Críticas

Exorcistas do Vaticano (2015)

Não traz nada de novo para um tema tão batido que sempre segue a mesma fórmula prosaica, além de não assustar da forma como se espera!

Exorcistas do Vaticano (2015)

Exorcistas do Vaticano
Original:The Vatican Tapes
Ano:2015•País:EUA
Direção:Mark Neveldine
Roteiro:Chris Morgan, Christopher Borrelli, Michael C. Martin
Produção:Chris Cowles, Gary Lucchesi, Chris Morgan, Tom Rosenberg
Elenco:Olivia Taylor Dudley, Michael Peña, Dougray Scott, Djimon Hounsou, Alison Lohman, John Patrick Amedori, Olivia Taylor Dudley, Michael Paré, Tehmina Sunny, Bruno Gunn, Daniel Bernhardt, Cas Anvar

Deve ser dureza fazer um filme sobre exorcismo. Primeiro porque ele já nasce sobre a sombra de O Exorcista, que figura quase que imbatível em qualquer lista dos melhores filmes de terror de todos os tempos, e, inquestionavelmente, é o melhor do subgênero .

Segundo porque ao que indica, já vimos tudo que podíamos desse tipo de produção, que sempre acaba esbarrando nas mesmas características de sempre: vozes guturais, pronúncia de línguas mortas, insinuações sexuais, telecinesia, levitação, espinhas sendo quebradas e membros retorcidos. E claro, uma cena de exorcismo clímax em seu terceiro ato.

Exorcistas do Vaticano (2015)

Exorcistas do Vaticano, que estreia nessa quinta-feira no Brasil, não foge à regra e parecer ser somente mais um rip off do filme de William Friedkin, lançado quarenta e dois anos antes. Ele tem lá seus méritos, não é um filme de se jogar todo fora, mas também tem lá seus defeitos, e bem graves.

O Vaticano desde sempre vem monitorando e registrando as manifestações demoníacas que ocorrem ao redor do mundo, e desde 1900 tem documentado e gravado essas possessões e seus respectivos exorcismos, mantendo-as arquivadas sobre constante vigilância na operação de um braço de exorcistas da Igreja Católica, liderado pelo Cardeal Bruun (Peter Andersson) e assistido pelo Vigário Imani (Djimon Hounsou). Com o passar dos tempos, o número de exorcismos vem aumentando e o crescimento das forças das trevas torna-se evidente, indo em direção às profecias do livro do Apocalipse, que crava a chegada do Anticristo, o falso profeta, que arrebatará multidões ao seu lado e assim virar o jogo do status quo divino estabelecido desde então.

Em Los Angeles, a jovem Angela Holmes (Olivia Taylor Dudley) vive sua vidinha pacata, morando com seu namorado, Pete (John Patrick Amedori), sem a aprovação de seu pai, o coronel Roger Holmes (Dougray Scott), até que durante uma festa surpresa de aniversário ela se fere acidentalmente com uma faca ao cortar o bolo e vai parar na emergência. Conforme o corte vai infeccionando, ela começa a agir de forma estranha, e passa a ser acompanhada e observada por corvos.

Em uma de suas idas e vindas ao hospital, Angela provoca um acidente de táxi que a deixa em coma durante 40 dias, enquanto seu pai, namorado e motorista sofrem apenas leves escoriações. A família passa por um momento barra-pesada, mesmo com o conforto religioso do padre Lozano (Michael Peña) e o conselho hospitalar já começa a ventilar a hipótese de eutanásia, uma vez que há mais de dois meses Angela não manifesta nenhuma atividade cerebral e vive por aparelhos.

Quando relutantemente o pai dela concorda com a ideia e o procedimento de desligar os aparelhos é feito, a moça milagrosamente volta à vida, e é quando percebemos que ali o demônio tomou conta de seu corpo. Mas não é qualquer demoninho chinfrim, não. É O tinhoso, O coisa-ruim, O belzebu, O satanás, O tranca-rua, O cramunhão em pessoa!

Angela, que fisicamente passa a lembrar muito Patricia Arquette em Stigmata, então passa a sofrer de todos aqueles sintomas do subgênero que falei lá no primeiro parágrafo, é internada em um hospício e com seu comportamento errático e malicioso passa a ser responsável por uma série de mortes, acessos de fúria dos pacientes e automutilações, fazendo com que seja liberada do local e o único caminho para sua possível cura seja o exorcismo, uma vez que o Pe. Lozano enviou o relato e as fitas de vigilância do hospital para a Arquidiocese, que por sua vez enviou ao Vaticano.

O Cardeal Bruun (que já teve um encontro anterior com o demônio, claro) viaja para os EUA para exorcizar a garota já sabendo que ela é o Anticristo e carrega Lúcifer em seu corpo, por juntar as pistas sobre o caso: Angela é uma garota, ao contrário de Cristo, passou 40 dias em coma enquanto JC passou 40 em jejum, o corvo que sempre está ao seu lado caçoa da pomba branca, e a moça é filha de uma garota de programa, o oposto de uma ~virgem~.

Olhe, até aquele momento do filme, Exorcistas do Vaticano vai seguindo seu caminho mediano, sem comprometer, com atuações razoáveis, um roteiro sem nenhum arroubo de criatividade, algumas cenas bacanas (destaco quando um dos policiais enfia duas lâmpadas nos olhos sob efeito da garota, ou mesmo na revolta que se passa na instituição psiquiátrica enquanto Angela pragueja em aramaico do outro lado da parede), mas quando o exorcismo é praticado, de forma nada impactante (que não chega ao nível de exemplos recentes como O Exorcismo de Emily Rose, O Último Exorcismo ou Invocação do Mal) – e é exatamente isso que você espera, algo que te deixe tenso e com medo das forças das trevas – eis que a moça vira praticamente a Fênix Negra dos X-Men, com sua devastadora telecinesia e poderes pirocinéticos, e aí o caldo entorna de vez.

É muito difícil exigir originalidade de um tema tão batido e que sempre segue a mesma fórmula prosaica, mas Exorcistas do Vaticano não traz absolutamente nada de novo ao subgênero, e por muita sorte não é um found footage, limitando a experiência de cinema verité apenas a algumas gravações de segurança. A fita não assusta ou impacta da forma que se espera para esse tipo de produção. O final pelo menos é pessimista e inverte um pouco o maniqueísmo convencional dos filmes de exorcismo, deixando até o caminho aberto para uma possível continuação, que se rezarmos bastante, talvez não aconteça.

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5 Comentários

  1. Karla

    Em uma longa tradição de filmes que apresentam o ritual – de O Exorcista, que em 1973 tornou-se o melhor filme de terror da história. Um filme sobre exorcismos, mas com um caso de possessão demoníaca que em última análise revela que não é o diabo, que todos nós conhecemos um ao outro para sempre, mas um corpo que poderia trazer o fim do mundo é exorcismos no Vaticano. Aqui ele deixou este link com informações, dados e programações sobre o filme: http://www.hbomax.tv/movie/WHL230285/Exorcistas-No-Vaticano As “The Vatican Tapes” tenta revelar um dos segredos mais bem guardados da religião católica: recinto onde o filme registra os casos mais complexos de posse do mundo são salvas. Nada menos do que o próprio Vaticano.

  2. Opa eu sempre gosto de ver uma opinião desse site vi essa opinião é mesmo assim eu vi o filme vocês estão certo o filme é galhofa de mas
    que pena pois gosto de filmes de exorcismo .

  3. Thi MarQs

    Nada… Eu disse: NADA, vai superar o clássico de 1973

  4. Poxa! Eu já gostei mais do último terço do filme!

    Até então segue como um filme normal de possessão, mas o final muda tudo e entrega um pouco de originalidade…

    A continuação seria bem vinda com mais recursos e uma equipe melhor. Daria um bom filme apocalíptico…

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