Críticas

O Beijo do Diabo (1976)

Um filme espanhol que joga tudo na tela, na esperança que o público goste de alguma coisa, mas é uma bagunça só!

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O Beijo do Diabo
Original:La perversa caricia de Satán
Ano:1976•País:Espanha, França, Andorra
Direção:Jordi Gigó
Roteiro:Jordi Gigó
Produção:Marius Lesoeur
Elenco:Silvia Solar, Olivier Mathot, José Nieto, Evelyne Scott, Daniel Martín, María Silva, Carlos Otero, Víctor Israel, José Lifante, Moisés Augusto Rocha, Rosa de Alba

Por entre as vinhas que cercam o Eurotrash existiu uma empresa que pode ser considerada culpada por espalhar o terror para além do oceano atlântico. A francesa Eurociné, fundada pelo produtor Marius Lesoeur em 1937, foi a responsável por distribuir (e às vezes financiar) obras de baixo orçamento durante décadas, atingindo seu auge entre os anos 60 e 80, até lentamente definhar e praticamente desvanecer no início dos anos 90, se limitando hoje a lançar DVD’s de seus tempos áureos.

Dentre seus clientes notórios estão os diretores Jesús Franco e Pierre Chevalier, porém em um sem número de filmes distribuídos estão os de profissionais que desapareceram após um ou poucos trabalhos, dos quais vocês conhecerão hoje o espanhol Jorge Luis Gigó Aznar, diretor e roteirista de O Beijo do Diabo (La perversa caricia de Satán no original).

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Jordi Gigó ou Georges Gigo, pseudônimos pelos quais é mais conhecido, estreou na indústria como co-roteirista de Exorcismo (1975) estrelado por Paul Naschy, quando no ano seguinte tentou “carreira solo” em O Beijo do Diabo. E para tentar agradar todo mundo, pegou cada conceito do terror gótico e atirou para todos os lados sem qualquer senso de continuidade e coerência. A bagunça foi tão grande que depois de apenas mais dois filmes, Jordi largou o ofício e dele não se tem mais notícia. Não é difícil de entender por que.

A trama gira em torno da medium Claire Grandier (Silvia Solar, conhecida dos filmes de Paul Naschy), que depois se revela ser uma condessa. Ela pretende encenar uma vingança contra o Duque de Haussemont (José Nieto, Frankenstein’s Bloody Terror), pois acredita que ele foi responsável pelo suicídio de seu marido e de lhe tomar a propriedade. Para atingir seu objetivo, ela participa como convidada de um desfile de moda no antigo castelo gótico de Haussemont para comandar na sequência uma sessão espírita com os presentes… É isso mesmo, nada mais bacana do que fechar a São Paulo Fashion Week usando uma mesa Ouija.

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Com a ajuda de seu colaborador Dr. Gruber (Olivier Mathot), eles causam uma boa impressão e são convidados a ficar no castelo e realizar suas experiências nos porões. Sim, eu não disse e Jordi também não se preocupou em explicar, porém além de espiritas eles são cientistas, daqueles que misturam líquidos coloridos com fumaça de gelo seco.

Neste interim Claire recruta um auxiliar improvável ao salvar um anão cabeludo de ser linchado no meio da floresta por uma turba ensandecida (acho que ele tentou estuprar uma garota, só que nunca se sabe ao certo). A medium provoca sexualmente o rapaz sem motivo aparente, o que parece ser suficiente para garantir sua fidelidade.

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Mais tarde o grupo maligno desenterra um cadáver fresco e o revive através de poderes telepáticos, magia negra e um soro desenvolvido pelo Doutor. Tudo isso para criar um frankenstein/zumbi que estrangula as pessoas sob demanda… E previsivelmente logo as coisas saem de controle… Não era melhor dar logo um tiro ou empurrar o Duque pela janela? À propósito, o tal zumbi é um primor. Não consigo olhar para ele sem lembrar na maquiagem “papel machê” de Oasis dos Zumbis e Tor Johnson sem camisa em Plano 9 do Espaço Sideral.

E é basicamente isso. Pegaram todas as referências? Só faltaram lobisomens e vampiros. O que impressiona é como uma obra com tantas coisas bizarras acontecendo sucessivamente falha em entreter e torna-se tão tedioso em determinados momentos. Nem quando o diretor apela para a nudez relativamente frequente o filme engrena, o que é uma pena, pois O Beijo do Diabo tinha todos os ingredientes para ser comparado às melhores obras deste sub-gênero.

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As atuações são canastras, as locações são feias e a violência bastante contida, mas nem tudo é perdido. Pequenas pontas de rostos conhecidos do cinema europeu de horror como José Lifante (Zombie 3/Let The Corpses Lie) e Víctor Israel (Expresso do Horror) fazem a alegria dos fãs, e, como todo bom trash exagerado, existem passagens que podem fazer o espectador dar uma boa risada pelo tamanho do absurdo. Aos interessados, O Beijo do Diabo  o que é impressionante para uma tranqueira deste calibre – foi lançado no Brasil pela Vinny Filmes em um DVD sem extras, mas com boa imagem, áudio em Inglês, Francês e Português.

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