Críticas

Do Além (2008)

Permite que o espectador esteja sempre à porta do horror, espalhando as assombrações criativamente, como uma testemunha na multidão!

Do Além (2008) (1)

Do Além
Original:From Within
Ano:2008•País:EUA
Direção:Phedon Papamichael
Roteiro:Brad Keene
Produção:Adrian Butchart, Chris Gibbin
Elenco:Elizabeth Rice, Thomas Dekker, Kelly Blatz, Laura Allen, Adam Goldberg, Margo Harshman, Rumer Willis, Britt Robertson, Steven Culp, Jared Harris, Candace Hammer

Muitos dos elogios feitos ao admirável Corrente do Mal (It Follows, 2014) compararam-no às assombrações orientais, principalmente pela maldição que acomete Jay Height (Maika Monroe); já as críticas que detonaram Jessabelle (2014) conseguiram visualizar algumas referências também a esse universo, provando que, para o bem ou para o mal, o cinema fantástico deve muito aos olhos puxados. Anos antes, mais precisamente em 2008, já era possível encontrar um outro espécime que se alimentou da mesma fonte, e que permite certas dúvidas sobre a sua própria influência aos dois filmes posteriores.

Na pequena comunidade religiosa de Grovetown, uma série de estranhos suicídios está intrigando a polícia e assustando os moradores. O pontapé inicial seria o suicídio do adolescente Sean (Shiloh Fernandez, de Deadgirl, 2008) diante da namorada, estourando os miolos com um revólver. Assustada, a garota correria pela cidade, manchada de sangue, e buscaria abrigo em um comércio local, perguntando a todos se estariam vendo alguém que parecia estar perseguindo-a. Pouco tempo depois, ela mesma enfiaria uma tesoura na própria garganta, como uma espécie de pacto de morte. A tragédia abala a cidade e resgata um episódio do passando, quando uma mulher, considerada bruxa, Candace Spindle, por não participar dos encontros na Igreja e ter sua própria crença, teria ocasionado a morte de um rapaz no lago, para depois ser encontrada morta num incêndio suspeito.

Do Além (2008) (2)

Candace é mãe do rapaz que se iniciou a série de suicídios e de Aidan (Thomas Dekker, de A Hora do Pesadelo, 2010), um gótico que se isola na casa da família. Apontado como responsável pelas mortes, ele apanha do fanático religioso e filho do reverendo, Dylan (Kelly Blatz, de A Morte Convida para Dançar, 2008), mas é ajudado por Lindsey (Elizabeth Rice, de Forgetting the Girl, 2012), cuja aproximação repentina poderá trazer a revolta dos moradores. Nesse palco de personagens tridimensionais, outras mortes vão acontecer, com um curioso aspecto: cada vítima foi a primeira testemunha do corpo do último suicida e está sendo assombrada por si mesma. E é nesse ponto que entra a referência ao horror oriental, já que os fantasmas vistos (sua assombração pessoal ao estilo Jessabelle) muitas vezes aparecem com o cabelo sobre o rosto (justificável pela intenção de esconder essa possível surpresa do espectador), além, é claro, da maldição que transmite para o próximo (Corrente do Mal).

Do Além tem a direção acertada de Phedon Papamichael, mais conhecido pelo trabalho como diretor de fotografia de longas caros como Caçadores de Obras-Primas (2014), Nebraska (2013) e Os Descendentes (2011). Sem apelar para sustos falsos e apoiado no enredo cativante de Brad Keene, em seu único acerto, Papamichael permite que o espectador esteja sempre à porta do horror, espalhando as assombrações criativamente, seja como uma testemunha silenciosa na multidão ou até como observadora do alto de uma árvore.

Do Além (2008) (3)

O longa fez parte do festival 8 Films to Die For, de 2008, promovido pela After Dark Films, ao lado de The Broken, Dying Breed, Lake Mungo, Efeito Borboleta 3, Perkins´14, Slaugter e Voices. Encerrado em 2010, o festival, que oportunizava o cinema independente, passaria a ser chamado After Dark Originals (por se basear em roteiros originais) e depois terminaria definitivamente em 2013. A After Dark Films continua promovendo lançamentos do gênero, sempre apoiado em orçamentos reduzidos e muita criatividade. Do Além pode ser classificado entre os acertos da After Dark, contribuindo significativamente para o gênero fantástico através de uma ideia simples, mas interessante, com um dos finais mais bem realizados de sua franquia.

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1 Comentário

  1. Milton

    A falta de capacidade de construção de personagens interessantes aliada a mortes encenadas sem a menor inspiração me impediram de passar da metade do filme…

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