Críticas

O Exterminador do Futuro – A Salvação (2009)

É marcado por referências, o que faz com que o público tenha a imagem de uma produção que foi feita respeitando o original!

Exterminador do Futuro A Salvação (2009) (1)

O Exterminador do Futuro - A Salvação
Original:Terminator Salvation
Ano:2009•País:EUA, Alemanha, UK, Itália
Direção:McG
Roteiro:John D. Brancato, Michael Ferris
Produção:Derek Anderson, Moritz Borman, Victor Kubicek, Jeffrey Silver
Elenco:Christian Bale, Sam Worthington, Anton Yelchin, Moon Bloodgood, Helena Bonham Carter, Anton Yelchin, Jadagrace, Bryce Dallas Howard, Common, Jane Alexander, Michael Ironside, Ivan G'Vera, Chris Browning

O exterminador é uma máquina, não sente medo, remorso, dor e nada vai pará-lo até que você esteja morta. Esta foi a definição dada por Kyle Reese (Michael Biehn) para Sarah Connor (Linda Hamilton). A transformação destas palavras em imagens apresentou um dos personagens mais marcantes e assustadores do cinema na década de 1980. A cena na qual o ciborgue vindo do futuro, já sem a “pele” de Arnold Schwarzenegger, persegue Kyle e Sarah resume em poucos segundos o que uma boa trama do gênero deve ter.

Mas O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984) é muito mais do que uma obra de ficção científica ou de terror. A trama mostra o androide T-800 vindo do futuro com o objetivo de matar
Sarah Connor, que será a mãe de um futuro líder guerrilheiro humano chamado John Connor. Assassinando a genitora, o mocinho jamais viveria. Mas o soldado Kyle vem também com o objetivo de proteger a mãe e garantir o nascimento da criança.

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A trama, roteirizada e dirigida por James Cameron, conta uma história de medo e esperança, amor, violência e sacrifícios. Esses foram os elementos que fizeram desta obra uma referência para o que viria a ser feitos nos anos (e décadas) seguintes. A sequência, lançada em 1991 e também comandada por Cameron, transformou o T-800 em herói. O exterminado virou pop e o medo sentido no primeiro filme deu lugar a expressões de espanto diante dos efeitos especiais de última geração. Mas verdade seja dita e o filme agradou a crítica e ao público, embora a definição dada por Kyle Reese já não fizesse mais parte da imagem do ciborgue, que agora estava do lado dos mocinhos e representava uma figura paterna para um então adolescente John Connor.

Se não era possível sentir medo em O Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2 – Judgment Day, 1991), a parte 3, lançada em 2003, transformou o personagem em auto-paródia dentro de uma trama que não tinha motivo para existir. Sem James Cameron e com a ausência de Linda Hamilton, coube aos produtores da vez tentarem construir uma trama com um Schwarzenegger meio fora de forma mas que ao menos fosse aceita pelos fãs dos dois primeiros filmes. O resultado foi sofrível e, com exceção da conclusão, envergonha claramente as tramas anteriores.

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No ano seguinte, Arnold Schwarzenegger foi eleito governador da Califórnia e o novo emprego do ator enterrou as possibilidades de um quarto filme da franquia. Mas não demorou muito para que notícias referentes a um Exterminador do Futuro 4 começassem a ser publicadas por jornais e revistas especializados. O sinal verde foi dado e a notícia divulgada: o filme seria feito sem a presença de Schwarzenegger. Assim como o terceiro filme, Exterminador do Futuro – A Salvação (Terminator: Salvation, 2009) não foi roteirizado e nem dirigido por Cameron, mas se parece muito mais com as obras dele do que o capítulo anterior. E a boa notícia é que sem o T-800, o filme deixou de lado a linguagem pop dos capítulos 2 e 3, assumindo novamente um formato mais seco e aterrador, algo semelhante à obra original.

SOBREVIVENTES

O filme se passa em 2018, quando a grande maioria dos habitantes do planeta Terra foi morta após a rede de computadores Skynet ter lançado bombas nucleares nos quatro cantos do globo. John Connor (Christian Bale) é designado para liderar a resistência humana contra o domínio das máquinas.

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O fato da trama se passar em um futuro pós-apocaliptico já ajuda na criação de um ambiente aterrador e desagradável para os poucos sobreviventes da raça humana. É neste cenário que o diretor McG, de As Panteras (Charlie’s Angels, 2000), nos apresenta ao futuro que era visto apenas como possibilidade nos filmes anteriores. A Skynet, munida de toda uma série de máquinas assassinas, dizimou grande parte da humanidade e segue em busca da aniquilação total.

E é neste quesito que McG nos faz lembrar o trabalho de Cameron. Desde a ambientação, até a forma como os personagens são conduzidos, é possível perceber não apenas uma influência, mas quase uma imitação dos estilos do criador do filme original. Aqui, sobra pouco espaço para brincadeiras, o que faz com que o filme não perca tempo com explicações ou questões desnecessárias.

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Os exterminadores passam o filme inteiro mudos e apenas se limitam a atirar e matar, o que volta a parecer mais com a máquina assassina pensada por Cameron. Aqui, eles também não utilizam pele humana para se infiltrarem por entre as pessoas. A ideia de um endoesqueleto de metal caminhando e programado para abater humanos torna a visão muito mais ameaçadora.

Além disso, o diretor se concentra em contar uma história sobre o ser humano. Em um mundo habitado por máquinas, é justamente nos momentos mais cruciais da trama que questões referentes do ser homem são colocadas a prova. Não apenas em atos de coragem, mas em decisões, pensamentos e medos. É justamente na figura do misterioso Marcus (Sam Worthington), que esses elementos são mais bem representados. Em um mundo devastado, continuar humano muitas vezes representa um dos maiores desafios.

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Do elenco, destaque para o próprio Sam Worthington e para a participação de Helena Bonham Carter como uma paciente terminal. Christian Bale faz um John Connor dentro do aceitável, embora alguns problemas do personagem sejam mais referentes à concepção do mesmo. Visto por muitos como um líder, e até um profeta, o diretor deve ter esquecido que ele é um ser humano. Algumas cenas envolvendo o mocinho poderiam ter ficado de fora da edição final, como quando ele salta de um helicóptero em pleno oceano e, nadando, encontra um submarino e o invade. Uma façanha como essas fica difícil até para o T-800.

REFERÊNCIAS

O Exterminador do Futuro – A Salvação é marcado por referências, o que faz com que o público tenha a imagem de uma produção que foi feita respeitando o original. Desde alguns diálogos até mesmos acontecimentos, o filme segue esta linha como se tivesse sido concebido por fãs, o que não necessariamente é uma verdade, mas que acaba agradando a esta categoria.

Como destaque, vale a pena citar a “participação” de Linda Hamilton no filme. O envolvimento dela foi tido como motivo de festa para os fãs do filme original, principalmente depois de ter recusado retornar para a parte 3 da franquia. Na ocasião, a atriz explicou que a contribuição de Sarah Connor para a série havia terminado no segundo filme e que o roteiro no Exterminador 3 nada acrescentaria para a ela.

Na verdade, a participação de Sarah no Exterminador 4 acontece através de duas narrações feitas pela personagem em fita k-7 na época em que estava grávida de John. Além disso, a fotografia tirada dela no final do primeiro filme também é mostrada quando o herói está escutando uma das gravações. A cena dura três segundos, mas rever Sarah em cena, mesmo que seja através de uma foto, possui uma grande representatividade.

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Além dela, o próprio Schwarzenegger faz uma rápida aparição. Na verdade, o rosto do ator, com a aparência do filme de 1984, foi recriado em computador e incluído no corpo de um dublê para um embate do T-800 contra John Connor. A cena dura cerca de um minuto e o ciborgue nada fala, apenas ataca. Quem pensava em um reencontro bastante sentimental entre os dois, que se tornaram praticamente pai e filho nos filmes 2 e 3, pode esquecer.

A trilha sonora, assinada pelo mestre Danny Elfman, que já assinou temas belíssimos como Edward – Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, 1990) e Batman – O Retorno (Batman Returns, 1992), entre outros, traz um tom especial para o enredo, principalmente quando o compositor une o novo com o antigo, através da recriação do tema original de 1984. E falando em música, a canção You Could Be Mine, do Guns N’ Roses, tema do Exterminador 2, é utilizada de forma muito inteligente neste quarto capítulo. Além disso, algumas falas famosas como “Venha comigo se quiser viver” e “Eu voltarei” são reutilizadas de maneiras inteligentes e criativas, sem parecerem deslocadas.

FUTURO

Se os três primeiros filmes representam, vistos hoje, um ciclo, é possível falar deste quarto como o começo de uma nova saga. Talvez o maior risco, além de criar uma película comercialmente vendável e que não fugisse as origens, era produzir um novo capítulo da franquia sem a presença de Schwarzenegger. Mas o resultado foi positivo simplesmente pelo fato deste novo episódio parece realmente uma ficção científica pós-apocaliptica.

Neste caso, o enredo não precisa ir ao espaço para mostrar mundos assustadores, uma vez que uma Terra devastada consegue causar um impacto bem maior. Basta lembrar de outro clássico da década de 1980, Mad Max 2 (1981). Aliás, o diretor McG parece também prestar homenagem a este filme pelas sequências de perseguição envolvendo carros e motoexterminadores.

Aliás, com uma tecnologia bem mais avançada do que a de 1984, McG consegue bom uso dos efeitos dentro da trama, embora a história não seja dominada por cenas digitais gratuitas, ainda que algumas sequências sigam a risca o estilo conhecido como “vídeo game”, como quando se tem tanta informação que o espectador fica perdido sobre o que está acontecendo em cena.

Todos estes elementos apontam para um futuro promissor para a série que ainda possui boas ideias a serem desenvolvidas. E as notícias positivas confirmam a continuidade da saga em 2015. Parece um longo tempo desde o anterior, mas se formos relembrar as diferenças das datas entre os três primeiros filmes, representa um grande avanço.

CURIOSIDADES:

Christian Bale é o 7º ator a interpretar o personagem John Connor. Em O Exterminador do Futuro 2, Michael Edwards o interpretou quando adulto, Edward Furlong quando adolescente e Dalton Abbott quando criança. Nick Stahl o interpretou em O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas. Thomas Dekker interpretou Connor na série de TV “Terminator: The Sarah Connor Chronicles” (2008), com John DeVito interpretando uma versão mais jovem em um flashback.

– A face de Arnold Schwarzenegger foi incluída digitalmente no corpo de Roland Kickinger, para uma rápida aparição do personagem T-800.

– É o 1º filme da série O Exterminador do Futuro a não ter o ator Earl Boen no elenco. Nos demais filmes ele interpretou o Dr. Peter Silberman.

– O diretor McG pediu ao elenco que lesse os livros “The Road“, de Cormac McCarthy, e “Do Androids Dream of Electric Sheep?“, de Philip K. Dick. O objetivo era que fosse melhor compreendida a desolação da realidade retratada no filme.

– As filmagens ocorreram entre 5 de abril e 22 de agosto de 2008.

– Durante as filmagens, no verão americano de 2008, Christian Bale teve uma áspera discussão com o diretor de fotografia Shane Hurlbut. A causa foi que Hurlbut estava ajustando a luz ao fundo quando Bale atuava em uma cena intensa, desconcentrando-o. Os gritos e xingamentos de Bale vazaram na internet, que depois pediu desculpas públicas pelo ocorrido.

– Existe um Exterminador do Futuro 2,5. É isso mesmo. Com o mega sucesso do segundo filme, os parques Universal Studios Hollywood e Universal Studios Florida produziram um curta-metragem em 3D chamado T-2 in 3-D:Battle Across Time. O filme tem cerca de 12 minutos e acompanha John Connor e o T-800 em uma batalha através do tempo. Dirigido por James Cameron e com Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Edward Furlong e Robert Patrick no elenco, a trama é bastante boba e os efeitos são sofríveis, mas, para os fãs, não deixa de ser uma raridade.

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2 Comentários

  1. Davi Mercatelli

    Péssimo filme.

    Espere por soluções fáceis e absurdas. Nesse filme temos um robozinho revoltado com a Skynet e que se sacrifica para salvar os humanos.

    É um só mais um filme de ação com explosões e um finalzinho feliz e esperançoso. Mais do mesmo.

    Horrível!! Não recomendado!!!

  2. Bruno Pessoa

    Jeeeeesssssuuuuss!! nota 3 é muito pra esse filmeco. Ele até tem a façanha de ser pior que o Genisys.

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