Minha Mãe é um Lobisomem (1989)

Minha Mãe é um Lobisomem (1989) (3)

Minha Mãe é um Lobisomem
Original:My Mom's a Werewolf
Ano:1989•País:EUA
Direção:Michael Fischa
Roteiro:Mark Pirro
Produção:Steven J. Wolfe
Elenco:Susan Blakely, John Saxon, Tina Caspary, John Schuck, Diana Barrows, Ruth Buzzi, Marilyn McCoo, Marcia Wallace, Lucy Lee Flippin, Lou Cutell

Dentre a longa trajetória dos lobisomens no cinema, com a influência da Lua Cheia na transformação dos amaldiçoados, é muito mais fácil encontrar produções interessantes e divertidas do que ruins e descartáveis, o que justifica a imensa quantidade de fãs desse subgênero. Atuações marcantes, como a de Lon Chaney Jr. e Paul Naschy, efeitos impressionantes, principalmente no início da década de 80, e enredos que, se não são assustadores, pelo menos honram a mitologia das criaturas, tornam o monstro como um dos mais bem cuidados da galeria desenvolvida pela Universal. É possível até mesmo dizer que a fase mais fraca da licantropia remete ao novo milênio, quando os efeitos digitais e a romantização adolescente das espécies simplesmente feriram o que fora feito no primeiro século, sendo raros exemplares como a trilogia Possuída e Late Phases.

Se a fase oitentista é considerada áurea para o lobisomem, quando eles se afastaram ainda mais de suas características humanas, mesmo com aquela imensa série irregular de continuações de Grito de Horror, há um filme que também mancha o período, por suas características ingênua e boba ao extremo. Trata-se da comédia-família Minha Mãe é um Lobisomem, de 1989, debut de Michael Fischa, responsável por películas melhores como Spa Diabólico (89) e Mascara Diablo (2005). Antes é preciso dizer que ele não é o único engraçadinho lançado na época – Garoto do Futuro (1985) e sua continuação (1987), Transilvânia – Hotel do Outro Lado do Mundo (1985), A Hora do Terror (1985), entre outros -, considerada a década do “terrir“, quando o gênero tocou o “humor negro” e brincou com o estilo.

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Minha Mãe é um Lobisomem traz a entediada Leslie Shaber (Susan Blakely, de Inferno na Torre, de 1974, e Aeroporto 79 – O Concorde) num conflito familiar, devido às obrigações como mãe e o despeito do marido, Howard (John Schuck, de M.A.S.H, de 1970, e O Escorpião de Jade, 2001). Certa tarde, ao sair em busca de uma coleira anti-pulgas para o cão Marbo, ignorando as notícias sobre um animal selvagem estar fazendo vítimas na região, ela entra no pet-shop do peculiar Harry Thropen (John Saxon pagando contas e mico, e pensar que ele teve momentos melhores na franquia A Hora do Pesadelo), um sujeito com caninos avantajados e com um olhar sedutor, escondidos por um óculos de sol a la Jack Nicholson. Ele se encanta pelo jeito sincero da dona de casa e, após ajudá-la num assalto e conseguir um almoço, com direito a beijos, consegue levá-la até a loja, onde morde seu dedão do pé (!!!). Esse ferimento será suficiente para iniciar uma transformação constante, criando situações embaraçosas para Leslie em sua rotina diária, embora sirva para modificar as próprias atitudes do marido.

Além de Leslie, o filme destaca a filha Jennifer (Tina Caspary, de Namorada de Aluguel, 87) e sua investigação à pulada de cerca da mãe, e a melhor amiga, Stacey Pubah (Diana Barrows, de Sexta-Feira 13 Parte 7: A Matança Continua, 1988), uma fanática por filmes de horror e que traz várias pérolas para alegrar os fãs do gênero: “Sabia que Lon Chaney Jr. interpretou o Lobisomem, a Múmia, a Criatura de Frankenstein e Drácula?“, “Sabe quantas vezes Bela Lugosi interpretou Drácula?“, “Nossa! A fantasia original de Claude Rains em O Homem Invisível!” A dupla perceberá as mudanças de comportamento da mãe e procurará meios de destruir o lobisomem original para salvá-la da maldição.

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A aposta do roteiro de Mark Pirro está nas situações complicadas vividas pela mãe. Ela procura um dentista para serrar os longos caninos e tenta depilar a pelugem que insiste em crescer em seu corpo. Convenientemente, a transformação – sem necessidade da Lua, e até durante o dia – ocorre durante o período do Halloween, apenas para desenvolver aqueles clichês da fantasia “perfeita“, e dos elogios à escolha, embora seja evidente a dentição artificial e a maquiagem. Com momentos que beiram o pastelão, algumas cenas são constrangedoras como a que acontece no cabeleireiro (visual Wolf) e a luta entre os lobisomens no final, com o uso de máscaras estáticas, com uma morte da criatura mais horrorosa já vista numa produção.

– Por que você tem duas bolas de cristal?
– É porque eu gosto de ter uma segunda opinião.

Também é desnecessária a personagem da vidente – imaginei que fariam uma referência a Maleva -, que antecipa a aproximação de um animal na família. “Vejo em seu rosto a marca do pentagrama!” Mas, também há outras tranqueiras como a dupla de policias, a reporter e o vizinho voyeur: não consigo imaginar que alguém tenha achado qualquer um deles engraçado a ponto de desperdiçar tempo precioso em desenvolvê-los.

Chato e desagradável, Minha Mãe é um Lobisomem, lançado em VHS pela Video Ban, é uma afronta a um subgênero que nos trouxe filmes inesquecíveis e bem mais divertidos, honrando as vítimas da maldição e sua condição assustadora e interessante!

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

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