Críticas

O Castelo Assombrado (1963)

É um dos filmes que juntou grandes nomes em uma prazerosa sessão de entretenimento fantástico!

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O Castelo Assombrado
Original:The Haunted Palace
Ano:1963•País:EUA
Direção:Roger Corman
Roteiro:Charles Beaumont, Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Francis Ford Coppola
Produção:Roger Corman
Elenco:Vincent Price, Debra Paget, Lon Chaney Jr., Frank Maxwell, Leo Gordon, Elisha Cook Jr., John Dierkes, Milton Parsons, Cathie Merchant, Guy Wilkerson, I. Stanford Jolley

O que é a coisa aterrorizante no poço, que queria mulheres?

Quando encontramos reunidos num mesmo filme de horror os nomes do cineasta Roger Corman, dos atores Vincent Price e Lon Chaney Jr., do roteirista Charles Beaumont, dos produtores Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson, e por fim dos escritores H. P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, o mínimo que podemos esperar é uma prazerosa sessão de entretenimento. O Castelo Assombrado (The Haunted Palace, 63) é um dos filmes que juntou esses nomes todos numa única produção, profissionais consagrados que fazem parte da história do cinema fantástico, através de suas contribuições inestimáveis para o desenvolvimento desse fascinante gênero artístico.

A direção e produção é de Roger Corman, mais conhecido como O Rei dos Filmes B, devido ao seu incrível talento em trabalhar com prazos curtos, aproveitando cenários de outros filmes, tendo à disposição poucos recursos e orçamentos pequenos, sem contudo deixar de lado o interesse dos argumentos obtendo resultados altamente positivos, além de lançar atores e diretores talentosos, e deixando um enorme legado de filmes significativos, principalmente aqueles produzidos nos saudosos anos 60, que tornaram-se objetos de culto e admiração para colecionadores. O roteiro é de Charles Beaumont, constante colaborador para criação de histórias fantásticas da série clássica de TV Além da Imaginação (The Twilight Zone, 1959/64). A produção executiva é da dupla especialista no gênero, Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson, responsáveis pela AIP (American International Pictures), estúdio com uma grande quantidade de preciosidades em seu catálogo.

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A história é baseada num romance de H. P. Lovecraft chamada O Caso de Charles Dexter Ward (escrita em 1928), que por sua vez faz parte do complexo universo ficcional dos misteriosos Mitos de Cthulhu, sendo na verdade a primeira adaptação de uma obra literária do autor para o cinema. E os produtores aproveitaram também a oportunidade para inserirem uma breve citação de um poema de Edgar Allan Poe, com o objetivo de venderem o filme como mais uma adaptação da obra do famoso escritor, tanto que o nome do filme é o nome desse poema. Como os filmes baseados em histórias de Poe estavam sendo bem sucedidos, eles decidiram filmar uma história de Lovecraft sob um rótulo já comprovado, através dos créditos para Poe. Aliás, tanto um quanto o outro dispensam comentários, pois são dois dos maiores escritores de horror de todos os tempos.

E completando essa introdução dos famosos nomes envolvidos em O Castelo Assombrado, o elenco é liderado pelo mestre Vincent Price num brilhante papel duplo, interpretando Charles Dexter Ward e seu ancestral, o feiticeiro Joseph Curwen. E ainda tem Lon Chaney Jr. (o eterno lobisomem no clássico homônimo de 1941), fazendo dessa vez um personagem coadjuvante. Ambos os atores estão imortalizados na galeria dos grandes ícones do horror, ao lado de Lon Chaney (o pai), Bela Lugosi, Boris Karloff, Basil Rathbone, Peter Lorre, Peter Cushing, John Carradine, Donald Pleasence e Christopher Lee, entre outros.

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A história apresenta Joseph Curwen, praticamente de magias ocultas, que 110 anos antes havia sido queimado vivo na estaca por aldeões enfurecidos da pequena cidade de Arkham, devido a sua bizarra conduta de bruxaria e experiências desastrosas envolvendo seres humanos. Seu espírito está aprisionado num retrato mas consegue se libertar e tomar posse do corpo de um descendente, Charles Dexter Ward, que chega à cidade junto com sua esposa Ann (Debra Paget), justamente para conhecer o enorme castelo que havia herdado de seus ancestrais, e o qual pertencera ao feiticeiro no passado.

Curwen está agora num novo corpo e volta a contar com o auxílio dos descendentes de seus antigos assistentes na época, Simon Orne (Lon Chaney Jr.) e Jabez Hutchinson (Milton Parsons). Atrás de força e poder sem limites, eles preparam o retorno dos Antigos (ou The Old Ones), seres grotescos e poderosíssimos que dominavam a Terra em tempos remotos, e que estão adormecidos apenas aguardando uma oportunidade de retomarem o poder no planeta. Esses monstros indizíveis foram criados por Lovecraft em seus famosos Mitos de Cthulhu.

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Curwen retorna também à Arkham para se vingar dos aldeões que o executaram na fogueira, assassinando seus descendentes também queimando-os vivos. Quando ele estava na estaca aguardando ser consumido pelo fogo e pela dor infernal de sua carne ardendo em chamas, Curwen rogou uma terrível maldição para seus carrascos:

Assim como a vila de Arkham se rebelou contra mim, eu renascerei dos mortos contra Arkham. Cada um de vocês, Ezra Weeden, Micah Smith, Benjamin West, Priam Willet, Gideon Leach. Todos vocês, seus filhos e netos, se arrependerão desta noite. De hoje em diante estarão amaldiçoados.

O filme possui aqueles elementos típicos do horror gótico, como o imenso castelo sombrio localizado numa colina sinistra e ladeado por um cemitério, e a pequena cidade misteriosa que impõe medo aos seus visitantes (o condutor da carruagem que trouxe Ward e a esposa insistiu para que eles não ficassem na vila). Algumas cenas antológicas são quando eles estão caminhando à noite nas ruas solitárias e sombrias de Arkham, e são surpreendidos por um grupo de humanos mutantes, verdadeiras aberrações onde homens, mulheres e crianças tornaram-se vítimas de históricas experiências genéticas mal sucedidas, as quais eram realizadas por Curwen no passado ao inseminar belas mulheres com as lendárias e profanas criaturas dos mitos. Outra cena de destaque é justamente quando uma dessas criaturas monstruosas aparece de forma não explícita num poço nos porões do castelo, justificando a questão proposta pela tagline do filme, e que está reproduzida no início desse texto.

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Algumas curiosidades sobre O Castelo Assombrado:

* O filme recebeu outros títulos originais alternativos como The Case of Charles Dexter Ward e The Haunted Village.

* O agora famoso e cultuado cineasta Francis Ford Coppola, responsável pelo clássico de guerra Apocalypse Now, pela trilogia da máfia O Poderoso Chefão e pelo horror moderno Drácula de Bram Stoker, começou sua carreira trabalhando ao lado de Roger Corman, e nesse filme ele colaborou de forma não creditada na concepção do roteiro, com alguns diálogos adicionais.

* Algumas citações lovecraftianas são claramente mencionadas no filme, como as entidades malignas Cthulhu e Yog Sothoth, e o lendário livro proibido dos mortos Necronomicon, quando o médico da cidade de Arkham, Dr. Willet (Frank Maxwell), explica para Ward a origem de seu ancestral Curwen e as lendas em torno de sua feitiçaria.

* O filme foi lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela extinta Globo Vídeo, e está fora de catálogo há muitos anos. Foi lançado em DVD pela Coleção Clássicos, da Flashstar.

* A história O Caso de Charles Dexter Ward, de Lovecraft, também foi adaptada para o cinema em 1991 no ótimo Renascido das Trevas (The Resurrected), dirigido por Dan O’Bannon e com Chris Sarandon.

* O diretor de arte de O Castelo Assombrado foi Daniel Haller, que curiosamente foi o diretor dois anos mais tarde em 1965 de um outro filme baseado em história de Lovecraft e produzido pela AIP. Trata-se de Morte Para Um Monstro (Die, Monster, Die!), com Boris Karloff e roteiro inspirado no conto A Cor Que Caiu do Céu.

Mas, tal qual um rio que corre perene, pela garganta estreita. Uma horrenda multidão corre para sempre. E ri, mas não mais sorri – versos de Edgar Allan Poe, narrados por Vincent Price

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2 Comentários

  1. Carlos Dente

    Uma das minhas histórias de Terror favoritas (‘O Estranho Caso de Charles Dext Ward’ talvez seja a história de Lovecraft que mais prendeu minha atenção, e a que mais reli), me interessei tanto pelo filme após ler este artigo que “fui atrás”. Comprei, assisti (duas vezes) e já tenho ele entre meus favoritos. Obrigado!

    • Carlos Dente

      Aliás, muito dos filmes que hoje figuram na minha lista dos “mais-mais” (favoritos), ou assisti por recomendação do Boca do Inferno, ou descobri diretamente por aqui.

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