Santo Antonio. Para instigar o mistério do longa, o roteirista Eric Stolze (Under the Bed, 2012) procura confundir o espectador com alguns personagens sinistros como o casal Gloria (Rutanya Alda, de Mensageiro da Morte, 1979) e John Baker (Ralph Cashen), cujo sangue de sua morada se alastra até o local. Ela mantém seu marido em estado vegetativo, preso a uma máquina, em mais uma referência à deficiência e a necessidade de cuidados. Há também o Padre Roger (Tom Noonan, que esteve no ótimo Lobos, de 1981), o organizador das viagens de ônibus James Griffin ((Lance Guest) e até um idoso com um tapa-olho numa possível homenagem ao já mencionado A Hora do Lobisomem.

Sem aparecer muito, até o terceiro ato, o lobisomem tem uma caracterização bem interessante, com envolvimento de maquiagem e efeitos discretos de CGI, com a mão talentosa do experiente Robert Kurtzman, de Um Drink no Inferno, 1996. A criatura parece realmente ameaçadora, com sua altura vantojosa, muitos pêlos e garras afiadas – imagine então quando elas se multiplicam no final, ampliando a tensão do público, apesar de sua fragilidade no confronto com o veterano.

Late Phases (2014)

Com produção de Larry Fessender (Colapso no Ártico, 2006, e O ABC da Morte 2, 2014), que também atua no filme, Late Phases está distante de ser o melhor exemplar do subgênero, mas ganha pontos por se diferenciar de uma tendência atual que costuma romantizar criaturas digitais ao passo que afasta-as do seu aspecto animalesco. Com boas referências à fórmula, principalmente por envolver investigação e produção de balas de prata, esse filme old school mantém o interesse até o final, sem deixar de trazer apreensão e momentos de terror no público. Um longa com ótima qualidade técnica que, felizmente, não apresenta limitações ou qualquer tipo de deficiência que pudesse contribuir para a fragilidade atual do subgênero.

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13 Comentários

  1. Erick Lima

    Eu adorei esse filme, mas estou buscando o nome da música que toca quando o James Griffin está tratando as feridas na frente do espelho e depois vai queimar os corpos dos cães atrás da casa dele.
    É uma música estilo ópera.

  2. Sandro Filth

    aonde assistiram? eu assisti apenas em ingles,queria encontrar um pelo menos legendado para facilitar mais os dialogos do filme,mas demais gostei do Filme!! nada de criatura digital!

    • Silvana Perez Silvana Perez

      Tem na Netflix 🙂

    • Gláucio

      Tem no netflix

  3. Rafael

    Baita filme, gostei muito
    Dessa tematica de lobisomen o ultimo filme ‘bom’ que tinha visto era WER, agora esse, LAte Phases é bem old school, estilo dos filmes de lobisomen de antigamente tipo Bala de prata, vale muito a pena

  4. felipe

    o filme é bom, so q nao tem muita morte, e demora d+ pra ocorrer algo

  5. gosteeiiii

  6. adriana

    Ótimo filme! Bastante suspense e a criatura é bem satisfatória. Dos últimos filmes de lobisomem que apareceram, acho que é um dos melhores.

  7. Jorge Soto

    O filme é de fato um eficiente e ótimo filme de lobisomem (anos-luz superior aos mediocres “Wolves” e “Wolfcop”) pois consegue te envolver com uma estória algo conhecida dos trintões… ah, sim… “Bala de Prata”, porém repaginada! E o grande mérito da produção é conseguir fazer a gente entrar de cabeça na estória e esquecer, por hora e meia, que no fundo o monstro é um cara fantasiado. E isso é coisa pra poucos.

  8. Everaldo

    Ótima dica de filme! O visual do lobisomem me pareceu satisfatório. Vou buscar o filme para assistir. Enfim, gostaria de sugerir ao Boca do Inferno que alguém participe de um episódio do FGcast, já que vocês são parceiros do site Filmes e Games. Que tal?

  9. Popeye

    Cara, eu adorei o filme!!
    Fantástico!!!!
    Mais uma grande dica do site para mim!

  10. Cristina

    Que visual tosco!

  11. Thi MarQs

    Quero ver…, curti

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