Críticas

Ainda Estamos Aqui (2015)

O mais novo filme velho de terror deste ano tem fantasmas, possessão, intrigas e Barbara Crampton. Poderia ser melhor?

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Ainda Estamos Aqui
Original:We Are Still Here
Ano:2015•País:EUA
Direção:Ted Geoghegan
Roteiro:Ted Geoghegan, Richard Griffin
Produção:Travis Stevens
Elenco:Barbara Crampton, Andrew Sensenig, Lisa Marie, pton, Andrew Sensenig, Lisa Marie, pton, Andrew Sensenig, Lisa Marie, Larry Fessenden, Monte Markham, Susan Gibney, Michael Patrick Nicholson, Kelsea Dakota, Guy Gane, Elissa Dowling, Zorah Burress, Marvin Patterson, Connie Neer

Marty McFly viajou de 1985 para exatos 30 anos no futuro e viu alta tecnologia, cinemas holográficos e o lançamento de Tubarão 19. Agora em 2015 os fãs do cinema de horror estão cada vez mais em contato com o passado. Filmes que mexem trabalham e modernizam a nostalgia dos anos 80 estão cada vez mais em evidência, os quais só podem ser explicados por um fator chamado “fenômeno Simpsons”: As crianças do passado, que apenas podiam curtir estes filmes, hoje são adultos, produtores, roteiristas e diretores, que podem trabalhar para prestar sua homenagem e fazer suas próprias versões deste mesmo gênero, oxigenando-o.

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De The House of the Devil (que chegou a ser lançado em VHS em pleno ano de 2009) a Sobrenatural, olhando a cartela de lançamentos seguidamente vejo cartazes old school, continuações e remakes de produções antigas e uma crescente celebração aos nomes esquecidos dos anos 70 e 80. Ainda Estamos Aqui, obra de estreia do diretor Ted Geoghegan (roteirista do infame Nikos the Impaler, de 2003), é outro ode a nostalgia, de um tempo com filmes simples, maniqueístas e assustadores. Talvez a melhor que foi lançada este ano, e ainda tem Barbara Cramptom (Re-Animator, Você é o Próximo)!

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Na história passada no final dos anos 60, Crampton interpreta Anne Sacchetti, que carrega o fardo recente da morte do filho em um trágico acidente de carro. O marido Paul (Andrew Sensenig, de Não há Vagas) resolve comprar uma velha casa isolada em uma pequena cidade achando que o ar do campo fará bem na recuperação da família.

Como bem explica seu sinistro vizinho Dave (o ótimo veterano Monte Markham, de Piranha), o lugar foi erguido em meados do século 19 onde um coveiro, sua esposa e filha moravam. Eles foram expulsos da cidade após a acusação de que o patriarca desta família vendia corpos frescos para a faculdade de medicina da região, cometendo suicídio logo depois. Desde então a casa tem fama de assombrada, sendo passada de mão em mão a um preço bem baixo, motivo predominante de sua compra por Paul.

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Conforme os dias se passam, eventos bizarros começam a se instalar na habitação, fazendo Paul não encontrar explicação lógica e futuramente acreditar em um espírito demoníaco presente no local, ao passo que Anne está certa de que se trata do espírito do filho falecido. Para fazer um “tira teima” é convidado o casal de amigos hippies e sensitivos Jacob (o diretor e ator Larry Fessenden) e May Lewis (Lisa Marie, que interpretou Vampira, no filme Ed Wood, de Tim Burton). Não seria um filme de terror se as coisas acontecessem pacificamente, e logo a verdade sobre a casa e seus moradores ancestrais virão a tona provando que alguém ou alguma coisa, de fato, ainda está lá no porão da casa dos Sacchetti.

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Como obra de baixo orçamento, o filme vende-se inicialmente como um indie bem lento, intimista e com poucas cenas de impacto, apoiada em poucos personagens centrais e nos diálogos entre eles. Por trás da aparência de tensão calma, esconde-se um terceiro ato movimentadíssimo e explosivo, com sangue, vísceras e violência, que valem toda a expectativa. Tudo apoiado em memoráveis atuações do elenco principal, especialmente Crampton e Markham.

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A caracterização anos 60/70 é muito boa, e, junto com a fotografia, transmite uma sensação de calmaria e desolação em que é fácil se compadecer com o destino do casal e seus asseclas. Porém por ser um filme pequeno existe o outro lado da moeda que pode incomodar. O principal fator é a falta de equilíbrio na metade do filme tendo como pesos os dramas da família que perdeu o filho, o histórico da cidade e de seus habitantes e os fatores sobrenaturais da trama. Como a duração é curta, muitas coisas parecem apenas jogadas na tela, com um pobre desenvolvimento, como um pequeno trecho envolvendo o filho dos hippies e sua namorada, que acrescenta pouco ao conjunto principal.

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Ainda com as falhas, o velho sangue novo de Ainda Estamos Aqui tem energia suficiente para entreter e evocar a nostalgia de retornar a grandes filmes de casas assombradas, de Amityville a A Casa do Cemitério, de Lucio Fulci, o que por si só é um mérito louvável.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Contato: [email protected]

6 Comentários

  1. Gregor Santos Moraes

    Cara, eu gostei. Esse filme tem vários elementos dos velhos filmes de horror que tanto assisti na década de 80. Tem fantasmas (casa mal assombrada), uma cidade,aparentemente,pacata e pessoas estranhas ,que por si só já geram desconforto. E o que mais gostei, e que fez com que eu assistisse até o final, foi e a câmera sem pressa como é bastante comum hoje. enfim, o filme tem suas falhas e a história de fato, não foi bem desenvolvida. de qualquer forma eu recomendo para quem deseja apreciar um terror nostálgico.

  2. Tiago

    Eu gostei bastante desse filme,não tem aquela coisa chata de silencio e musica alta de repente para dar susto gratuito como os filme bostas como invocação do mal 1 e afins.

  3. Milton

    É um filme bastante irregular que acaba sendo prejudicado pela má atuação de boa parte do elenco. Os espíritos são violentos mas não assustadores, o que compromete o resultado final. Falta aquele clima de ameaça que permeia os melhores exemplares do gênero, de maneira que os sustos não funcionam. O gore na parte final do filme não compensa todo o resto, mas não é uma total perda de tempo. Ainda assim, é mais interessante do que 90% dos filmes que estreiam em nossos cinemas.

  4. Scopel

    Bicho, biiiicho, BICHO!!! Não sei nem o que comentar. Sei sim. Só posso começar dizendo que sem dúvida nenhuma este é o pior filme de terror que já vi. Isso porque ele tem recursos, tem meios, tem os atores (ainda que a Barbara nem mesmo atue, só fica parada sem expressão hehe), mas tem um roteiro de merda. Sério, como é que aprovam essas porcarias? Quem é o louco que aposta dinheiro nisso?

    O filme é raso, tem furos bobocas no roteiro, os fantasmas são sem-razão-de-existir, não assusta. Fantasma fazendo amiguinho da mesma raça? Que isso… As cenas violentas (que são até boas) não duram 5 minutos e são realmente a desculpa para esta pérola existir, só que as uma hora e tanto anteriores criam apenas tédio, constrangimento e vergonha alheia ao invés de tensão e ansiedade.

    Nota: 1/2 caveira e olhe lá.

  5. Renato

    Não é possível que esse filme possa ser bem avaliado. Sério, sem condições. Ou meu nível de exigência básico foi parar onde quase filme nenhum ultimamente tem chegado, ou vocês estão perdendo a noção do que chamar de “memorável”.

  6. Ótimo filme! Bom ver alguns filmes novos revisitando uma das melhores fases do cinema de horror. O ponto negativo aqui vai pros atores, que em alguns momentos estão no automático e prejudicam algumas cenas mais fortes de horror.

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