Críticas

Olhos Famintos 2 (2003)

É muito mais intensa, com boa dose de ação, mortes violentas e tensão envolvendo a faminta criatura demoníaca e suas vítimas!

Olhos Famintos 2 (2003) (5)

Olhos Famintos 2
Original:Jeepers Creepers
Ano:2003•País:EUA
Direção:Victor Salva
Roteiro:Victor Salva
Produção:Tom Luse
Elenco:Jonathan Breck, Ray Wise, Nicki Aycox, Garikayi Mutambirwa, Eric Nenninger, Travis Schiffner, Lena Cardwell, Billy Aaron Brown, Marieh Delfino, Diane Delano, Thom Gossom Jr., Tom Tarantini, Justin Long

A cada 23 primaveras, durante 23 dias, a coisa precisa comer

No dia 15 de novembro de 2001 estreou nos cinemas brasileiros o filme de horror Olhos Famintos (Jeepers Creepers), escrito e dirigido por Victor Salva e produzido pela American Zoetrope, do prestigiado cineasta Francis Ford Coppola. A história mostra um casal de jovens irmãos, Darry e Trish (interpretados por Justin Long e Gina Phillips, respectivamente), que estão viajando de carro pelo interior dos Estados Unidos rumo a uma visita aos pais, quando surpreendem um misterioso motorista de caminhão despejar dois grandes pacotes amarrados envoltos em lençóis brancos e manchados de vermelho numa clara alusão a corpos, em uma sinistra tubulação nos jardins de uma igreja abandonada. Ao investigarem descobrem uma cena bizarra, um porão com centenas de cadáveres apodrecidos. A partir daí, eles passam a ser perseguidos por uma criatura demoníaca alada (Jonathan Breck), que se fortalece alimentando-se de partes de corpos humanos como os olhos, língua, coração ou vísceras, escolhidos metodicamente pelo cheiro exalado das vítimas quando em estado de medo.

Apesar de irregular, o filme conseguiu o sucesso suficiente para justificar a produção de uma sequência e, pouco mais de dois anos depois, em 01/01/04, entrou em cartaz em nossos cinemas a continuação, Olhos Famintos 2 (Jeepers Creepers 2), novamente escrito e dirigido por Victor Salva e produzido por Coppola. O novo filme da franquia é notavelmente superior, bem mais intenso, apresentando mais ação e violência, e principalmente com uma participação maior e mais efetiva do grande vilão, o lendário demônio antropófago, mais temível e ameaçador do que nunca.

Segundo uma lenda, uma criatura diabólica surge a cada 23 anos, para atacar e se alimentar das pessoas durante 23 dias. O monstro não mata aleatoriamente, ele escolhe cuidadosamente suas vítimas de acordo com o interesse em determinadas partes de seus corpos, alimentando-se e regenerando seu próprio corpo, utilizando como principal referência o cheiro exalado devido ao medo.

Olhos Famintos 2 (2003) (2)

A história de Olhos Famintos 2 é ambientada dez dias depois dos eventos trágicos do primeiro filme e entre os dois últimos dias do ciclo de alimentação de demônio. Um fazendeiro, Taggart (Ray Wise), e seus dois filhos, Jack (Luke Edwards) e Billy (Shaun Flemming), estão trabalhando numa plantação de milho cercada de espantalhos, quando o garoto Billy é brutalmente atacado e levado como alimento por uma criatura alada (novamente interpretada por Jonathan Breck), despertando uma fúria vingativa no pai, perplexo e impotente por testemunhar a ação assassina do incrível monstro de asas.

A ação volta-se para um ônibus escolar percorrendo uma estrada pouco movimentada de uma região rural. Em seu interior está um grupo de estudantes adolescentes formado por uma equipe de jogadores de basquete que acabaram de conquistar um campeonato, tendo entre eles os rivais Deaundre Davis (Garikayi Mutambirwa) e Scott Braddock (Eric Nenninger), além de três líderes de torcida, a sensitiva Minxie Hayes (Nicki Lynn Aycox), Chelsea Farmer (Lena Cardwell) e Rhonda Truitt (Marieh Delfino), as únicas mulheres do grupo junto com a motorista Betty (Diane Delano). Entre os homens, há também a presença dos dois treinadores, Charlie Hanna (Thom Gossom Jr.) e Dwayne Barnes (Tom Tarantini).

O ônibus é obrigado a parar quando tem um pneu estourado misteriosamente por um artefato desconhecido parecido com uma estrela confeccionada com ossos ou dentes pontiagudos, arremessado com extrema velocidade e precisão por um predador preparando o ataque em sua caça.

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A partir daí, com a chegada da noite as pessoas candidatas à vítimas ficam presas no interior do ônibus, sendo ferozmente atacadas por um demônio voador, instigando seus mais básicos instintos de sobrevivência, obrigando-as a lutar por suas vidas e evidenciando também uma série de conflitos internos e crises de relacionamento típicos do ser humano, num intenso clima de claustrofobia. Abandonados na estrada, os jovens enfrentam as ações da criatura até receberem a ajuda de Taggart, sedento de ódio e vingança, que está no encalço do monstro e traz em sua carro uma arma caseira parecida com um arpão de caçar baleias, culminando num confronto mortal entre ele e o terrível demônio, um morcego fora do inferno.

Olhos Famintos 2 é certamente superior ao original, o que já é um fato notável, pois a maioria das continuações não conseguem manter o nível de qualidade de seus anteriores, muito menos ainda superá-los. Essa segunda parte é muito mais intensa, carregada de uma boa dose de ação, com mortes violentas, muitas cenas de tensão envolvendo o confronto mortal entre a faminta criatura demoníaca e suas vítimas, além de apresentar mais personagens e explorar seus relacionamentos, evidenciando a fragilidade do ser humano quando pressionado num estado de tensão crescente ao lutar pela sobrevivência. O roteiro procurou enfatizar os preconceitos étnicos e as rivalidades entre jovens estudantes, que abandonam sem hesitar o senso de humanidade quando suas vidas correm perigo, defendendo unicamente seus interesses pessoais, mesmo que isso signifique a morte de quem está ao seu lado.

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Algumas cenas de destaque são quando o monstro alado degola uma vítima para utilizar sua cabeça num processo de regeneração, devido à perda de parte de seu cérebro num confronto com os estudantes. Ou todos os momentos de pura claustrofobia quando os jovens estão presos no ônibus isolado numa estrada escura e deserta, sendo observados pelo monstro em seu processo de escolha da vítima pelo cheiro do medo. Ou ainda quando os jovens decidem abandonar o ônibus num momento de grande tensão, correndo de forma desesperada por suas vidas espalhando-se nas fazendas vizinhas da estrada, como se fossem um tipo de gado fugindo de um predador, que nesse caso é um demônio voador que, da sua posição privilegiada no alto, escolhe quem vai morrer.

Porém, como sendo um filme de horror voltado exclusivamente para o entretenimento, numa análise sem muita atenção podemos encontrar uma série de situações inverossímeis em cenas exageradas e absurdas com furos significativos no roteiro, mas que não comprometem a diversão para os menos exigentes. Uma cena em especial que incomoda é quando o demônio está lutando com um dos heróis sobreviventes, o estudante negro Deaundre Davis, onde mesmo o monstro estando ferido, deveria facilmente estrangular seu oponente, um simples ser humano, que aliás, já estava no lucro ao sobreviver milagrosamente (ou melhor, graças ao roteirista), de um incrível acidente de carro momentos antes. Outras situações difíceis de serem assimiladas pelo espectador são quando Taggart, um simples fazendeiro promovido a destemido caçador de demônios, se confronta mortalmente com a criatura mais de uma vez, com um arpão caseiro parecido com aqueles que são utilizados para caçar baleias em alto mar.

Entre as curiosidades, a mais interessante é uma frase muito engraçada escrita na placa de um carro que viajava pela estrada e que cujo motorista também tornou-se mais uma vítima da criatura: Eu não sou um idiota completo. Algumas partes ainda estão faltando. Além do bom humor a frase tem uma relação com o próprio demônio do filme, que se alimenta de partes de suas vítimas, conforme a necessidade, tendo o poder de regeneração de seus órgãos afetados.

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O visual obscuro da criatura é bem atrativo também, vestido todo de preto, com chapéu e sobretudo, evidenciando o destaque macabro do branco dos olhos e dentes afiados. A intenção anunciada dos produtores é realizar uma terceira parte como uma pré-sequência, que seria ambientada nos tempos do velho oeste americano, se bem que o desfecho desse segundo filme deixou claramente um gancho aberto para uma sequência com eventos posteriores. Resta-nos esperar pelos próximos acontecimentos envolvendo a franquia.

O ator coadjuvante Tom Tarantini, que foi o treinador Dwayne na continuação, também havia participado do primeiro filme, no papel de Austin McCoy. Assim como Justin Long, um dos protagonistas do original, que voltou com uma participação rápida em cenas de pesadelo da jovem sensitiva Minxie, que tem o poder psíquico de se comunicar com o jovem morto, sendo alertada por ele da existência e história da criatura, e conseguindo prever alguns dos acontecimentos trágicos que assolaram o grupo de estudantes.

O orçamento de Olhos Famintos 2 foi de aproximadamente 25 milhões de dólares, cujo investimento já foi recuperado pelas boas bilheterias nos Estados Unidos, quando estreou no final de agosto de 2003.

Na sequência final, numa determinada cena em especial podemos visualizar a frase Like a bat out of hell (Como um morcego fora do inferno), a qual seria inicialmente utilizada como subtítulo para o filme. Depois, os produtores decidiram abandonar a ideia e o título original ficou apenas Jeepers Creepers 2, numa decisão acertada porque os subtítulos na maioria das vezes apenas criam confusões e mais burocracia (basta ver como exemplo os inúmeros e descartáveis subtítulos para os vários filmes das séries Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Halloween, Hellraiser e Colheita Maldita, quando eles poderiam apenas ser nomeados com suas respectivas partes 2, 3, 4, etc…).

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Aliás, já que estamos falando de nomes nacionais para os filmes que chegam por aqui, podemos dizer que Olhos Famintos foi uma boa escolha, pois tem relações com a história e o título original possui uma tradução muito difícil que não soaria bem em nosso idioma. Curiosamente, segundo o conceituado dicionário Inglês-Português Michaelis, Jeepers significa uma interjeição usada para definir uma exclamação de admiração ou emoção e Jeepers Creepers é um eufemismo para a expressão Jesus Christ, muito utilizada como gíria entre os americanos. Mas outra referência para o título Jeepers Creepers é uma canção homônima de Johnny Mercer, gravada em 1938 por Louis Armstrong.

O cineasta americano Victor Salva nasceu na Califórnia em 1958 e sua carreira ainda é curta, com poucos filmes no currículo. Ele foi descoberto por Francis Ford Coppola num concurso de curtas metragens e recebeu a oportunidade de criar os personagens, escrever a história e dirigir os dois filmes do universo ficcional de Olhos Famintos. No gênero horror ele já dirigiu Palhaço Assassino (Clownhouse, 88).

Francis Ford Coppola é um daqueles nomes que estão eternamente associados ao cinema como diretor, produtor e roteirista, devido a sua significativa contribuição para a história dessa arte fascinante. Nascido em 1939 no Estado americano de Michigan, ele iniciou sua consagrada carreira fazendo parte da equipe de produção do lendário Roger Corman, o conhecido Rei dos Filmes B, ao dirigir o horror Dementia 13 em 1963, uma história de assassinatos e loucura inspirada por Psicose, filmado por Alfred Hitchcock três anos antes. Coppola ficou muito conhecido pela trilogia da máfia O Poderoso Chefão (iniciada em 72), trabalhando com atores como Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall e Robert De Niro. Alguns anos depois, em 1979, ele lançou um dos maiores clássicos de todos os tempos sobre a guerra do Vietnã, com o polêmico, crítico e insuperável Apocalypse Now, com Marlon Brando e Martin Sheen. No horror, Coppola também foi o responsável por um dos mais importantes filmes abordando o lendário vampiro Drácula através de sua obra Drácula de Bram Stoker (92), com Gary Oldman, Anthony Hopkins, Winona Ryder e Keanu Reeves.

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6 Comentários

  1. Um filme muito bom , mas tenho que admitir que tem alguns momentos em de riso involuntário .

  2. Gizmo

    Os dois Olhos Famintos são muito bons … Uma pena até hoje não ter saído a Terceira Parte.

  3. Filmão! Uma daquelas poucas continuações que ao invés de repetir o filme anterior com mais coisas, vai além e expande a mitologia e acrescenta elementos e até muda o tom. Um dos meus preferidos do novo milênio.

  4. Thi MarQs

    Gosto dos 2…, pois cada filme tem a sua história, centrada na criatura, embora, o salto de tempo não tenha sido muito longo. Aceitável com certeza…

  5. Camila

    Gosto desse e do primeiro queria ver o tres

  6. Prefiro MUITO mais o primeiro , um terror mais sutil e atmosférico c poucas mortes investindo mais n suspense !

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