Críticas, Quadrinhos

Carnívora (2015)

Parece algo que o nosso cinema nacional atual produziria se tivéssemos grandes nomes do horror trabalhando nos manjados filmes-favela!

Carnívora (2015) (3)

Carnívora
Original:Carnívora
Ano:2015•País:Brasil
Páginas:120• Autor:Péricles Jr.•Editora: Avec Editora

Em meio ao marasmo ao qual as grandes editoras se encontram atualmente com suas grandes e infinitas sagas, nós leitores de quadrinhos ansiosos por grandes novidades podemos sempre recorrer aos quadrinhos independentes. Umas das grandes fontes de material de qualidade atualmente são as plataformas de financiamento coletivo como o Catarse ou Kickante. Estas plataformas vem servindo de vitrine para grandes quadrinistas independentes e sedimentando um novo mercado de quadrinhos nacionais, cheio de ideias e criatividade. Um mercado que até pouco tempo atrás se encontrava enclausurado nas mentes destes caras e que agora pode ver a luz do sol graças ao apoio e incentivo de gente que clama por novidades.

Descobri o Catarse no ano passado e uma das primeiras HQs que apoiei foi o quadrinho de horror chamado Carnívora, de Péricles Jr., que já havia tido certo reconhecimento da crítica e dos leitores com sua HQ online Muito Prazer, Lia., e já havia trabalhado na Graphic Novel Pacific Rim: Tales from Year Zero, da Legendary Comics. Péricles embarcava agora em seu primeiro grande projeto autoral e contava com a ajuda dos leitores para isso. Como incentivador e apoiador do mercado de quadrinhos, e do gênero de horror, brasileiro, o apoio era certo. Mas valeu a pena?

Carnívora conta a história do policial Carlos, que procura sua noiva, desaparecida após um sequestro no sinistro “Morro da Caveira”, o maior complexo fictício de comunidades, em um Rio de Janeiro bastante real, que esconde segredos macabros. O topo do morro é assombrado por pequenas criaturas carnívoras, parecidas com crianças, que levam terror e morte às redondezas.

Carnívora (2015) (1)

A primeira qualidade de Carnívora que salta aos olhos é o capricho com o acabamento gráfico do álbum. A capa colorida com verniz localizado é belíssima e o miolo em preto e branco traz, além da história, extras que detalham a produção da HQ, uma mini biografia do autor e as tradicionais páginas de agradecimentos com os nomes de todos os apoiadores da HQ no Catarse. Parabéns a Péricles e à Avec Editora, que novamente acerta na escolha de seus títulos, trazendo mais uma excelente HQ de horror.

A arte de Péricles é muito bonita e detalhada, mas para uma HQ de horror, talvez ela devesse ser um pouco mais “escura”, pois seus quadros e cenários são muito iluminados. Nada que prejudique a leitura, mas talvez desse um pouco mais de atmosfera e clima para o conto. Seus personagens são bem definidos e construídos. A única ressalva é com o “Preto Ziza” que parece mais um personagem de vídeo game que um tradicional preto velho. Faltaram algumas marcas de idade.

Percebe-se que a história passou bastante tempo na cabeça do autor e o resultado é bem amarrado e o enredo redondinho de Carnívora passeia por diversos gêneros, do horror ao policial, sobrando espaço até para algumas críticas sociais que não poderiam ficar de lado em uma história passada em um morro do Rio de Janeiro. Ao final da leitura, Carnívora parece algo que o nosso cinema nacional atual produziria se tivéssemos grandes nomes do horror trabalhando naqueles já manjados filmes-favela.

As grandes HQs de horror nacionais estão voltando!

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