Críticas

Comboio do Terror (1986)

Não por acaso, King nunca mais voltou à cadeira na direção. Pelo menos Comboio do Terror serviu para alguma coisa!

Comboio do Terror (1986) (3)

Comboio do Terror
Original:Maximum Overdrive
Ano:1986•País:EUA
Direção:Stephen King
Roteiro:Stephen King
Produção:Dino De Laurentiis
Elenco:Emilio Estevez, Pat Hingle, Laura Harrington, Yeardley Smith, John Short, Ellen McElduff, J.C. Quinn, Christopher Murney, Holter Graham, Frankie Faison, Pat Miller

Comboio do Terror é uma adaptação produzida por Dino De Laurentiis de um conto menor (em tamanho e qualidade) de Stephen King, contido na excelente antologia Sombras da Noite (Night Shift) de 1978. No conto (e no filme) um pequeno grupo de pessoas se vê preso em uma lanchonete de um posto de gasolina, parada típica de caminhoneiros. O problema é que as máquinas à motor, focando nos caminhões, claro, parecem estar sob a influência de uma fúria assassina e não hesitarão em atropelar e trucidar qualquer humano que se apresente em sua frente. Trama absurda? Pois é, mas em um conto com menos de 20 páginas e que se levava a sério, até que o absurdo funcionava. O problema, por mais irônico que pareça, é quando o próprio escritor da obra original resolveu assumir a direção, assumindo um tom bem mais bem-humorado, e incluindo os piores clichês do cinema americano, resultando em uma das piores adaptações de suas obras.

Comboio do Terror (1986) (2)

Emilio Estevez, pouco inspirado (indicado inclusive ao Framboesa de Ouro daquele ano junto com King indicado a pior diretor) encarna o pseudo-herói da trama, na pele de um funcionário da lanchonete que parece ter problemas com a lei e sofre nas mãos de seu chefe Bubba Hendershot (Pat Hingle), um sujeito escroto, é verdade, mas que possui um verdadeiro (e providencial) arsenal que inclui até bazucas no porão do estabelecimento (!). O absurdo do filme ainda encontra espaço para um romancezinho bem caído entre o personagem de Estevez e Brett (Laura Harrington) e um final clichê e completamente anti-climático, diferente do elegante e aberto desfecho de sua contraparte literária. Novamente, é inevitável dizer que a adaptação ficou muito, mas muito mesmo aquém do que alguém poderia esperar. Trocando o tom mais pessimista e ambíguo do conto, King pisou na bola em todos os sentidos, apostando na comédia sem graça, personagens unidimensionais e caricatos que tornam o programa bastante sofrível, mesmo se não o levarmos a sério.

Comboio do Terror (1986) (1)

O pouco charme que Comboio do Terror está presente na nostálgica cara de anos 80, impressa em sua fotografia e também em sua trilha sonora, composta por ninguém menos que a banda AC/DC. Não é segredo para os leitores de King que o autor é fã de um bom rock and roll, e estando no cargo de diretor, é claro que ele tratou de incluir um toque mais do que pessoal na trilha. Ainda contam pontos para o filme algumas boas cenas como a perseguição ao carro dos noivos Curtis e Connie e, apesar de limitado em ideias e ação, a narrativa consegue a proeza de ser fluida ao ponto de não nos importarmos que nada acontece em seus 95 minutos de projeção.

Comboio do Terror (1986) (4)

Não por acaso, King nunca mais voltou à cadeira na direção. Pelo menos Comboio do Terror serviu para alguma coisa.

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4 Comentários

  1. Augusto

    Pessoal, convenhamos… esse filme não se leva a sério… e sim, ele é bem legal dentro de sua proposta. Situações cômicas, certa dose de violência, trilha do acdc e ainda é bem movimentado… quer mais o q pra passar o tempo? Melhor isso que as bombas que passam no cinema hj em dia…

  2. bernardi

    só eu gosto deste filme

    • Hierofante1970

      Então somo dois, pois eu acho esse filme muito bom , kkkkkkkkkkkkkkk, para mim ficou bem claro que King não se levou a sério ou se tentou se levar com certeza acertou sem querer na comédia.

  3. Murilo

    Preciso ver essa adaptaçao. adorei o conto!

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