Críticas

A Chave Mestra (2005)

Apesar de possuir algumas falhas, merece ser assistido por possuir uma produção bem cuidada, elenco competente e um final ousado!

A Chave Mestra (2005) (1)

A Chave Mestra
Original:The Skeleton Key
Ano:2005•País:EUA, Alemanha
Direção:Iain Softley
Roteiro:Ehren Kruger
Produção:Daniel Bobker, Lorenzo P. Lampthwait, Michael Shamberg, Stacey Sher, Iain Softley
Elenco:Kate Hudson, Peter Sarsgaard, Joy Bryant, Gena Rowlands, John Hurt, Maxine Barnett, Fahnlohnee R. Harris, Marion Zinser, Deneen Tyler, Ann Dalrymple

Filmes que abordam temas ligados à magia negra, feitiçaria, práticas de vodus e demais crenças e religiões de origens afro costumam ser campos férteis para o cinema, por despertarem uma curiosidade natural e até sentimentos de medo referente ao significado de cada crendice. O filme A Chave Mestra (The Skeleton Key, 2004) utiliza o hudu, uma crença menos conhecida para contar uma boa história de mistério, superstição e medo. Apesar de possuir algumas falhas, A Chave Mestra merece ser assistido por possuir uma produção bem cuidada, elenco competente e um final ousado.

O filme conta a história da jovem enfermeira Caroline Ellis (Kate Hudson, de Quase Famosos, 2000), que através de um anúncio de jornal, passa a cuidar de um senhor inválido chamado Ben Devereaux (John Hurt, de Alien, 1979), que mora com a esposa Violet (Gena Rowlands, de Roubando Vidas, 2004) em uma casa isolada do século 18 nos arredores da cidade de Nova Orleans. A região é famosa pela quantidade de cerimônias místicas lá realizadas desde o período de colonização, mas Caroline não acredita nestas crendices. A enorme casa possui vários cômodos e uma chave mestra que abre todas as dependências, com exceção de uma porta escondida atrás de móveis localizada no sótão, local onde Ben sofrera um derrame que o deixou paralítico semanas antes. Movida pela curiosidade, Caroline não demora muito para conseguir abrir tal porta se envolvendo então em uma maldição que parece assolar muito mais que o local e seus habitantes.

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Foi no começo do século 18, juntamente com os escravos que vieram do Haiti, que a prática mágica conhecida como hudu chegou aos Estados Unidos. Com a finalidade de proteger e curar pessoas, assim como também podendo prejudicar e machucar os outros, a prática ainda hoje é utilizada em algumas áreas rurais onde vivem descendentes de escravos no país, como Nova Orleans. O hudu não é considerado uma religião e pode incorporar conhecimentos de várias crenças. Seu princípio de ação está na superstição e na magia que é trabalhada através de poções e encantos feitos com raízes, ervas, velas e músicas.

Dirigido e produzido pelo inglês Iain Softley (Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool, 1994), o filme merece ser conferido por conseguir prender a atenção através de um suspense bem desenvolvido e não linear. À medida que a ação vai transcorrendo, novos elementos são apresentados com a intenção de decifrar ou confundir a trama. O roteiro, assinado por Ehren Kruger (de Pânico 3, 2000 e também responsável pela versão norte-americana de O Chamado, 2002) possui interessantes reviravoltas além de trabalhar de forma positiva com o fator tempo, mostrando algumas cenas utilizando flashbacks. O elenco parece muito a vontade em seus papéis, em especial John Hurt como o velho inválido que consegue demonstrar medo e aflição através do olhar. Mais conhecida por seus papéis em produções de comédias e filmes animados, Kate Hudson não fez feio na sua primeira produção de suspense criando uma personagem cética que começa a acreditar e temer as lendas locais.

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A direção de arte do filme também é bastante eficiente, criando uma casa que realmente é capaz de provocar medo. Velha, escura e repleta de cômodos. Chega a lembrar a habitação do ótimo Os Outros (The Others, 2003), porém em menor escala e sem que venha a parecer uma cópia. Os pântanos dos arredores da cidade de Nova Orleans também ajudam a criar essa ambientação macabra, além do que a própria região é conhecida por possuir uma grande tradição em cultos envolvendo rituais de religiões e crenças de origem afro.

O filme possui ainda um final diferente do que seria esperado dentro das produções do gênero. Vale a coragem dos realizadores não terem feito um desfecho comum dentro de um estilo de filmes onde o tradicional final feijão com arroz sempre agrada. Neste caso, a intenção em não se mostrar uma conclusão tradicional foi positiva.

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Como nem tudo na vida é perfeito, o filme também possui alguns deslizes, que não chegam a atrapalhar o produto final, mas que se fossem retirados não fariam a menor falta. Como virou moda nos filmes de suspense made in Hollywood após Wes Craven ter lançado o seu Pânico (Scream 1996), em A Chave Mestra, o diretor Softley também usa desnecessariamente elementos para provocar o chamado susto fácil em algumas cenas como cortes bruscos, movimentos rápidos de câmera e uma trilha sonora que aumenta repentinamente. Tais sustos não acrescentam nada à trama, que na verdade é sustentada pelo próprio desenrolar da história.

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Apesar destes deslizes, não faltam motivos para assistir A Chave Mestra. Seja pela história bem conduzida, para ver a bela e talentosa Kate Hudson ou ainda para conhecer as belezas naturais de Nova Orleans, principalmente após o local ter sido devastado pelo furacão Katrina deixando milhares de desabrigados e centenas de mortos, assim como grande parte da cidade destruída. Trata-se de um lugar que, além da sua história e arquitetura, também possui fortes crenças e lendas que se perpetuarão para as gerações futuras e que continuarão servindo de inspirações para bons filmes.

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1 Comentário

  1. Kesker

    Muito bom! recomendo!

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