Críticas

A Casa Maligna (2015)

Uma produção que talvez atraia curiosos pela capa nada espetacular ou pelo elenco de rostos já vistos em trabalhos melhores por aí!

The Culling (2015) (3)

A Casa Maligna
Original:The Culling
Ano:2015•País:EUA
Direção:Rustam Branaman
Roteiro:Rustam Branaman
Produção:Colin Bates, Craig Chapman, Peter Fruchtman
Elenco:Jeremy Sumpter, Elizabeth Di Prinzio, Brett Davern, Chris Coy, Linsey Godfrey, Virginia Williams, Johnathon Schaech, Harley Graham, Chelsea Bruland

Filmes ruins nascem de ideias ruins. Quando a sinopse já esbarra em outras produções e os primeiros cinco minutos não são cativantes, resta a alternativa de partir para uma outra aventura cinematográfica ou encarar com o propósito de servir de alerta – uma espécie de crítico Crazy Ralph – para os incautos sobre o tempo perdido. O problema se amplia quando o desafio em questão bebe de tantas fontes que, às vezes, fica difícil defini-lo, além de estabelecer uma certa confusão sobre já ter visto aquilo antes. Mas, ele é de 2015! Como você poderia já tê-lo visto? Talvez por transmissão mediúnica?

The Culling é um trabalho dirigido e assinado por Rustam Branaman, com um currículo mais nebuloso que a atmosfera artificial utilizada em seu filme. Se você ignorar os 10 filmes produzidos por ele, os 8 roteiros e duas direções anteriores – até mesmo porque são títulos que não dizem nada -, é provável que você o reconheça como ator: ora, ele esteve em O Juízo Final, de 1991, ao lado de David Duchovny e Mimi Rogers, e até tem uma ponta não creditada em Homem de Ferro 3! Não que isso melhore o seu longa de terror, mas pelo menos permite um reconhecimento pífio de suas funções no universo Hollywood. Agora você se encontra à vontade para dizer: como diretor e roteirista, ele faz ótimas pontas!

Essa bomba é uma das novidades da Netflix, com grandes chances de que você encontre seu nome associado a ele na categoria “Melhores Opções para ________” (preencha com seu primeiro nome), principalmente se tiver assistido a outros filmes de terror por lá. Se as notas baixas não forem um incentivo para buscar opções melhores entre os clássicos, parabéns! Você é um desbravador – e possivelmente ficava com a(o) menina(o) feia que acabou de chegar à sua sala, o que trazia um grande respeito de seus amigos. Bom, se ainda está aqui, vamos ao filme, começando pela sinopse, a tal da ideia ruim:

The Culling (2015) (1)

Um thriller sobrenatural assustador sobre um grupo de amigos universitários em uma viagem, tendo que enfrentar forças malignas em uma fazenda, após um encontro com uma estranha garotinha“. Na Netflix, o argumento é mais direto: “Um grupo de universitários na estrada encontra uma garotinha perdida e a leva para casa, mas lá se vê obrigado a enfrentar forças do mal para sobreviver.” De qualquer forma, você já encontra semelhanças nesse textinho, por exemplo, com o sangrento Macabre (2009), dos The Mo Brothers. Mas, é quando aperta o play que você encontra todos os lugares-comuns!

Quantos filmes começam com uma garota correndo de alguma coisa? Quantos mostram um grupo de amigos na estrada, entre drogas e bebidas? E se você souber ainda que eles estão na estrada para: a) visitar o túmulo da avó? b) verificar uma lenda urbana? c) atrás de mais drogas? d) ir a um festival de rock? Cada uma dessas opções já remete a inúmeros outros filmes, mas aqui, no caso, é a opção D. Lembre-se que no remake de O Massacre da Serra Elétrica, de Marcus Nispel, os amigos estão em busca de drogas e show de rock (Lynyrd Skynyrd)!!

The Culling (2015) (2)

Antes de apresentar os amigos, Branaman enche a tela de imagens da internet, com fotos de fantasmas (incluindo aquela clássica da menina flutuando no corredor), montagens ruins, bonecas feias, entre outras bobagens. No caso seria parte de um chat entre Emily (Elizabeth Di Prinzio, de The Devil Within, 2010) e Sean (Brett Davern), trocando curiosidades assustadoras do mundo virtual. Os dois se unirão na estrada a Amanda (Linsey Godfrey, de A Casa das Coelhinhas, 2008), Hank (Chris Coy, de Livrai-nos do Mal, 2014) e Tyler (Jeremy Sumpter, de A Mão do Diabo, 2001), entre músicas, bebidas e drogas. Como a viagem é longa e Amanda está com baixa glicemia, resolvem parar num restaurante na estrada, apenas para descobrir que o local está fechado. Lá encontram uma garotinha com um brinquedinho, toda chorosa. Ela diz que se separou do avô e convence o grupo a levá-la até em casa, como se isso já não fosse uma típica armadilha de estrada!

Com aspecto sinistro, a morada da pequena Lucy está vazia, com o quarto repleto de bonecas destruídas. Assim que os pais da menina chegam – Val (Virginia Williams, de O Inquilino, 2009) e Wayne (Johnathon Schaech, de Quarentena, 2008) -, depois da falsa discussão, eles resolvem ficar por lá, tomar cerveja e fumar baseado. Val se corta com o machado, obrigando Wayne a levá-la ao hospital, enquanto os jovens estacionam na residência, vendo TV, usando drogas, falando bobagens e cuidando da menininha. 40 minutos sem nada sobrenatural acontecer, uma mancha negra (o aspecto dos fantasmas) invade Amanda, fazendo-a passar mal. Brigas, alguns querem levá-la ao hospital – várias vezes você vai ouvir “precisamos buscar ajuda” – até as mortes realmente começarem.

The Culling (2015) (4)

A força maligna mencionada na sinopse seria um grupo de crianças, vítimas de um incêndio doloso na casa, que funcionava como uma creche. De toda forma, as informações são jogadas no espectador sem muita explicação, com efeitos ruins, exageros, permitindo que você saiba quem poderá sobreviver ao pesadelo já nos primeiros minutos. Dentre as cenas que reforçam os defeitos da produção, há a morte falsa de um rapaz – mesmo considerado morto, ele ainda irá se levantar para uma ação completamente não condizente com a sua situação, para depois “voltar a morrer“; e a sequência, anti-clímax, no celeiro. Isso sem contar o fato deles se separarem o tempo todo, e dizerem coisas como “A próxima cidade fica SÓ a 32 km daqui. Vou a pé até lá“.

Por essas e muitas outras, da trilha sonora à fotografia made-for-tv de Frederick Iannone, The Culling é uma armadilha, uma produção que talvez atraia curiosos pela capa nada espetacular ou pelo elenco de rostos já vistos em trabalhos melhores por aí. Mas, não vale a sua atenção, não traz sustos, nem o menor arrepio no público, ainda que fosse um já sentido antes. Há melhores opções na própria Netflix, basta saber procurar!

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1 Comentário

  1. Menino vc e mt exigente. Rsrs brincadeira. Eu só entendo de assistir. Acabei de ver “prenda a respiração ” vi sua crítica tmb. Gostei do roteiro, achei que faltou orçamento. Abraço.

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