Críticas

Blacula, o Vampiro Negro (1972)

Feito com uma produção merreca e politicamente incorreta. Blacula mantém seu charme e é diversão garantida para fãs de filmes B!

Blacula (1972) (2)

Blacula, o Vampiro Negro
Original:Blacula
Ano:1972•País:EUA
Direção:William Crain
Roteiro:Joan Torres, Raymond Koenig
Produção:Joseph T. Naar, Norman T. Herman
Elenco:William Marshall, Vonetta McGee, Denise Nicholas, Thalmus Rasulala, Gordon Pinsent, Charles Macaulay, Emily Yancy, Lance Taylor Sr.,Ted Harris, Elisha Cook Jr.

No começo dos anos 70, produtores picaretas, visando o público afro-descendente, resolveram criar uma série de filmes protagonizados por negros . Surgia então o boom do blaxploitation.

Blacula (1972) (4)Eram em geral produções B, e boa parte desse filão eram filmes policiais como: Sweet Sweerback’s Baadasssss Song, Shaft, O Chefão de Nova York, Coffy, Rififi no Harlem, etc. Obviamente há exemplares de outros gêneros, como westerns (entre outros teremos: Buck and the Preacher, Soul Soldier e Black Rodeo com Muhammad Ali e Woody Strode); filmes de artes marciais, tendo a frente o carateca já falecido Jim Kelly (Jones, o Faixa Preta, Black Samurai). Claro que o cinema de horror não poderia ficar de fora, mesmo que os filmes em si pareçam mais paródias e causem mais risos que medo, então surge versões de criaturas clássicas como Blackenstein (1973), Dr. Black, Mr. Hyde (1976) e Blacula, o Vampiro Negro (1972), esses dois últimos dirigidos por William Crain.

Blacula começa na Transilvânia em 1780, quando o príncipe africano Mamuwalde (WIlliam Marshall) e sua amada Luva (a bela Vonetta Mcgee do clássico spaghetti western O Vingador Silencioso de Sergio Corbucci) se dirigem até o castelo do conde Drácula (Charles Macaulay). A intenção do casal é pedir apoio do nobre europeu para extinguir o tráfico de escravos. Só que o notório nobre europeu acaba mordendo seu hóspede, transformando-o também em um vampiro, e como se não bastasse, o aprisiona em um caixão e mantém a esposa do príncipe como cativa até a morte.

Entram os letreiros, e depois o tempo pula para a década de 1970, onde dois decoradores gays em visita ao velho castelo acabam comprando entre outras coisas, o caixão lacrado onde está Mamuwalde. Obviamente que os decoradores levam suas bugigangas para Nova York. E obviamente que um deles acaba acidentalmente ressuscitando o vampiro.

Blacula (1972) (1)

Logo, livre, leve e solto, nosso vilão morde os dois rapazes, e no velório de um deles (antes de se tornar vampiro, óbvio) acaba conhecendo, entre os amigos do suposto falecido, Tina (Vonetta novamente), que seria a reencarnação de sua amada. Mamuwalde/Blacula então, entre uma vítima e outra, vai atrás de seu grande amor, nem que para isso tenha que enfrentar o cunhado dela, o médico e policial dr. Gordon Thomas (Thalmus Rasula).

Reparem que Blacula antecipa a história do vampiro que vai atrás da reencarnação da amada, um ano antes do roteiro de Richard Matheson para o telefilme Drácula – o Demônio das Trevas dirigido por Dan Curtis e estrelado por Jack Palance. A ideia seria explorada também na versão de Francis Ford Coppola de 1992, entre outros. O interessante é que Matheson ganhou os méritos por dar essa nova perspectiva ao personagem, enquanto Blacula explorou isto antes!

Claro que Blacula tem suas falhas. Por exemplo: a polícia recolhe os corpos dos dois decoradores sem fazer uma vistoria no lugar, senão iam achar o vampiro bem no local do crime, já que ele passa boa parte do filme dormindo de dia no seu caixão, sem ao menos tê-lo mudado de lugar. Outra mancada é que algumas vítimas levam mais de um dia para virarem vampiros, enquanto outros se tornam imediatamente.

Blacula (1972) (3)

No ano seguinte seria feito a continuação Os Gritos de Blacula, com William Marschall repetindo o personagem-título e mais o adendo da musa blaxploitation Pam Grier no elenco – a direção desta vez foi entregue a Bob Kelljan.

Como típico produto da época, Blacula não poderia deixar de fora calças boca-de-sinos, cabelos Black powers e, é claro, uma suingante soul music na trilha sonora. Para incrementar ainda mais, vale citar, que Blacula, quando vai atacar sua vítimas, muda sua aparência, além dos caninos salientes, ele ganha com costeletas e uma “monancelha” grossa.

Feito com uma produção merreca e politicamente incorreta. Blacula mantém seu charme e é diversão garantida para fãs de filmes B.

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