Críticas, Quadrinhos

Clive Barker’s Next Testament (2013)

Mostra que Barker ainda é um dos grandes nomes do horror e que o mundo dos quadrinhos ainda tem muitos cantos escuros a serem explorados!

Next Testament (2013) (2)

Clive Barker’s Next Testament
Original:Clive Barker’s Next Testament
Ano:2013•País:EUA
Páginas:Autor:Editora: SIMON & SCHUSTER

Clive Barker redefiniu o gênero terror nos anos 80 com sua obra sadomasoquista existencialista, Hellraiser. Barker estabeleceu novos paradigmas no gênero, criou imagens icônicas que são imitadas até hoje e ousou em um gênero que sobrevivia de repetições de fórmulas prontas. Muito mais que isso, Barker seguiu os passos de Dante e criou um novo inferno com estruturas, hierarquia e castas. É inegável que o autor inglês é um dos grandes nomes do horror junto de Alan Poe, Lovecraft e Stephen King.

Por essas e outras que a cada novo projeto seu, os fãs do gênero ficam, pelo menos, curiosos.
Em um de seus mais recentes, e melhores, trabalhos, Barker deixa a literatura e o cinema de lado para criar novos conceitos de horror dentro dos quadrinhos ao lado do escritor Mark Miller (Hellraiser) e do artista Haemi Jang (Hellraiser: The Road Below) em uma obra original e assustadora chamada Next Testament, publicado nos EUA pela BOOM! Studios em uma minissérie de 12 edições entre Março de 2013 e Abril de 2014.

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A história mostra Julian, um excêntrico bilionário, que, durante uma escavação no deserto, descobre uma antiga e poderosa entidade enterrada nas areias do tempo. Esta cruel e perigosa entidade alega ser o Deus do antigo testamento. O sádico ser superior se autodenomina Wick e está ansioso para se revelar à humanidade. Em paralelo, acompanhamos o filho de Julian, Tristan, e sua noiva, Elspeth, enquanto eles testemunham o apocalipse que se seguirá.

Enquanto a arte de Jang se revela bastante perturbadora ao detalhar os rompantes de poder de Wick ao redor do mundo de maneira bastante gráfica e empolgante, e também consegue emocionar nos momentos mais ternos e desesperados entre Tristan e Espeth, a grande força de Next Testament está na história e nos diálogos. Barker e Miller possuem uma ótima sintonia e criam um vilão carismático e aterrador, tão eloquente quanto Pinhead.

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Não poderiam ficar de fora, é claro, os questionamentos existenciais e teológicos com os quais Barker já nos presenteou em seus outros textos, como Hellraiser. Questionamentos sobre a nossa necessidade de seguir uma divindade, o prazer sádico de um Deus cruel e de atribuir a seres sobrenaturais a nossa existência e nossos atos. Wick é uma mistura de Dr. Manhatam e Pinhead com a sede de sangue de que faria Jason Woorhes tremer.

Next Testament mostra que Clive Barker ainda é um dos grandes nomes do horror e que o mundo dos quadrinhos ainda tem muitos cantos escuros a serem explorados e muitas histórias boas e originais a serem contadas. A criatividade não é um deus enterrado sob milhares de anos de areias imemoriais. É só saber onde procurar, e em Next Testament Clive Barker mostrou novamente ser um dos poucos que sabem.

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