Críticas

Dia dos Namorados Macabro (1981)

Pode-se perceber facilmente que não há nada de novo para contar. Mesmo assim, o filme é divertidíssimo, e acima da média do período!

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Dia dos Namorados Macabro
Original:My Bloody Valentine
Ano:1981•País:Canadá
Direção:George Mihalka
Roteiro:Stephen A. Miller, John Beaird
Produção:John Dunning, André Link, Stephen A. Miller
Elenco:Paul Kelman, Lori Hallier, Neil Affleck, Keith Knight, Alf Humphreys, Cynthia Dale, Helene Udy, Rob Stein, Thomas Kovacs, Terry Waterland, Carl Marotte, Don Francks

Comemorar qualquer data festiva nos Estados Unidos é um hábito arriscado, pelo menos quando você faz parte de um filme de horror, pois pode ser impiedosamente esquartejado por um assassino psicopata mascarado, que considera aquele o “seu dia“. Por isso, olho no calendário! Se for Dia das Bruxas, cuidado com o Michael Myers, da série Halloween. Se for uma Sexta-Feira 13, quem ataca é o Jason Voorhees, da interminável franquia do mesmo nome recentemente ressuscitada. Não bastasse esta dupla do barulho, ainda há outros psicopatas menos ilustres para cobrir as diversas outras datas comemorativas do ano: 1º de abril (A Noite das Brincadeiras Mortais), Natal (a franquia Natal Sangrento), réveillon (Réveillon Maldito), Páscoa (Praia do Pesadelo), formatura (a franquia Prom Night), Dia de Ação de Graças (no impagável trailer falso “Thanksgiving“, que Eli Roth dirigiu em Grindhouse) e até Dia das Mães, além de outras festividades menos célebres.

E quando qualquer data mais ou menos conhecida é desculpa para matar, sobrou até para o Dia dos Namorados! Por isso, se você quiser festejar a data com sua namorada, tenha muito cuidado: é bem neste dia que o maligno Harry Warden sai às ruas. Ele é um mineiro (não, não nasceu em Minas Gerais, apenas é um sujeito que trabalha com mineração!), e usa uma velha picareta suja de sangue para mutilar suas vítimas inocentes e arrancar seus corações, que usa paa rechear caixas de bombons – ironicamente também em formato de coração! Bem, essa é a essência de Dia dos Namorados Macabro (My Bloody Valentine), um slasher movie já clássico para a turma da antiga e bastante conhecido pelas suas intermináveis reprises na madrugada da Globo.

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Dia dos Namorados Macabro foi produzido no Canadá em 1981, um dos anos mais interessantes para os slasher movies, produzidos às pencas no rastro do sucesso do primeiro Sexta-Feira 13 (lançado em 1980). Se filmes fossem vinhos, a safra de 1981 seria considerada excelente: como o leitor pode conferir no texto secundário da minha análise sobre The Burning – Chamas da Morte, neste ano foram filmados e lançados mais de 30 slashers da era clássica desta subgênero, incluindo o já citado The Burning, Halloween 2, Sexta-Feira 13 Parte 2, Hell Night – Noite Infernal, Quem Matou Rosemary?, Graduation Day e outros. Todos eram mais ou menos parecidos, mudando a motivação (e as roupas e máscaras) dos assassinos, e as cenas de morte. Mesmo no caso de Dia dos Namorados Macabro, pode-se perceber facilmente, só pelo resumo da trama, que não há nada de novo para contar. Mesmo assim, o filme é divertidíssimo, e acima da média daquela “safra“.

Claro que quem for assisti-lo hoje, quase 30 anos depois, com certeza vai achar um festival dos mais batidos clichês do subgênero. E é mesmo! Entretanto, é preciso salientar que Dia dos Namorados Macabro foi feito lá atrás, entre os primeiros slasher movies produzidos, e se a maioria das situações hoje é conhecida e virou clichê, antigamente era tudo novo e assustador. Lá pelas tantas, por exemplo, algum personagem secundário começa a contar uma “assustadora” história do passado da cidade para os jovens, relatando a lenda de Harry Warden, e aí entram cenas em flashback, com uma musiquinha assustadora (um clichê máximo do gênero). E o que dizer do assassino mascarado cuja identidade é desconhecida e só revelada no típico final-surpresa? E da cena do casal atravessado por uma lança enquanto faz amor? E dos jovens que não ouvem os conselhos dos adultos e se fodem por causa disso? E do cara que só faz brincadeiras o tempo todo e, quando a coisa aperta, acaba levando a pior? E das mortes criativas? E do final, escancarado para uma continuação??? Pois é, escolha o seu clichê: o filme está repleto deles!

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Além disso, Dia dos Namorados Macabro sofreu de um mal que assolou várias outras produções daquele ano: o excesso de violência. Surgiram vários debates e discussões sobre a quantidade de sangue e efeitos especiais exagerados no cinema de horror do começo da década de 80, o que fez com a censura ficasse mais em cima das produções distribuídas por grandes estúdios. Sexta-Feira 13 Parte 2, por exemplo, foi tão cortado que tornou-se praticamente inofensivo (e, pior, ainda não existe uma versão “uncut” disponível, mesmo hoje!!!). Exagerando na dose de sangue e brutalidade (embora, repito, nada que chegue aos pés dos padrões atuais de violência e sadismo), Dia dos Namorados Macabro receberia certificação X (só para adultos, a mesma dos pornôs!) caso não sofresse cortes. E é claro que um grande estudio (neste caso, a Paramount) não iria ser burro de lançar qualquer slasher naquela época que fosse proibido para menores de 18 anos. Como os adolescentes eram o público-alvo destas produções, limitar sua exibição aos adultos era suicídio financeiro!

Assim, durante 28 anos, Dia dos Namorados Macabro circulou apenas na versão mutilada de tantos cortes – e que, apesar disso, ainda era bastante violenta. O problema é que algumas das cenas eliminadas tornavam certas sequências do filme incompreensíveis, como explicarei mais adiante. Esta triste realidade mudou só no início de 2009, quando finalmente foi lançada em DVD a versão sem cortes do filme, talvez para aproveitar a carona do lançamento do remake dirigido por Patrick Lussier nos cinemas (em 3D!!!). Para quem já conhecia o filme, há muito ou pouco tempo, revê-lo na versão uncut é praticamente obrigatório, além de um momento mágico para quem já conhecia bem a versão antiga: é como se fosse outro filme, bem mais sangrento!

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Nossa história começa, claro, nos escuros túneis de uma mina. Ali, dois mineiros exploram o local, vestindo as pesadas roupas com chapéu e capacete que cobrem cada um da cabeça aos pés. Então, um dos mineiros começa a tirar a roupa… É uma mulher! Pinta aquele clima, a garota fica só de sutiã (tem uma pequena tatuagem em forma de coração num dos seios) e tenta tirar a máscara do companheiro, mas ele se recusa. Quando a moça baixa a guarda, o outro mineiro surta e empurra sua vítima direto para cima de uma picareta que estava enfiada na parede – a ponta atravessa o corpo pelas costas, saindo bem no meio da tatuagem de coraçãozinho na frente! (Vale destacar que esta primeira cena já sofreu um significativo corte por parte da tesourinha do censor.) Um superclose na boca da vítima gritando antecede o título “My Bloody Valentine“, que se transformaria no nome de uma famosa banda dos anos 80.

Só para esclarecer: nos Estados Unidos, o Valentine´s Day (o Dia dos Namorados deles) é comemorado no Dia de São Valentim, que é 14 de fevereiro, e não em 12 de junho, como acontece no Brasil. Isso porque aqui, o Dia dos Namorados foi “importado” nos anos 40 e encaixado em junho por motivos puramente comerciais, já que era um mês fraco de vendas para o comércio (Felipe M. Guerra também é cultura!). Já no filme, o Dia de Sào Valentin cai num sábado. Ou seja, um sábado dia 14! Claro, a intenção era fazer citação nada gratuita à série Sexta-Feira 13

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Mas aqui estamos bem longe de Crystal Lake: o cenário é a pequena cidade canadense de Valentine Bluff, cujo slogan é “Uma pequena cidade de grande coração“. Além de uma gigantesca mina que emprega praticamente toda a população (inclusive os jovens, por mais incrível que isso possa parecer), a cidadezinha tem como grande evento um famoso baile de Dia dos Namorados que foi realizado ininterruptamente por mais de 100 anos, e que nas últimas duas décadas não aconteceu. Por quê? Ah, ninguém conta abertamente, pelo menos na primeira parte do filme. Quem vai explicar isso, só bem mais tarde, é aquele típico personagem doidão (à la Crazy Ralph, de Sexta-Feira 13) que relata a história em flashback.

Tudo começa quando o prefeito de Valentine Bluff (Larry Reynolds) resolve retomar o famoso baile. Todo mundo está eufórico, decorando ruas, casas e o salão onde acontecerá o evento. E ninguém ficou tão feliz com a notícia quanto os jovens mineiros da cidade, que, a julgar pela profissão que escolheram, não têm lá muitas opções de lazer no lugar. O galã do pedaço é Jessie “T.J.” Hanning (Paul Kelman), filho do prefeito, que tentou a sorte na cidade grande, se deu mal, teve que voltar para o lugarejo com o rabo entre as pernas e ainda descobriu que sua namorada, Sarah (Lori Hallier), agora anda saindo com seu amigo, Axel (Neil Affleck). Também há outros jovens e casaizinhos secundários, como o gordo fanfarrão Hollis (Keith Knight), o brincalhão Howard (Alf Humphreys), e outros tantos que só servem para aumentar a contagem de cadáveres. O engraçado é que quase todos são interpretados por atores muito velhos para fazer papel de adolescentes!!!

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Claro que o clima de festa logo será estragado. Primeiro, o prefeito recebe uma caixa de bombons em forma de coração. Ao abrir, louco de vontade de saborear os doces, descobre que o conteúdo é um pouco indigesto: um coração humano ensanguentado (ora, se a caixa é em formato de coração, pelo menos não podem acusar o assassino de propaganda enganosa!), proveniente da caixa torácica da moça morta na primeira cena do filme. Junto com o “presente“, há um cartão com versinhos ameaçadores. Depois, uma velha senhora que cuida da decoração da cidade para o Dia dos Namorados (Patricia Hamilton) também é morta pelo assassino da picareta, e seu cadáver é encontrado pelo delegado (Don Francks). Com isso, ele e o prefeito resolvem cancelar a grande festa, temendo o retorno do terrível Harry Warden, que deveria estar internado num hospício há anos, conforme ficaremos sabendo mais tarde pela cópia genérica do Crazy Ralph.

Ele aparece no momento em que os jovens da cidade ficam revoltados com o cancelamento do baile. Surge então o tal sujeito (Jack Van Evera) que só existe para contar a história em flashback – neste caso, a lenda de Harry Warden. Segundo o tal cara, 20 anos antes (não perca as contas, o ano exato é 1961), toda a cidade se divertia no tal baile de Dia dos Namorados enquanto um pequeno grupo de trabalhadores continuava numa parte mais profunda da mina. Seus dois supervisores saíram para o baile e deixaram o grupo lá embaixo, sem controlar os níveis de gás metano. Resultado: o lugar explodiu, soterrando o grupo. A maioria teve morte instantânea, mas Harry Warden sobreviveu. Foi encontrado semanas depois do acidente, devorando o cadáver de um dos companheiros (uma cena sempre cortada na exibição do filme na TV).

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Mas não esqueça que estamos num slasher movie. Logo, para o grupo de rapazes e moças, a história não passa de bobagem – e o tal personagem brincalhão, Harold, passa o resto do filme zoando com a tal lenda. Já que o baile foi cancelado, eles resolvem fazer uma festa em segredo usando o refeitório da velha mina. E para lá vão. Por algumas horas, é tudo festa e namoricos. Mas logo o maléfico Harry Warden aparecerá, com sua picareta suja de sangue, para matar os jovens um a um.

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E basicamente é isso. Claro, como esse é um slasher dos primórdios, ainda há alguma tentativa de delinear e aprofundar personagens, pré-requisito que desapareceria das produções posteriores (vejam o novo Sexta-Feira 13 para entender do que estou falando). Aqui, por exemplo, o roteiro até perde um bom tempo enfocando o triângulo amoroso formado por T.J., Alex e Sarah. O pior é que a mocinha não se decide por nem um deles, fazendo com que a dupla passe o filme todo brigando como o Pato Donald e o Gastão disputam a Margarida nos quadrinhos Disney. Sorte que Harry Warden aparecerá para acabar com uma das pontas do triângulo e garantir um casalzinho feliz no final!

Surpreendentemente, considerando a média das muitas produções surgidas com o sucesso de Sexta-Feira 13, até que Dia dos Namorados Macabro é um bom filme – mesmo que tenha os exageros e bobagens típicas dos slasher movies. Inclusive há várias cenas muito boas, como aquela em que uma pobre garota (Helene Udy) é perseguida pelo assassino e bombardeada com roupas de mineradores, que caem penduradas do teto sobre a sua frente, barrando o caminho da fuga. Mas a melhor parte é a metade final, quando o grupo de jovens sobreviventes desce até os corredores escuros da mina para tentar escapar do assassino. Minha cena preferida é aquela em que eles precisam subir uma escada enorme e, quando estão quase no fim, um cadáver é atirado lá de cima, amarrado pelo pescoço, dando um banho de sangue nas moças que estão na escada – outra cena que só agora eu pude ver em versão sem cortes, muito melhor, diga-se de passagem.

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O roteiro de Stephen A. Miller (autor da ideia) e John Beaird tenta fugir do lugar-comum. E, se nem sempre consegue, pelo menos consegue criar um interessante mistério: será mesmo Harry Warden o assassino mascarado que aterroriza o grupo de jovens, ou o buraco é mais embaixo? Claro que quem já viu o filme, ou quem não viu mas é da geração pós-Pânico, já sabe que no final o vilão será desmascarado, revelando o rosto de um dos personagens da trama, aquele que ninguém esperava estar por trás de tão terríveis crimes. (Para quem viu o filme na TV a revelação era ainda mais inesperada, pois o personagem tinha sido dublado com voz de pateta!) Mas o mais estranho é que o fulano agiu normalmente o filme inteiro, e, assim que é desmascarado, começa a se comportar como um débil mental, gritando e agindo feito louco (o que também acontecia em Pânico, lembra?). Sempre me perguntei porque o tal cara esperou tanto tempo para concretizar sua vingança (sim, é uma história de vingança), e o porquê de assassinar pessoas que não tinham nada a ver com seu trauma de infância (sim, também tinha que ter um trauma de infância!), mas, sabe, é coisa de filme. Como curiosidade, o roteirista Beaird foi convocado, no ano seguinte (1982), para “consertar” o roteiro de outro slasher, Feliz Aniversário para Mim, e dar-lhe também um “final surpresa” (este sim absurdo e inverossímil, envolvendo máscaras faciais no estilo Scooby-Doo!!!!

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Uma das melhores coisas de Dia dos Namorados Macabro é a caracterização do assassino, vestido como mineiro da cabeça aos pés, e com um tubo de oxigênio que deixa o vilão com uma respiração tipo Darth Vader. Também é uma boa sacada aproveitar a luz sobre o capacete de mineiro: às vezes um personagem vira uma esquina e de repente vem aquela luz na cara, deixando a vítima totalmente desorientada e sem ação. Só não me pergunte como é que o psicopata consegue se esconder nos cantos ou na escuridão com aquela luz acesa o tempo inteiro. Também não me pergunte como o verdadeiro assassino consegue proteger sua identidade secreta trocando de roupa tão depressa, para numa hora estar misturado ao seus amigos e na outra estar trajado como mineiro psicopata. É um verdadeiro “The Flash” assassino!

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Enfim, sem querer estragar a surpresa de ninguém, o assassino sobrevive no final aberto (uma cena que foi absurdamente cortada pela censura ao ponto de tornar-se incompreensível, como o leitor pode conferir no texto abaixo). E o vilão ainda escapa amaldiçoando a cidade e prometendo voltar para matar mais. Que gancho maior para uma sequência. E, realmente, o diretor húngaro George Mihalka (aqui em seu segundo filme) já pensava numa continuação. Exatos 20 anos depois, em 2001, Mihalka apresentou para a Paramount seu projeto para a sequência, aproveitando o retorno dos slashers à moda depois do sucesso da trilogia Pânico. John Dunning, um dos produtores do original, inclusive queria reutilizar aqueles minutos de cenas cortadas em 1981 na continuação, já que a Paramount não tinha interesse em relançar alguma “director’s cut” do primeiro filme. Infelizmente, o estúdio também alegou que o original era um filme “pouco conhecido“, e que sua bilheteria abaixo do esperado na época do lançamento não justificaria uma sequência. E eu sempre me peguei imaginando como seria Harry Warden atacando no século 21, numa época de Internet, realidade virtual, drogas e um outro tipo de juventude. Se não podemos ver isso na continuação, pelo menos temos o remake, uma versão mais atualizada da mesma história, para ter uma ideia de como seria.

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Dia dos Namorados Macabro acabou sendo também o filme mais famoso de Mihalka, uma daquelas jovens promessas que não ficam à altura de seu potencial. Ele assinou várias outras produções, mas nunca com a mesma projeção, perdendo-se depois em produções para a TV. O elenco do filme não teve melhor sorte, e só alguns se deram bem. O galã Paul Kelman foi um dos que se afundou: seu último papel foi como figurante no ultratrash Black Roses, de 1988. Já Neil Affleck, que interpreta Alex, abandonou o cinema, mas tornou-se diretor de vários episódios das primeiras temporadas do desenho Os Simpsons! Outro que se deu bem foi Alf Humphreys, que interpreta Howard e fez pequenas participações em mais 60 filmes desde então, interpretando desde um policial em Rambo (1982) até o papel de William Drake em X-Men 2. Também apareceu em Premonição 2.

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Na primeira versão desta análise, que foi publicada há alguns anos, eu lamentava o fato de Dia dos Namorados Macabro ainda não circular em versão integral, argumentando que “a tesourinha da censura fez muito mais estrago que a picareta de Harry Warden“. Felizmente, isso mudou em janeiro de 2009, quando o selo norte-americano Lionsgate lançou (só por lá) a tão sonhada versão sem cortes do slasher de Mihalka. Segundo o diretor declarou à revista especializada Fangoria, foi uma espécie de acordo de cavalheiros entre a Lionsgate e a Paramount (que detinha os direitos sobre o filme), uma espécie de brinde quando foram negociados os direitos para a realização do remake.

E embora Mihalka tenha ficado radiante ao finalmente ver seu filme em versão integral, ele também revelou, entristecido, que algumas cenas censuradas acabaram perdidas para sempre por deterioração do fotograma, como o assassinato de dois jovens empalados enquanto faziam sexo (só o que vemos é o cadáver do casal sendo encontrado, mesmo na versão uncut). Mas o que foi recuperado já está de bom tamanho, mostrando com detalhes gráficos o sangrento e excelente trabalho dos técnicos em efeitos especiais Thomas R. Burman, Ken Diaz e Tom Hoerber.

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Como curiosidade, no mesmo ano de 2001 em que o diretor tentou realizar sua continuação oficial de Dia dos Namorados Macabro, foi lançada uma espécie de cópia bastarda do original, aproveitando a onda “slasher teen” deflagrada por Pânico. Trata-se do péssimo Valentine, que no Brasil foi batizado O Dia do Terror, e mostra um assassino com máscara de querubim atacando casais no Dia dos Namorados. Com direção do péssimo Jamie Blanks (do igualmente ruim Lenda Urbana), o filme é um fiasco completo que enterrou a carreira do “diretor” (ele ficou seis anos sem filmar e voltou com produções mais modestas), além de provar que o lucrativo filão estava perdendo o fôlego.

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E como estamos no Dia dos Namorados, cuidado! Harry Warden, seja na versão anos 80 ou século 21, pode estar espreitando para acabar com sua festa. Assim, se este ano você também receber uma caixa de bombons em forma de coração, na dúvida, NÃO ABRA!

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2 Comentários

  1. Cristiano

    Este filme é legal, eu assisti muitas vezes, assim como Chamas da morte e Sexta-feira 13 parte 2, eu gosto dos filmes da década de 80.

  2. Mk

    Assisti esse mês para aproveitar a vibe da data, achei bem legal mesmo sendo a formula bem “anos 80″( não que seja algo ruim).Depois de muito esforço consegui encontrar na net a versão sem cortes, fico me imaginando como deve ser chato assistir todo editado, pois as mortes que são o prato principal…

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